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Monday, November 2, 2026

Trump passa a integrar lista de "predadores da imprensa"

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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi incluído na lista de “predadores da imprensa”, elaborada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), após ataques para reduzir o jornalismo à comunicação política e restrições impostas aos profissionais da informação.

Na lista anual de 2026, publicada esta segunda-feira, Trump figura ao lado de outros líderes que já constavam de edições anteriores da RSF e que continuaram a utilizar o aparelho do Estado para amordaçar os meios de comunicação, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Nicarágua, Daniel Ortega (juntamente com a esposa, Rosa Murillo); ou da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.

A RSF (Reporters sans frontières, sediada em Paris) sublinha que, no caso do Presidente norte-americano, desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025, “os seus ataques contra a imprensa ultrapassam cada vez mais o âmbito da retórica e das políticas públicas, traduzindo-se em restrições físicas impostas aos jornalistas”.

A organização insiste que Trump “multiplicou os ataques para reduzir o jornalismo a mera comunicação política” e recorda que, com o chefe de Estado republicano, os Estados Unidos desceram, num ano, sete lugares no seu ranking sobre a liberdade de imprensa, figurando agora numa pouco honrosa 64.ª posição.

Entre os “predadores da imprensa” que põem em risco a segurança dos profissionais da imprensa, repetem-se este ano as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês ou os cartéis mexicanos, aos quais a RSF atribui a responsabilidade por “um clima de terror em países supostamente ’em paz'”, num contexto em que, no que vai do ano, quase um jornalista foi assassinado por mês pelo crime organizado.

Outra das personalidades que integram esse grupo de ameaças à segurança dos jornalistas — no qual figura o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman — é o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, a quem se atribui nas últimas semanas a prisão dos jornalistas do portal de verificação Matsaddash e o encerramento do Mada Masr, um meio de comunicação de referência.

No plano económico, a RSF aponta os gigantes tecnológicos norte-americanos Alphabet (proprietária, nomeadamente, da Google) e Meta (Facebook, WhatsApp, Instagram), mas também multimilionários como o francês Vincent Bolloré (proprietário, entre outros, de jornais, canais de televisão e rádios) e o georgiano Bidzina Ivanichvili por enfraquecerem os meios de comunicação independentes ou por colocarem a independência editorial sob pressão.

A organização de defesa da liberdade de imprensa reitera a designação de Elon Musk como um dos “predadores” por fomentar a desinformação, nomeadamente através da rede social X, que lhe pertence, bem como por propagar o ódio contra os jornalistas e obstruir a liberdade de informação.

No relatório deste ano, figura igualmente o Presidente argentino, Javier Milei, que, desde a chegada ao poder em dezembro de 2023, “multiplica os ataques contra jornalistas e meios de comunicação críticos, aos quais acusa regularmente de corrupção, mentiras e manipulação política“.

A RSF retirou vários dos predadores que constavam da lista de 2025, por já não se encontrarem na linha da frente da ação.

É o caso do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que morreu num bombardeamento durante as primeiras operações da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irão em 28 de fevereiro.

É também o caso de Nicolás Maduro, que foi afastado do cargo de Presidente da Venezuela através de uma operação militar norte-americana, que o capturou e levou para uma prisão em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Os ex-primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orbán, e da Sérvia, Aleksandar Vucic, também deixaram de constar da lista por terem sido afastados do poder através das urnas.

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