Presidente de time em que Maradona brilhou diz que daria 'um tiro' em Infantino
RESUMO | O proprietário do Napoli, Aurelio De Laurentiis, causou surpresa durante cerimônia em Roma ao declarar publicamente que queria "atirar" no presidente da FIFA, Gianni Infantino, antes de mudar de ideia ao testemunhar a organização da Copa do Mundo de 2026.
O proprietário do Napoli, Aurelio De Laurentiis, chamou a atenção da imprensa internacional com declarações fortes direcionadas ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Durante a cerimônia em que recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra concedido pela Associação de Imprensa Estrangeira da Itália, em Roma, o dirigente de 77 anos admitiu que nutria um sentimento de hostilidade extrema contra o dirigente suíço-italiano antes de conferir de perto o andamento do torneio intercontinental. As informações são do The Athletic.
De Laurentiis relatou que, inicialmente, questionava a postura de Infantino e suas viagens globais encontrando líderes políticos como Donald Trump e Vladimir Putin. Contudo, a percepção mudou drasticamente ao acompanhar as partidas do torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
"Este ano, quando fui assistir aos jogos da Copa do Mundo, você viu esses estádios organizados de uma forma extraordinária... Eu queria atirar no Infantino; mas quando vi como ele havia organizado tudo, eu disse: 'Não, dou o braço a torcer, tenho que dizer parabéns'", declarou o dirigente ao The Athletic.
Críticas ao futebol europeu e propostas de mudanças
Apesar de reconhecer o sucesso logístico do Mundial — que contou com o formato expandido de 48 seleções e 104 partidas —, De Laurentiis direcionou duras críticas ao panorama do esporte na Europa. Para o empresário, os Estados Unidos mantêm o esporte em alta, enquanto o continente europeu atravessa uma crise estrutural.
Ele questionou a utilidade de torneios como a Liga Europa e a Conference League, apontando que tais competições servem principalmente para captar votos em eleições internas de entidades esportivas que, segundo ele, operam sem supervisão legislativa adequada.
As críticas do dono do Napoli a modelos tradicionais do esporte não são novidade. Em entrevista concedida ao The Athletic em abril, o dirigente já havia defendido ideias radicais para atrair as novas gerações, como a redução do tempo de jogo para 25 minutos por tempo, argumentando que o público jovem perde a paciência com o ritmo lento das partidas de futebol transmitidas pela televisão.
A crise institucional na FIFA
A gestão de Gianni Infantino à frente da FIFA enfrenta um momento de forte desgaste político e fissuras internas de grandes proporções no cenário do futebol global. Apesar de ter confirmado a manutenção de sua candidatura para a eleição prevista para março de 2027 — quando buscará seu quarto e último mandato para permanecer no cargo até 2031 —, o dirigente suíço-italiano lida com uma oposição crescente após crises acumuladas. O estopim recente ganhou força com a controversa proposta de administrar as receitas da Copa do Mundo por meio de uma empresa privada aberta a investidores externos, um plano que, embora tenha sido abandonado diante da repercussão negativa, deixou marcas profundas e acelerou o distanciamento de importantes federações nacionais.
O abalo na base de sustentação política de Infantino se traduz na perda de apoios históricos e na articulação de blocos contrários à sua continuidade. Federações de peso como Itália, Suécia, Escócia e Nova Zelândia retiraram publicamente o respaldo ao presidente, somando-se à oposição declarada por grupos de torcedores, ex-jogadores e por Sandor Csanyi, vice-presidente do Conselho da FIFA. No centro das críticas está a UEFA, que acusou o dirigente de "gestão desleal" e chegou a ventilar um boicote a competições da entidade máxima — ameaça que, embora recuada no fim de agosto, manteve a firme intenção europeia de barrar a reeleição.
Apesar do forte cerco europeu, o mapa eleitoral de Infantino encontra sobrevida em outras regiões do planeta, garantindo alianças estratégicas cruciais para a disputa que definirá o futuro das 211 federações filiadas. A Confederação Africana de Futebol (CAF) declarou apoio unânime ao atual presidente, que também preserva o respaldo de parte da Conmebol, de ex-jogadores e até de figuras políticas externas, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com prazo limite estipulado até o dia 18 de novembro para a formalização de chapas, Infantino permanece até o momento como o único candidato declarado, tendo em Victor Montagliani, presidente da Concacaf, o nome mais cotado para capitanear uma frente alternativa na corrida rumo à maioria simples de votos necessária no pleito de 2027.
O que Aurelio De Laurentiis disse sobre Gianni Infantino?
O dono do Napoli afirmou em tom irônico que queria "atirar" no presidente da FIFA, mas mudou de ideia e elogiou a organização após assistir aos jogos da Copa do Mundo.
Qual foi a avaliação do dirigente sobre a Copa do Mundo?
De Laurentiis classificou a organização dos estádios e do torneio no formato expandido como "extraordinária".
Quais foram as críticas direcionadas ao futebol europeu?
O dirigente questionou o propósito da Liga Europa e da Conference League, afirmando que os torneios servem para garantir votos em eleições de entidades que operam sem supervisão legislativa.
Que outras mudanças o dono do Napoli já sugeriu para o esporte?
Em entrevistas anteriores, De Laurentiis defendeu a redução dos tempos de partida para 25 minutos por etapa para engajar o público jovem.
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