Líder de seita condenado a 33 anos de prisão por abusos

Um tribunal da Coreia do Sul condenou esta segunda-feira Jeong Myung-seok, líder da seita cristã Jesus Morning Star (JMS), a 33 anos de prisão por abusos sexuais cometidos contra 16 seguidoras entre 2018 e 2022.
O líder da organização religiosa já cumpre, atualmente, uma pena de 17 anos por crimes semelhantes.
O Tribunal Distrital de Daejeon (centro-oeste) considerou Jeong, de 81 anos, culpado em primeira instância de acusações que incluem violação, aproveitando-se da incapacidade das vítimas de opor resistência, informou a agência de notícias local Yonhap.
A justiça concluiu que o líder religioso utilizou a sua posição de autoridade, na sua qualidade de líder religioso, para abusar repetidamente das mulheres.
O tribunal salientou que os métodos empregues foram particularmente graves, dado que Jeong se socorreu de uma estrutura de dominação religiosa construída ao longo de décadas, segundo a Yonhap. A pena imposta ultrapassa os 27 anos solicitados pelo Ministério Público.
A JMS, cujo nome oficial é “Christian Gospel Mission”, foi fundada por Jeong no início da década de 1980 e desenvolve atividades tanto dentro como fora da Coreia do Sul.
A organização afirma contar com cerca de 100 mil seguidores. Contudo, Kim Do-hyung, professor da Universidade Dankook, estimou em 2023 que o número seria de, pelo menos, 20 mil a 30 mil, conforme relatado pelo jornal local Kyunghyang Shinmun.
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Atualmente, Jeong cumpre uma pena definitiva de 17 anos de prisão por violar e abusar sexualmente de uma seguidora de Hong Kong, além de ter abusado sexualmente de outras duas mulheres, uma australiana e uma sul-coreana, entre 2018 e 2021.
Em 8 de outubro, o mesmo tribunal determinou também que Jeong e a JMS paguem uma indemnização de cerca de 370 milhões de wons (quase 250 mil euros) às três mulheres pelos danos sofridos.
O líder da JMS já tinha cumprido dez anos de prisão entre 2008 e 2018, depois de ter sido condenado por violar e abusar sexualmente de vários membros da seita, bem como por desvio de fundos.
As denúncias feitas por ex-seguidoras ganharam ampla repercussão internacional com a estreia, em 2023, da série documental da Netflix “In the Name of God: A Holy Betrayal” [“Em Nome de Deus: Uma Traição Divina“], cujos três primeiros episódios abordam o caso da JMS.
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