ESPN DeportesBetts abre juego con jonrón ante San Franciscoוואלהגבר כבן 30 נפצע קשה באירוע אלימות בבת יםThe Jerusalem PostEngolement: Once you find your inner golem, life in the shtetl will never be the same - reviewInquirer2 ex-drug convicts, pal allegedly yield P592,000 worth of shabu in LucenaInquirer EntertainmentJopay Paguia brings up 2025 remark dismissing ‘rivalry’ with Rochelle Pangilinan中国新闻网共享3.0机遇,中国开放红利持续释放SportstarWhat is the new suit Keely Hodgkinson wore while winning Athlos 800m?Wirtualna PolskaDziało się w nocy. Drony nad lotniskiem, wstrzymano loty w LuksemburguNew Straits TimesContractor loses nearly RM150,000 in bogus cryptocurrency investment scamGlobal NewsB.C. family rescues exhausted baby bear swimming in Okanagan Lakeالنهارترتيبات أمنية لساحل ليبيا الغربي... من يملك قرار التنفيذ؟Lenta.ruАрабский военкор рассказал об изменении уровня жизни в Донбассе
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, September 19, 2026

Dar a volta ao Volta

Translate

Esta semana, Carlos Moedas voltou a pedir o fim do Volta. O lixo espalhado nas ruas e o drama social associado à procura de garrafas e latas nos contentores justificaram a sua tomada de posição. É uma posição atendível. Um presidente de câmara tem de responder por uma cidade onde se possa viver, e os lisboetas têm todo o direito de exigir ruas limpas. E quem trabalha na higiene urbana também merece mais consideração do que a recomendação implícita de continuar a limpar os estragos.

Continuo, porém, a achar que acabar com este sistema seria uma resposta insuficiente. Mais: seria uma resposta ao lado. Quando aqui escrevi sobre o Volta, chamou-me a atenção o pouco que bastava para levar alguém a revolver um contentor: dez cêntimos por embalagem. Entretanto, a discussão sobre o assunto foi crescendo. Ainda bem. Ainda assim, convinha que não nos esquecêssemos o que a motivou.

Se o Volta desaparecesse amanhã, algumas ruas poderiam ficar mais limpas. Contudo, as pessoas que procuram embalagens continuariam pobres. Algumas perderiam uma fonte de rendimento, sem que lhes fosse oferecida qualquer alternativa. A miséria tornar-se-ia menos visível e, por isso, mais fácil de esquecer. Seria bastante cómodo podermos dar o assunto por resolvido e partir para o novo tópico na ordem do dia.

O Volta encontrou em Lisboa, e na sociedade portuguesa, uma vulnerabilidade que nenhum sistema de reciclagem poderia ter inventado em cinco meses. Essa vulnerabilidade tem o nome da pobreza, e a urgência de corrigir os seus efeitos deve obrigar-nos a olhar para ela com ainda maior atenção da que damos ao lixo espalhado na rua. De outro modo, estaríamos a ignorar o iceberg do qual os contentores revolvidos são apenas a extremidade.

O Governo, pela voz da Ministra Maria da Graça Carvalho já disse que o Volta é para continuar. Há razões ambientais e financeiras para procurar que funcione: quanto mais plástico conseguirmos reciclar, menos teremos de pagar a Bruxelas pelo que fica por reciclar. Se acabar com o Volta significasse um recuo na recolha, esse recuo teria também um custo. Mas defender o sistema obriga o Governo a corrigir os seus problemas. As dificuldades apontadas pela restauração e pela hotelaria, as avarias e a insuficiência dos pontos de recolha exigem respostas. A Câmara e as Juntas de Freguesia não podem ficar entregues às consequências de uma decisão nacional, enquanto o debate se resume a anunciar quantas embalagens foram devolvidas.

Mas poderíamos, talvez, aproveitar esta correcção para dar outra utilidade ao Volta. Por que não envolver as instituições sociais, em colaboração com o comércio e a restauração, para que as primeiras procedam à recolha diária, fazendo com que o valor das embalagens vá directamente para financiar as suas causas? Por que não, como já se faz noutras latitudes, orientar os pontos de entregas e circuitos para apoiar diretamente as franjas sociais, como as pessoas em situação de sem-abrigo, dando-lhes um horizonte de esperança diferente do actual? Lisboa, através da coligação que governa a cidade, com o cariz social do CDS-PP, pode e deve promover esse encontro, apoiando quem já conhece estas pessoas e trabalha com elas. Há aqui uma possibilidade que merece ser considerada.

As dificuldades apontadas pela Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal apontam para que se comece, precisamente, por aí; por um sistema integrado de recolha, em articulação estreita com a restauração e o comércio, que faça funcionar a recolha e a entrega em quiosques já previstos para o sector.

Naturalmente, não seria a bala de prata que acabaria com a pobreza. No entanto, podia ajudar. E obrigava-nos a discutir o que fazer por quem anda a procurar dez cêntimos no lixo, para além de impedir que o lixo fique espalhado. A habitação, o tratamento das dependências e a possibilidade de viver do trabalho continuam a exigir respostas, com ou sem Volta.

Carlos Moedas tem razão em exigir que se faça alguma coisa. Crédito lhe seja dado, a sua insistência ajudou a trazer o problema para o centro da discussão. Seria bom aproveitar essa atenção para mobilizar o Governo, o município e as instituições sociais. Acabar com o Volta seria relativamente fácil. Acabar com a pobreza que ele revelou dá muito mais trabalho. E se se desse a volta ao Volta?

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.