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Tuesday, November 3, 2026

Telescópios Hubble e Webb encontram 27 mundos desconhecidos além de Netuno

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Os telescópios espaciais Hubble e James Webb, da Nasa, identificaram 27 pequenos objetos desconhecidos além da órbita de Netuno. A descoberta revelou corpos gelados que podem preservar características de sua formação há bilhões de anos, oferecendo novas pistas sobre a origem do Sistema Solar.

Os resultados foram apresentados em dois estudos publicados em setembro na revista científica The Astronomical Journal, com base em observações combinadas dos dois telescópios.

Os pesquisadores também encontraram menos objetos pequenos do que o previsto por alguns modelos de formação planetária. Além disso, as características de suas superfícies são semelhantes às de corpos muito maiores, apesar das diferenças de tamanho.

O que são os mundos antigos descobertos pela Nasa?

Os objetos identificados são conhecidos como objetos transnetunianos (TNOs), pequenos corpos gelados que orbitam o Sol além de Netuno. Esses objetos são considerados remanescentes das primeiras etapas de formação do Sistema Solar.

Segundo os pesquisadores, os planetas começaram a surgir quando partículas de poeira e pequenos fragmentos se acumularam ao redor do Sol. Com o tempo, esse material formou corpos maiores, chamados planetesimais, que posteriormente deram origem aos planetas.

Entretanto, muitos desses objetos não continuaram crescendo. Nas regiões mais distantes do Sistema Solar, parte deles permaneceu praticamente inalterada por bilhões de anos.

Por isso, os astrônomos investigam suas características para compreender as condições existentes durante a formação dos planetas.

Hubble e James Webb identificaram 27 objetos desconhecidos

A pesquisa reuniu equipes ligadas à Universidade de Victoria, no Canadá, e à Universidade do Norte do Arizona, nos Estados Unidos. Os cientistas utilizaram os telescópios Hubble e James Webb para observar simultaneamente a mesma região do céu.

Enquanto o Hubble registrou a luz visível, o James Webb captou a radiação infravermelha. A combinação permitiu analisar as cores dos objetos, estimar seus tamanhos e estudar suas órbitas.

As cores são especialmente importantes uma vez que fornecem informações sobre a composição química das superfícies e ajudam a investigar suas origens.

Os 27 corpos identificados são extremamente difíceis de observar. Alguns apresentam brilho mais de 100 milhões de vezes inferior ao de objetos visíveis a olho nu.

O menor deles possui aproximadamente 5 quilômetros de diâmetro, tamanho cerca de cinco vezes inferior ao limite de detecção dos telescópios terrestres mais sensíveis.

Por que os objetos preservaram características tão antigas?

Os pesquisadores analisaram duas populações de objetos transnetunianos, classificadas como dinamicamente frias e dinamicamente quentes. Essas denominações não se referem à temperatura, mas às características de suas órbitas.

Os objetos dinamicamente frios permaneceram próximos das regiões onde se formaram, seguindo trajetórias relativamente circulares e alinhadas ao plano orbital dos planetas.

Já os dinamicamente quentes tiveram suas órbitas modificadas durante a evolução do Sistema Solar, quando os planetas gigantes mudaram de posição.

Apesar dessas trajetórias diferentes, os cientistas encontraram uma semelhança inesperada: os objetos menores apresentam padrões de cores semelhantes aos de corpos maiores das mesmas populações. Antes das observações, os pesquisadores esperavam encontrar sinais mais evidentes de alterações provocadas por colisões ao longo de bilhões de anos.

Esses impactos poderiam expor materiais diferentes e modificar a aparência das superfícies. No entanto, os resultados sugerem que os objetos preservaram características relacionadas aos ambientes onde se formaram.

Segundo Anastasia Morgan, pesquisadora da Universidade do Norte do Arizona e responsável pelo estudo sobre cores e composição, a descoberta indica que mesmo os menores corpos podem conservar informações sobre suas origens.

A equipe considera duas possibilidades: os objetos podem ter sofrido menos colisões do que o esperado ou suas superfícies podem ter preservado características originais mesmo após os impactos. Ainda não foi possível determinar qual explicação é a correta.

Descoberta desafia modelos de formação planetária

Além das características das superfícies, os cientistas investigaram a quantidade de objetos em diferentes faixas de tamanho. Os resultados mostraram distribuições semelhantes entre as populações dinamicamente frias e quentes, apesar de terem se formado em regiões distintas.

Para Marielle Eduardo, pesquisadora da Universidade de Victoria e responsável pelo estudo sobre a distribuição de tamanhos, essa semelhança sugere que a formação dos planetesimais pode ter seguido processos parecidos em diferentes condições do Sistema Solar primitivo.

Outro resultado chamou a atenção: os telescópios identificaram menos objetos muito pequenos do que o previsto por alguns modelos teóricos.

Essa diferença indica que as explicações atuais sobre a formação e a evolução dos primeiros blocos de construção dos planetas podem precisar de ajustes.

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