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Saturday, October 31, 2026

Binance. Como um portátil causou o maior ataque cripto

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Em cerca de 20 minutos desapareceram 5,6 mil milhões de euros das carteiras da Binance, a maior plataforma de negociação de criptoativos. O montante dá à companhia um título que ninguém quer: o de alvo do maior roubo da história dos criptoativos.

A empresa revelou que foi alvo de um ataque informático na quinta-feira à noite, estimando um impacto total de 5,6 mil milhões de euros. A empresa conseguiu congelar cerca de 2,7 mil milhões de euros. Abriu imediatamente uma investigação, frisou que os fundos dos utilizadores não foram afetados e que vai cobrir todas as perdas. Terão sido afetadas as próprias carteiras da Binance e não as wallets de clientes.

Binance foi alvo de maior ciberataque de sempre. Com quase seis mil milhões de euros em risco congela contas de 2,7 mil milhões de euros

O ataque à Binance gerou logo atrito na rede social X. Elon Musk respondeu a um tweet que brincava com a situação e foi repreendido por Changpeng “CZ” Zhao, fundador e ex-CEO da Binance. “Elon, tenho muito respeito por ti, mas não é uma boa altura para brincadeiras”, respondeu CZ. “Por favor, pára. As nossas ações da SPCX [SpaceX] (resultantes do nosso investimento de 500 milhões de dólares na tua aquisição do Twitter) valem mais de mil milhões”, pedindo “um pouco mais de apoio” a quem já foi parceiro de negócio.

Elon, have a lot of respect for you, but bad time to troll. Please stop.

Our SPCX shares (from our $500m investment in your Twitter takeover) are worth more than a billion.

Would appreciate if you show a little support. Thanks!

— CZ ???? BNB (@cz_binance) October 30, 2026

O que aconteceu neste ataque?

Aquele que está a ser considerado como o maior ataque informático da indústria de criptomoedas ocorreu na quinta-feira à noite. Às 21h29 (hora de Lisboa), a Binance alertou os clientes de que estava “a investigar ativamente uma potencial questão de segurança”. “Os fundos dos utilizadores estão completamente seguros”, declarou na primeira publicação.

Na segunda informação ao público disse “estar a trabalhar sem parar para resolver a questão” e fez a primeira promessa: “a Binance vai cobrir todas as perdas”.

Como “precaução”, avançou com a suspensão temporária de “todos os depósitos e levantamentos” para que as equipas conseguissem fazer “verificações de segurança, congelamento de fundos e trabalhos com as forças de autoridade”. Foram congelados cerca de 3 mil milhões de dólares, o equivalente a 2,7 mil milhões de euros. A empresa explicou que conseguiu congelar este montante “graças aos parceiros da indústria”.

We are working non-stop to resolve this issue. Binance will cover all losses.

As a precaution, all deposits and withdrawals are temporarily suspended while our team conducts security checks, freezes funds, and works with law enforcement.

We are working around the clock and will… pic.twitter.com/zufWJ6V05D

— Binance (@binance) October 30, 2026

Os detalhes sobre a investigação preliminar só chegaram na sexta-feira. A investigação inicial sugeriu “que o incidente de segurança possa ter envolvido um portátil de um engenheiro de desenvolvimento de operações que foi comprometido”. A partir daí, conseguiram acesso à estrutura da empresa. Mas a Binance descobriu ainda “outros pontos de intrusão”.

A análise da TRM Labs, uma empresa norte-americana de investigações de IA e blockchain, traçou a fita do tempo do ataque. As primeiras movimentações começaram às 20h05, na hora de Lisboa. “Milhares de milhões de dólares em criptomoedas começaram a sair das carteiras pertencentes à Binance”, foi referido.

“Em poucos minutos, as carteiras da Binance no XRP Ledger, Ethereum, Bitcoin, Tron, Solana e outras quatro redes tinham enviado os seus saldos para endereços controlados por um único atacante.” A primeira ‘vaga’, como descreveu a análise, durou cerca de 20 minutos. “Uma segunda onda, por volta das 23h05 UTC [22h05 em Lisboa], atingiu as carteiras da Binance na Avalanche e na Polygon.”

“Tal como a nossa experiência demonstra, os colaboradores das plataformas de criptomoedas continuam a ser pontos fracos nos ataques que visam o roubo de criptomoedas, em particular os especialistas técnicos”, comenta Georgy Kucherin, investigador sénior de segurança da equipa de investigação e análise global (GReAT) da Kaspersky. “Mesmo engenheiros e programadores experientes podem ser vítimas de ciberataques e, em alguns casos, descarregar malware sem se aperceberem.”

Noutra atualização, Richard Teng, CEO da Binance, explicou que “a equipa de segurança ainda está embrenhada na investigação”, mas que foi possível perceber que havia bem mais do que o portátil comprometido. “A nossa análise subsequente descobriu mais pontos de intrusão. Foi um ataque complexo e quem atacou usou mecanismos de autodestruição, que destruíram os rastos — o que torna difícil para nós perceber o que aconteceu”, disse o CEO da Binance.

An update on the security incident. pic.twitter.com/qn2804fO5z

— Richard Teng (@_RichardTeng) October 30, 2026

A Binance anunciou que está a colaborar com diversas autoridades, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos EUA. O FBI disse em comunicado estar “a colaborar com os parceiros públicos e privados relevantes para compreender o âmbito da atividade, avaliar os potenciais impactos e coordenar as medidas de investigação adequadas”.

Quem é o grupo TraderTraitor, com suposta ligação à Coreia do Norte?

A norte-americana TRM Labs atribuiu o ataque ao grupo de cibercrime TraderTraitor. “Fazemos esta avaliação com elevada confiança”, declarou a empresa, que está a colaborar com a Binance na investigação. No entanto, algumas empresas de cibersegurança, como a Check Point, frisam que “esta avaliação deve ser distinguida de uma atribuição oficial pelas autoridades”.

A TRM Labs descreveu o TraderTraitor como “a unidade de hacking de elite da Coreia do Norte” e explicou que este ataque tem “várias características” que “correspondem a ataques anteriores ligados à Coreia do Norte”.

Segundo estas informações, o grupo tem como alvo empresas de blockchain. Algumas das práticas conhecidas envolvem enviar “mensagens dirigidas a colaboradores, nomeadamente aos que desempenham funções de administração de sistemas ou desenvolvimento de software, em várias plataformas de comunicação, com o objetivo de obter acesso a estas empresas startup e de alta tecnologia”, diz a Malpedia.

Não é a primeira vez que o grupo é associado a um roubo de criptomoedas. Em 2025, o FBI atribuiu ao TraderTraitor a responsabilidade do ataque à plataforma Bybit, em que foram roubados 1,5 mil milhões de dólares. Até ao momento, a Coreia do Norte não teceu comentários sobre as acusações.

O que está a dizer a Binance aos clientes?

A plataforma de negociação de criptoativos tem feito atualizações regulares sobre o ataque, maioritariamente através do X. Há um ponto transversal nas publicações: a mensagem de que “os fundos dos utilizadores estão completamente seguros”.

Esta sexta-feira, revelou que “já começou a recuperar os ativos afetados e que continua a colaborar com as autoridades policiais, os emitentes, as empresas de análise de blockchain e os parceiros do setor para localizar, congelar e recuperar fundos adicionais”.

A empresa aconselhou os “utilizadores a manterem-se cautelosos em relação a esquemas” e a “não confiarem em ligações não oficiais, mensagens ou pedidos de informação sobre as contas”.

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