Ataques russos deixam ao menos 24 mortos na Ucrânia após fim de trégua mediada pelos EUA
Uma série de ataques russos deixou pelo menos 24 mortos no sul da Ucrânia nesta segunda-feira, 2, segundo autoridades ucranianas.
Os bombardeios atingiram uma escola utilizada para distribuir ajuda humanitária na região de Zaporizhzhia, poucas horas após o fim de uma trégua local negociada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
O cessar-fogo havia sido estabelecido na cidade de Oleshky, na região vizinha de Kherson, para permitir a entrega de suprimentos e a retirada de civis. A suspensão dos combates começou na terça-feira passada e terminou no domingo, 1º, sem registros de violações durante o período.
Após o encerramento da trégua, a Rússia retomou os ataques contra Kherson. Na região de Zaporizhzhia, forças russas realizaram bombardeios sucessivos contra uma localidade onde moradores buscavam assistência humanitária, de acordo com as autoridades.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou nas redes sociais que o primeiro ataque atingiu uma escola onde alimentos e outros suprimentos eram distribuídos. Em seguida, outras nove bombas foram lançadas contra um abrigo utilizado pelas pessoas que tentavam escapar do bombardeio inicial.
Zelensky ainda classificou os ataques como "absolutamente horríveis".
Entre as vítimas estão um policial e dois integrantes do Serviço Estatal de Emergências, segundo o governador regional, Mikhailo Semikin.
Imagens divulgadas pelos serviços de emergência ucranianos mostram o prédio destruído e equipes de resgate trabalhando nos escombros.
Segundo o presidente ucraniano, o episódio compromete as expectativas de avanço nas negociações para encerrar a guerra.
"Houve um momento em que os próximos passos poderiam ter demonstrado que a paz era possível", declarou o presidente, referindo-se à trégua em Oleshky.
"Com esse massacre, a Rússia envia um sinal completamente oposto: aposta em novos assassinatos. Haverá uma resposta", acrescentou.
Rússia é acusada de reforçar posições durante trégua
A suspensão dos combates em Oleshky foi negociada com a participação de Melania Trump e permitiu a retirada de moradores da cidade, ocupada pelas forças russas desde 2022.
O acordo representou a pausa mais longa nos confrontos entre Rússia e Ucrânia desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022. A guerra já deixou centenas de milhares de mortos e provocou o deslocamento de milhões de pessoas.
Apesar da operação humanitária, a Ucrânia acusou Moscou de utilizar o período sem combates para fortalecer suas posições militares.
Segundo uma fonte ucraniana de alto escalão ouvida pela AFP, a Rússia também rejeitou uma proposta para prolongar o cessar-fogo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não negou as acusações sobre o reforço militar durante a trégua.
"É uma prática completamente normal nesse tipo de situação", declarou Peskov a jornalistas nesta segunda-feira.
Durante a operação humanitária, moradores de Oleshky puderam ser transferidos tanto para áreas sob controle ucraniano quanto para a Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014.
Negociações de paz devem ser retomadas em novembro
Os novos ataques ocorrem em meio aos esforços diplomáticos dos Estados Unidos para negociar o fim da guerra.
A expectativa é que representantes da Rússia e da Ucrânia retomem as conversas mediadas por Washington ainda em novembro.
O presidente americano, Donald Trump, tem pressionado os dois países a chegar a um acordo para encerrar o conflito, mas as negociações ainda não produziram resultados concretos.
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