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Thursday, September 17, 2026

Ana Maria Braga sofre lesão na córnea após dormir com ar-condicionado quente; médico explica cuidados

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Ana Maria Braga, de 77 anos, contou na última quarta-feira (16), durante o Mais Você, que sofreu uma fissura na córnea após dormir com o ar-condicionado quente ligado durante a noite. A apresentadora relatou que acordou com o olho ressecado e sentindo muita dor e precisou ser atendida antes de entrar no ar.

"Olha, antes de abrir o programa de verdade, queria dizer para você o seguinte: não durmam no inverno com o ar-condicionado quente ligado sem ter dentro do quarto um bom umidificador. Senão fica que nem eu hoje. Sabe como é que acordei? Pois então… Dá uma fissura na córnea. Porque seca o olho… Você fica com aquele ar quente ligado e estava frio para malandro nenhum botar defeito ontem, né? E aí esqueci de desligar o ar-condicionado e o que aconteceu? Levantei hoje, minha senhora, chorando. É um alerta para todo mundo", explicou.

Segundo o oftalmologista Gustavo Bonfadini, doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma pequena lesão superficial na córnea pode ocorrer em situações de ressecamento intenso. "Na maioria das vezes, uma pequena lesão superficial da córnea, que chamamos de abrasão ou erosão do epitélio corneano, tem boa evolução quando diagnosticada e tratada corretamente", explica.

Por que o ar quente pode ressecar os olhos?

O ar-condicionado e o aquecedor podem diminuir a umidade do ambiente e aumentar a evaporação da lágrima. Durante o sono, esse efeito pode ser ainda maior em pessoas que não fecham completamente as pálpebras, condição conhecida como lagoftalmo noturno. "Nesse caso, uma pequena parte da córnea fica exposta. A combinação desses fatores pode provocar um ressecamento intenso da superfície ocular e facilitar uma erosão da córnea", afirma Bonfadini.

A córnea é uma estrutura extremamente sensível e rica em terminações nervosas. Por isso, mesmo uma lesão pequena pode provocar uma dor muito intensa. "Uma lesão muito pequena pode provocar dor desproporcional ao seu tamanho", explica o especialista.

Além da dor, alguns sintomas merecem atenção, como vermelhidão importante, sensação de corpo estranho, lacrimejamento intenso, dificuldade para manter o olho aberto, sensibilidade excessiva à luz e visão embaçada. Uma redução significativa ou súbita da visão deve ser avaliada com urgência.

O médico ressalta ainda que uma dor ocular forte não deve ser automaticamente atribuída ao ressecamento. "Existem outras doenças da córnea, inclusive infecções, que podem apresentar sintomas semelhantes e precisam ser diferenciadas pelo exame oftalmológico", alerta.

Lesão na córnea costuma deixar sequelas?

A boa notícia é que a córnea tem grande capacidade de regeneração. Nas pequenas abrasões, pode haver melhora importante em 24 a 48 horas, enquanto lesões maiores podem levar alguns dias para cicatrizar. "Na maioria dos casos, quando o problema é superficial, identificado rapidamente e tratado adequadamente, a recuperação é completa e não deixa sequelas visuais", afirma Bonfadini.

Ainda assim, o especialista destaca que uma lesão corneana não deve ser banalizada. O epitélio funciona como uma barreira de proteção e, quando está rompido, pode deixar a superfície ocular mais vulnerável a inflamações e infecções. Em situações mais graves, podem ocorrer úlceras, ceratites e cicatrizes na córnea, com possível comprometimento da visão.

Existe também a possibilidade de erosão recorrente da córnea. Nesses casos, a pessoa pode apresentar novamente dor intensa ao abrir os olhos pela manhã semanas ou meses depois de um episódio inicial. Entre os fatores associados estão olho seco, traumas prévios e algumas alterações da própria córnea.

Como prevenir o ressecamento dos olhos no inverno?-Para quem dorme com ar-condicionado ou aquecedor, uma das principais recomendações é evitar que o fluxo de ar fique diretamente direcionado para o rosto durante toda a noite.

O uso de um umidificador também pode ajudar, especialmente em ambientes muito secos. Já as lágrimas artificiais, ou colírios lubrificantes, podem ser indicados para pessoas que apresentam sintomas de olho seco. "Quando é necessário utilizar o colírio muitas vezes ao dia, geralmente damos preferência às formulações sem conservantes", orienta o oftalmologista.

Em pessoas que apresentam sintomas principalmente durante a noite, o oftalmologista pode avaliar a utilização de géis ou pomadas lubrificantes antes de dormir.

Alguns grupos também podem ser mais suscetíveis ao ressecamento e às lesões da superfície ocular, como idosos, usuários de lentes de contato e pessoas com olho seco, blefarite ou disfunção das glândulas de Meibomius. Quem não fecha completamente as pálpebras durante o sono também pode estar mais sujeito ao problema.

Quando procurar um oftalmologista?

Dor ocular intensa, vermelhidão, lacrimejamento importante, fotofobia, sensação persistente de corpo estranho ou alteração da visão são sinais que justificam uma avaliação oftalmológica.

"Se a pessoa acordar com dor ocular intensa, vermelhidão, fotofobia ou alteração da visão, o mais seguro é não tentar resolver apenas com um colírio por conta própria e procurar avaliação de um médico oftalmologista", orienta Bonfadini.

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