O funeral do sargento que abria sempre a porta à namorada

Um primo de Ron, Gil, transporta toda a assistência para as brincadeiras do tempo de crianças: “Tínhamos sempre aquela competição saudável de quem era o mais forte, o mais rápido, o mais corajoso. E no fundo eu sempre soube que tu eras melhor do que eu em tudo! Tinhas uma força de vontade inacreditável. Foste um herói até ao último segundo.”
Há ainda um grande amigo do primeiro sargento a desvendar os plano que tinham para uma viagem à neve depois de terminar o tempo de serviço militar. “Tu eras aquele amigo com quem podia falar de tudo, desde as maiores parvoíces até aos assuntos mais profundos da vida”. Outro amigo de infância fala de Ron como o “líder natural” da escola e como se fosse o seu “irmão mais velho”. Mais um amigo recorda os tempos de serviço comunitário e a forma como Ron “resolvia conflitos com humor e empatia”.
Até o professor Baruch, da escola secundária de Ron, se aproxima do microfone, para elogiar o “aluno excecional” e a determinação com que o via treinar, nadar e correr para conseguir entrar no Exército. Também se comove a dizer o óbvio: “Num mundo justo, os professores não deveriam ter de fazer discursos nos fúnebres dos seus alunos”.
A última a homenagear Ron é a irmã Michelle-Maria, também de lágrimas nos olhos: “Antes de cantar, quero só dizer que o Ron adorava ouvir-me cantar. Ele pedia-me sempre para cantar esta música para ele… Por isso, esta é para ti, Ronchik.” E começa a cantar ao vivo a canção ‘If I Ain’t Got You” [Se não te tenho], de Alicia Keys.
Duas horas depois do início, a cerimónia termina com a salva de três tiros das tropas das Forças de Defesa de Israel. E com a colocação de coroas de flores sobre a sepultura.
Neste mesmo domingo à tarde foi enterrado o outro militar que morreu no ataque de Hebron, Yuval Shai Svilem, 20 anos, um apaixonado por mergulho.
Na sequência da morte destes dois militares, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou o bloqueio da Cisjordânia. Dois mil palestinianos tiveram duas horas para deixar as suas casas em Hebron, até as autoridades israelitas concluírem investigações sobre quem teria ligações aos dois autores do ataque.
Foram demolidos vários edifícios localizados perto do check-point onde decorreu o ataque, por serem de construção ilegal, segundo o exército israelita. Pelo menos 40 suspeitos foram detidos na região este fim de semana.
[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
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