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Monday, October 26, 2026

Vitória de Lula derruba ativos brasileiros e deve reverter ganhos pré-eleitorais

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A euforia que levou o dólar a cair abaixo de R$ 5 e a Bolsa a superar a marca histórica de 200 mil pontos deve dar lugar a uma reversão desses movimentos com a vitória do presidente Lula (PT) neste domingo (25).

No mercado futuro, índices ligados a ativos brasileiros apresentaram forte desvalorização na noite do domingo, depois que investidores apostaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceria o pleito.

Desde o início da apuração, o contrato futuro do real mais ativo, com vencimento em novembro, tinha forte queda. Por volta das 21h38, ele recuava 11,29%. Já o EWZ, um ETF (fundo de índice) que representa as ações brasileiras nos Estados Unidos despencava 18,31%.

As ações da Petrobras listadas nos EUA recuavam 12,92%. O Itaú Unibanco se desvalorizava 12,72% e o Bradesco, 12,29%. Já a Vale recuava menos, 3,95% e Ambev, 0,61%.

Segundo analistas, a reação deve se estender no pregão da próxima segunda-feira (26), com forte pressão de alta sobre o dólar e os juros futuros e de queda no Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro.

"O primeiro impacto deve ser uma volta das taxas de juros aos patamares anteriores ao resultado do primeiro turno. Também é possível esperar uma alta do dólar e a devolução de parte dos ganhos da Bolsa. Não por acreditar que o Brasil vai enfrentar um processo recessivo —é muito cedo para falar disso—, mas pela perspectiva de continuidade dos déficits e dos gastos elevados, além da dificuldade de governabilidade", diz Luiz Ferreira, diretor do banco suíço EFG para as Américas.

Para os investidores, a continuidade do atual presidente aumenta o temor de falta de ajustes na trajetória das contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e piorar as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.

Folha Mercado

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Assim, a euforia vista com uma potencial vitória de Flávio pode se reverter. A Bolsa brasileira acumula alta de 15,3% desde a confirmação das candidaturas à Presidência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em agosto, enquanto o dólar recuou cerca de 2% no período, em meio a apostas dos investidores numa mudança no poder com a eleição do senador.

"A reação tende a ser razoavelmente forte, dado que a valorização desses ativos após o primeiro turno foi bastante expressiva", diz Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.

Levantamento da equipe do Citibank, que ouviu 73 gestores de fundos de ações e multimercado, mostrou que para 80% dos entrevistados, a vitória de Lula deve provocar uma queda superior a 5% no Ibovespa. Outros 7% esperam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% projetam valorização de 1% a 5%.

No câmbio, para 63% dos gestores, a moeda brasileira deve cair mais de 5%; outros 28% estimam recuo entre 2% e 5%. Já 6% esperam valorização superior a 5% do real.

No mercado de juros futuros, 67% dos gestores estimam uma alta superior a 100 pontos-base na taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029, atualmente em 12,645%.

FARIA LIMA

Nos grupos de trocas de mensagens da Faria Lima, o humor de gestores e analistas oscilou conforme a apuração caminhava. Quando Flávio ultrapassou Lula no começo da apuração, a comemoração foi generalizada, com memes festivos e postagens de "agora foi".

Quando Lula voltou a ultrapassar Flávio, o clima passou a ser de incredulidade. Inúmeros comentários lembravam a unanimidade das pesquisas em favor do candidato do PL. Muitos qualificavam como inverossímil que a virada pudesse se sustentar.

Expressões como "a vaca vai para o brejo" e análises preconizando um "ajuste brutal" nesta segunda-feira viraram a tônica das conversas.

O pessimismo deve prevalecer no curto prazo, mas há um espaço para avaliação sobre como vão avançar pautas econômicas em um prazo maior, diz a Suno Reseach, que considerava leve favoritismo de Flávio Bolsonaro. "Após a eleição de 2022, houve um certo pessimismo com o retorno de Lula. Mas 2023 foi positivo para a Bolsa após a aprovação do novo arcabouço fiscal, um dos primeiros projetos de regras fiscais apresentados pelo PT", diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. "Precisamos acompanhar como o governo vai se organizar para 2027. Esse é o ponto para o qual mais chamamos atenção."

Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, os ativos devem refletir também as dificuldades que o governo Lula deve enfrentar. "Os investidores devem começar a precificar um cenário de impasse político. No Brasil, isso pode ocorrer porque o Congresso está de um lado, e o Executivo, do outro. Essa falta de diálogo político também seria prejudicial para os ativos domésticos."

Para os analistas, contudo, a trajetória do dólar e da Bolsa no médio prazo dependerá das sinalizações sobre a política fiscal. "Pode haver um movimento muito forte no pós-eleição, mas sua consolidação vai depender das medidas do candidato eleito. A depender de como o vencedor conduzir a política fiscal, podemos ter uma reversão das expectativas iniciais", diz João Daronco, analista da Suno Research.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, as campanhas deram mais espaço às questões políticas do que às econômicas, e os ativos devem reagir às medidas anunciadas pelo próximo governo. "2026 ainda tem fôlego para boa-fé, mas, em 2027, é o concreto ou nada. Se o mercado vislumbrar que essas questões vão continuar não sendo resolvidas, a gente tende a voltar para níveis de volatilidade, porque a questão da dívida vai ficando cada vez mais urgente, sem uma resolução", afirma.

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