De olho em soja e milho, indiana de defensivos mira R$ 100 milhões no Brasil até 2030
O avanço das recuperações judiciais no agro, o fechamento de empresas de insumos, as restrições de crédito e a pressão sobre as margens dos produtores têm colocado o mercado de defensivos agrícolas brasileiro à prova. Mas Jonas Cuzzi, novo comandante da indiana PI AgSciences no país, não vê o cenário como motivo para recuar.
A multinacional quer ampliar sua participação no Brasil e superar R$ 100 milhões em faturamento até 2030, ante uma previsão de vendas acima de R$ 35 milhões em 2026. Para este ano, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 50% em relação a 2025.
Cuzzi assume como country head, cargo equivalente ao de presidente da operação brasileira, com a missão de conduzir essa expansão em um momento de maior cautela no agronegócio.
"O que o agricultor controla é custo e produtividade", afirmou à EXAME. Para ele, a pressão financeira sobre o campo aumenta a necessidade de tecnologias que permitam produzir mais na mesma área.
A PI AgSciences é o braço agrícola da PI Industries, grupo indiano com receita próxima de US$ 1 bilhão e presença em mais de 40 países. No Brasil, a companhia começou a ganhar espaço após a aquisição da Plant Healthcare, no fim de 2024.
A empresa adquirida já atuava no país desde 2019, principalmente em cana-de-açúcar. A entrada no mercado de soja, em 2025, abriu uma nova frente de crescimento. Em 2026, a companhia concluiu a transição para a marca PI AgSciences.
É essa operação que Cuzzi terá de consolidar. Com experiência nas áreas comercial, de marketing e de estratégia global, o executivo ficará responsável por todas as áreas da companhia no Brasil.
"A companhia vê que essas experiências são fundamentais para estabelecer uma operação não só ágil no atendimento ao agricultor, mas também com uma visão estratégica para os próximos anos", afirmou.
Em 2026, a companhia prevê alcançar aproximadamente 800 mil hectares em aplicações de seus produtos no Brasil.
Apesar da meta de faturamento, Cuzzi não pretende abrir novas frentes geográficas imediatamente. Nos próximos dois anos, o plano é consolidar a atuação no Mato Grosso, principal mercado da companhia, e fortalecer a presença em outras áreas do Cerrado, além de São Paulo e Paraná.
A expansão para estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina deverá ser avaliada posteriormente. "O que é muito importante para a gente é se solidificar nas regiões de atuação", afirmou.
Novo defensivo no radar
Para chegar aos R$ 100 milhões, o executivo aposta no lançamento de um defensivo agrícola projetado para controlar vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas (nematóides), previsto para o fim de 2027 ou início de 2028, dependendo da aprovação regulatória
O plano, porém, avança em um mercado pressionado pelas dificuldades financeiras de produtores e distribuidores agrícolas. Segundo Cuzzi, a companhia não foi diretamente afetada por recuperações judiciais no agro e mantém uma política cautelosa de crédito.
A empresa vende principalmente por meio de distribuidores, mas mantém contato técnico direto com os agricultores. Para o executivo, essa relação será importante para conquistar clientes em um momento de maior restrição financeira no campo.
"O nosso grande segredo é ter o contato, o relacionamento e dar assistência técnica direto ao produtor", disse.
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