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Thursday, September 17, 2026

Sabesp encerra incorporação da Emae após rejeição de oferta aos minoritários

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São Paulo Sabesp e Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) encerraram nesta quarta-feira (16) a incorporação completa das ações da companhia de águas paulista. O processo de incorporação aguardava resolução desde julho, quando acionistas minoritários questionaram a operação na Justiça.

Segundo comunicado ao mercado na noite desta quarta, a incorporação das ações foi aprovada em assembleia-geral extraordinária e ficou definido que para cada uma ação ordinária ou preferencial da Emae, os acionistas receberão 1,395 ação ordinária de emissão da Sabesp.

Vista aérea da Usina São Paulo da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia)
Vista aérea da Usina São Paulo da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) - Eduardo Knapp - 12.mar.2020/Folhapress

Acionistas que quiserem exercer o direito de retirada dos papéis receberão um valor de reembolso fixado em R$ 18,18 por ação —cálculo feito com base no patrimônio líquido por ação da Emae registrado no balanço de 30 de junho.

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O valor de saída será muito menor do que o proposto pela Sabesp em uma eventual OPA (oferta pública de aquisição de ações), que não foi aceita pelos acionistas minoritários em junho. À época, a maior empresa de saneamento básico do país ofereceu o equivalente a R$ 61,83 por ação.

Uma acionista questionava na Justiça a incorporação da Emae pela Sabesp e conseguiu adiar as assembleias que selariam o destino das ações da companhia. A Sabesp, por sua vez, já havia aprovado a operação em 30 de julho.

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Até esta quarta, a companhia detinha 79,2% do total de ações da Emae, restando 14,2% das ações em circulação no mercado e 6,04% das ações detidas por uma acionista minoritária.

Agora, o período para solicitar a retirada de ações se encerra em 19 de outubro.

Conforme o comunicado, nos casos de acionistas que tiverem um número fracionário de ações ao final da incorporação, como 19,125 ações, por exemplo, as frações serão agrupadas em números inteiros e alienadas em leilão no mercado à vista da B3.

O valor financeiro arrecadado nesse leilão será distribuído na conta dos acionistas da Emae.

Caso entenda que o volume de reembolsos compromete a estabilidade financeira, a administração da Emae pode convocar nova assembleia em até dez dias após o fim do prazo de retirada. Nela, poderá reconsiderar ou cancelar a operação.

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A incorporação de ações foi decidida após a rejeição da OPA, movimentação já desenhada desde o início do ano. Em casos como esse, o acionista majoritário não depende de uma adesão voluntária por meio de uma OPA e, uma vez aprovada por maioria em assembleia, o processo de compra das ações é resolvido diretamente.

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DERROTA DE NELSON TANURE

Quando a Emae foi leiloada pelo governo Tarcísio de Freitas, em 2024, o fundo Phoenix Água e Energia, dos empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi, dono da Ambipar, adquiriu cada ação por R$ 70,65. Ao todo, a transação que tornou o fundo acionista majoritário da empresa movimentou mais de R$ 1,04 bilhão.

O negócio, no entanto, foi suspenso no início do ano passado, quando Tanure teve dificuldades para prosseguir com o pagamento do empréstimo obtido para arrematar a Emae.

Uma nova operação de venda foi realizada com a Sabesp recomprando os papeis do fundo e adquirindo uma parte adicional detida pela Axia Energia (Eletrobras) por um total de R$ 1,13 bilhão.

Essa depreciação justificada pela Sabesp também se explica nos balanços. Em 2024, a Emae apresentou lucro de R$ 29 milhões, caindo para um prejuízo de R$ 133,4 milhões em 2025.

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A companhia ainda perdeu dinheiro com aplicações em CDBs do Letsbank (banco que pertencia ao ecossistema do Banco Master e que está em liquidação) em valores superiores a R$ 140 milhões, além de uma reavaliação de ativos e passivos em contratos de concessão de usinas.

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