Sabesp encerra incorporação da Emae após rejeição de oferta aos minoritários
São Paulo Sabesp e Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) encerraram nesta quarta-feira (16) a incorporação completa das ações da companhia de águas paulista. O processo de incorporação aguardava resolução desde julho, quando acionistas minoritários questionaram a operação na Justiça.
Segundo comunicado ao mercado na noite desta quarta, a incorporação das ações foi aprovada em assembleia-geral extraordinária e ficou definido que para cada uma ação ordinária ou preferencial da Emae, os acionistas receberão 1,395 ação ordinária de emissão da Sabesp.
Acionistas que quiserem exercer o direito de retirada dos papéis receberão um valor de reembolso fixado em R$ 18,18 por ação —cálculo feito com base no patrimônio líquido por ação da Emae registrado no balanço de 30 de junho.
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O valor de saída será muito menor do que o proposto pela Sabesp em uma eventual OPA (oferta pública de aquisição de ações), que não foi aceita pelos acionistas minoritários em junho. À época, a maior empresa de saneamento básico do país ofereceu o equivalente a R$ 61,83 por ação.
Uma acionista questionava na Justiça a incorporação da Emae pela Sabesp e conseguiu adiar as assembleias que selariam o destino das ações da companhia. A Sabesp, por sua vez, já havia aprovado a operação em 30 de julho.
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Até esta quarta, a companhia detinha 79,2% do total de ações da Emae, restando 14,2% das ações em circulação no mercado e 6,04% das ações detidas por uma acionista minoritária.
Agora, o período para solicitar a retirada de ações se encerra em 19 de outubro.
Conforme o comunicado, nos casos de acionistas que tiverem um número fracionário de ações ao final da incorporação, como 19,125 ações, por exemplo, as frações serão agrupadas em números inteiros e alienadas em leilão no mercado à vista da B3.
O valor financeiro arrecadado nesse leilão será distribuído na conta dos acionistas da Emae.
Caso entenda que o volume de reembolsos compromete a estabilidade financeira, a administração da Emae pode convocar nova assembleia em até dez dias após o fim do prazo de retirada. Nela, poderá reconsiderar ou cancelar a operação.
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A incorporação de ações foi decidida após a rejeição da OPA, movimentação já desenhada desde o início do ano. Em casos como esse, o acionista majoritário não depende de uma adesão voluntária por meio de uma OPA e, uma vez aprovada por maioria em assembleia, o processo de compra das ações é resolvido diretamente.
C-Level
Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesDERROTA DE NELSON TANURE
Quando a Emae foi leiloada pelo governo Tarcísio de Freitas, em 2024, o fundo Phoenix Água e Energia, dos empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi, dono da Ambipar, adquiriu cada ação por R$ 70,65. Ao todo, a transação que tornou o fundo acionista majoritário da empresa movimentou mais de R$ 1,04 bilhão.
O negócio, no entanto, foi suspenso no início do ano passado, quando Tanure teve dificuldades para prosseguir com o pagamento do empréstimo obtido para arrematar a Emae.
Uma nova operação de venda foi realizada com a Sabesp recomprando os papeis do fundo e adquirindo uma parte adicional detida pela Axia Energia (Eletrobras) por um total de R$ 1,13 bilhão.
Essa depreciação justificada pela Sabesp também se explica nos balanços. Em 2024, a Emae apresentou lucro de R$ 29 milhões, caindo para um prejuízo de R$ 133,4 milhões em 2025.
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A companhia ainda perdeu dinheiro com aplicações em CDBs do Letsbank (banco que pertencia ao ecossistema do Banco Master e que está em liquidação) em valores superiores a R$ 140 milhões, além de uma reavaliação de ativos e passivos em contratos de concessão de usinas.
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