'Fui transformada em prostituta e vilã': o tribunal da Igreja Presbiteriana

Eu ainda acreditava que seria ouvida, acolhida e tratada com dignidade. A audiência foi um dos piores dias da minha vida. Diante de vários pastores, o advogado do acusado fez perguntas cruéis que, na minha percepção, buscavam me desestabilizar e desacreditar. Conversas íntimas mantidas em um contexto que eu acreditava ser terapêutico foram expostas. Em vez de o comportamento denunciado ser colocado no centro do julgamento, fui eu quem passou a ser julgada.
Mírian Rios, denunciante e ex-fiel da Igreja Presbiteriana Gileade
Diante do desfecho na igreja, uma das supostas vítimas desabafou publicamente no púlpito durante o encerramento de um culto: "O que nos aconteceu foi crime, foi doloroso, foi vergonhoso. E eu não quero que nenhuma mulher passe por isso nesta igreja."
Emocionada, a fiel criticou o desamparo institucional: "Vocês colocam a culpa em nós, as vítimas, nos fazem reviver a dor várias e várias vezes."
A advogada Carla Begnini, que representa Mírian e outras vítimas no processo criminal, confirma o impacto do desamparo institucional. "A tristeza maior é que a igreja sabia", destaca a advogada. Segundo ela, a liderança "desestimulava as vítimas, descredibilizava as vítimas e sempre deram aquela palavra terrível: 'Foi só uma brincadeira'. 'Ela interpretou mal'".
Segundo Carla, o investigado "se vale muito da credibilidade que um líder religioso tem, principalmente porque eram mulheres que, mesmo que não fossem da igreja, acabavam indo na confiança de que um pastor, psicólogo, ele tem mais condições, preparo para lidar com situações".
Begnini explicou que, embora casos antigos, iniciados em 1997, tenham sido arquivados pelo Ministério Público devido à prescrição, as vítimas prestaram depoimentos que ajudam a demonstrar a mesma forma de agir ao longo dos anos.
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