Investigadores da ONU apontam possíveis crimes de guerra dos EUA no Irã
Investigadores independentes das Nações Unidas afirmaram nesta quinta-feira, 17, que “há motivos razoáveis” para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra contra civis no Irã durante os ataques iniciados em 28 de fevereiro. O relatório também aponta graves violações de direitos humanos cometidas pelo próprio governo iraniano contra manifestantes e pede o fim imediato das hostilidades.
O documento será apresentado na próxima segunda-feira, 21, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Os investigadores pedem aos 47 países que integram o órgão que pressionem por uma solução para a guerra, por investigações independentes sobre possíveis violações do direito internacional e pela proteção de civis que deixaram o Irã.
Os investigadores solicitaram que Irã, Estados Unidos e Israel “interrompam imediatamente as hostilidades”. Também pediram ações diplomáticas para alcançar uma paz permanente e a apuração independente das possíveis violações do direito internacional.
Irã, Israel e Estados Unidos não fazem parte dos 47 países que integram atualmente o Conselho de Direitos Humanos da ONU.
ONU cita ataques contra escola e área residencial
Segundo os investigadores, os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro incluíram ações que teriam causado mortes e ferimentos de civis e danos a bens de caráter civil.
“Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel de 28 de fevereiro, a missão constatou que havia motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram crime de guerra ao lançar ataques indiscriminados que causaram perda de vidas ou ferimentos a civis, ou danos a bens de caráter civil”, afirmaram.
Entre os casos destacados está um ataque com mísseis Tomahawk contra a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab. De acordo com o relatório, mais de 150 pessoas morreram, entre elas quase 120 crianças.
Os investigadores também citaram um ataque aéreo em Lamerd, onde mísseis de precisão teriam “dispersado nuvens de estilhaços” sobre um complexo esportivo e uma área residencial. O episódio deixou 22 civis mortos, segundo o documento.
Quantas pessoas morreram na guerra do Irã?
Os números disponíveis variam conforme a fonte e, em alguns casos, são contestados. Dados oficiais compilados pelo MilitarySpend, com última verificação em 17 de setembro de 2026, apontam entre 1.701 e 3.636 civis iranianos mortos, segundo estimativas atribuídas à Human Rights Activists News Agency (HRANA), ao Ministério da Saúde do Irã e à Organização de Medicina Legal do país.
Entre os militares iranianos, o levantamento aponta uma faixa de 1.800 a 7.650 mortos, com dados atribuídos a HRANA, Forças de Defesa de Israel, IRNA e Hengaw.
O número de militares iranianos feridos é estimado entre 4.200 e 15 mil, com informações do Crescente Vermelho iraniano, das forças israelenses e da HRANA.
No lado americano, o levantamento registra 18 a 20 militares dos EUA mortos em combate, com dados do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), Military Times e Congressional Research Service. O número de feridos é estimado entre 820 e 900, a partir de informações do CENTCOM, Military Times e The Intercept.
ONU também denuncia repressão no Irã
O relatório não se limita às ações dos Estados Unidos e também acusa o governo iraniano de ter ampliado a repressão contra protestos iniciados no fim de 2025 por causa do aumento do custo de vida.
Segundo os investigadores, houve uma “escalada para suprimir a dissidência”, com uso de “leis repressivas”, “força letal” e da “pena de morte como ferramenta de intimidação e controle”.
As forças de segurança iranianas teriam matado manifestantes nas 31 províncias do país, incluindo ao menos 221 menores de idade, além de atacar centros de saúde e deter dezenas de milhares de pessoas.
Entre março e agosto de 2026, pelo menos 29 homens foram executados após julgamentos sumários relacionados aos protestos. Mais de 70 pessoas, entre elas cinco mulheres e três crianças, continuavam, segundo a ONU, “sob risco iminente de execução”.
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