Guimarães. Diretor deixa festival por "aproximação" a Israel

O compositor César Viana deixou a direção artística do Festival de Música Religiosa de Guimarães, motivada pelo “profundo desacordo com a recente aproximação institucional e comercial” entre este município e Israel, no atual contexto da situação em Gaza.
Em comunicado, o próprio diz que já comunicou a decisão à Câmara de Guimarães, que surge na sequência de uma reunião, esta semana, em Guimarães, entre o presidente da autarquia, Ricardo Araújo, e o embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat.
Segundo o município, o encontro permitiu explorar novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento.
PS questiona reunião do presidente da Câmara de Guimarães com embaixador de Israel
“É uma decisão que tomo com profunda tristeza, mas que considero inevitável perante a recente aproximação institucional e comercial da Câmara Municipal de Guimarães a Israel, no contexto da situação que se vive em Gaza. É uma questão que me toca profundamente e perante a qual, por razões de consciência, não me é possível permanecer indiferente”, justifica César Viana.
A decisão de abandonar o cargo, acrescenta, deve-se “exclusivamente à impossibilidade, por razões de consciência, de continuar a assegurar a direção artística do Festival nas atuais circunstâncias”.
“Não traduzindo qualquer divergência com a equipa ou com o projeto artístico desenvolvido ao longo destes anos”, lê-se na nota.
O compositor sublinha que a decisão em nada diminui a estima que tem pelo Festival de Música Religiosa de Guimarães e pelas pessoas que nele trabalham.
“Tenho muito orgulho no nível e na dimensão internacional que o Festival alcançou, resultado, em grande medida, da competência, dedicação e qualidade das equipas com quem tive o privilégio de trabalhar”, refere o compositor.
César Viana manifesta ainda o desejo de que o festival continue: “Espero sinceramente que o Festival continue e possa manter, ou mesmo superar, a qualidade que alcançou até agora”.
A receção do presidente da câmara de Guimarães, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP), ao embaixador de Israel em Portugal provocou também contestação política no concelho, com PS, BE, Livre e CDU a questionarem a estratégia seguida pelo município.
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