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Tuesday, October 20, 2026

9h. Acampada. PSP deteve mais de 50 pessoas no Rossio

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Porção 92. As notícias com o jornalista Luís Soares. Mais de 50 manifestantes do Movimento Acampada foram detidos esta manhã na Praça do Rossio, em Lisboa. É o que avança a fonte oficial da polícia à Rádio Observador.

Uma informação confirmada há instantes. Ainda não há números oficiais, mas esta fonte oficial da PSP dá conta de mais de 50 detidos. A polícia promete novas informações em breve para um comunicado a emitir. Entretanto, a PSP avançou pouco depois das seis da manhã para desmontar o acampamento na Praça do Rossio, em Lisboa, e também na Praça Dom João I, no Porto. Antes disso, avisou os manifestantes por três vezes para abandonarem o local. No Porto, os manifestantes acataram a ordem, saíram do local, mas em Lisboa resistiram e por isso houve confrontos. A porta-voz do Movimento Acampada em Lisboa falou aos jornalistas na última hora para fazer um ponto de situação. Declarações acompanhadas pelo Miguel Pina Andrade. Miguel, com a ideia deixada por essa porta-voz de violência por parte da polícia.

Sim, Luís, naquela que foi a operação que começou por volta das seis da manhã e que tu também falavas, depois de três avisos, a polícia avançou sobre os manifestantes, que depois formaram um cordão humano e se recusaram a sair. Apesar de algumas cenas de violência, com alguns empurrões e murros, esta operação não se compara em nada àquilo que foram as cenas da carga policial no Porto semana passada. Ainda assim, e em declarações aos jornalistas, a acampante Priscila Valadão, que nos últimos dias foi responsável por moderar as assembleias populares no Rossio, fala em cerca de 50 pessoas detidas e que agora os manifestantes vão desmobilizar.

Nós temos cerca de 50 pessoas que estavam acampando aqui, pacificamente, que foram detidas pela polícia, foram levadas para duas esquadras diferentes, porque a polícia também não tinha capacidade de levar todo mundo para uma esquadra só. Então, o que foi decidido é que a gente vai dispersar agora. Quem não foi preso pela polícia, mas foi roubado, igualmente, nos seus pertences, em todos os donativos que receberam, que recebemos todos, a gente vai se dividir em grupos para saber onde estão as coisas e qual o estado dos nossos companheiros.

Priscila Valadão, que depois de uma reunião com os manifestantes que aqui ainda se encontram, denunciou cenas de violência policial, diz mesmo que os agentes removeram as tendas com pessoas ainda no interior.

Eu ouvi várias pessoas aqui que estavam ali sendo detidas pela polícia reclamando que precisavam de cuidados médicos e foi negado cuidado médico, porque a carga policial foi muito agressiva. O que os companheiros contam é que as tendas foram praticamente arrastadas com pessoas dormindo e as pessoas tiveram que se segurar para não cair. E depois o cordão humano foi tão bonito e tão forte que a polícia demorou bastante tempo para conseguir dispersar o cordão humano.

Priscila Valadão, a responsável por este ponto de situação aos jornalistas. Aqui aconteceu depois dos manifestantes desmobilizarem do local onde estiveram durante mais de uma hora e meia em frente ao cordão da Unidade Especial de Polícia, que impedia a passagem para a Praça do Rossio. Entretanto, Luís, as ruas da Betesga e a Rua do Amparo já foram abertas. Começa-se aqui outra vez a viver normalmente a vida normal dos lisboetas. No entanto, a polícia continua ainda a vigiar alguns manifestantes que continuam ainda na Praça da Figueira. O número de pessoas reduziu consideravelmente ao longo da manhã. Neste momento, não se encontram mais de duas dezenas de manifestantes reunidos na Praça da Figueira. O ambiente é de grande expectativa, também de algum cansaço daqueles que estiveram no Rossio nos últimos dias. Com certeza também que mais logo, às 19h, os manifestantes vão voltar ao local onde estiveram nas últimas duas noites. Segue-se depois uma votação para saber se ficam ou não a pernoitar no Rossio.

A reportagem direta do Miguel Pina Andrade, que acompanhou as primeiras horas logo desta intervenção da PSP para desmontar o acampamento na Praça do Rossio. Noutro ponto de reportagem, continua também o Carlos Pedro, na Praça do Rossio, precisamente. Carlos, como demos conta há uma hora, os manifestantes detidos foram levados pela PSP e por isso a praça está agora vazia.

Sim, Luís, saem manifestantes, pelo menos, e por isso a normalidade começa também a voltar aqui aos poucos à Praça do Rossio, depois de retirados esses tais 50 manifestantes. A polícia começou a levá-los para diversas esquadras por volta das 7h20. Ao início, foram levados três manifestantes por desacatos com a polícia, numa altura em que os agentes tentavam revistar esses mesmos manifestantes, que ofereceram depois resistência às autoridades e obrigaram mesmo a polícia, por momentos, a fazer uso da força. Ainda assim, não ficou registado nenhum ferido nesse momento. As autoridades confirmaram-nos isso, sendo que também não vimos qualquer assistência médica a manifestantes, apesar da presença de várias viaturas dos bombeiros aqui ao lado do Teatro Dona Maria II. O momento gerou, de facto, alguns períodos de tensão com estes manifestantes a proferirem cânticos e gritos contra a atuação policial. Houve mesmo quem tivesse dito que se tratava de um assalto à mão armada por parte dos polícias. Mas, como dizia, as tensões começaram por volta das 7h20, terminaram já depois das 8h. Os números avançados pela PSP apontam para 50 manifestantes detidos. Foram todos transportados em viaturas da PSP para diferentes esquadras da capital. A verdade é que uma hora depois, sensivelmente, de completado esse processo de detenção e de retirada dos manifestantes, o cenário aqui na Praça Dom Pedro IV é completamente diferente. Quem por aqui passa por esta altura e ainda não viu as notícias, ficará surpreendido por não haver tendas, mas elas foram todas retiradas de uma assentada, e entretanto, toda a praça, ou quase toda a praça também já foi limpa. Ultimam-se nesta altura os detalhes de limpeza ainda no monumento de Dom Pedro IV, que ainda tem alguns cartazes e mensagens escritas precisamente no monumento. Para além das tendas, dizer também que foram retirados os cartazes e foram levados alguns dos mantimentos e bens pessoais destes manifestantes que ou não tiveram tempo ou optaram por não trazer esses bens, outros, poucos, ainda foram a tempo de ir buscar algumas coisas, mas na generalidade, a equipa de limpeza e higiene urbana da Câmara de Lisboa levou, de facto, inúmeros mantimentos, desde garrafões com água, paletes, mesas, toldos, cadeirões, etc. Agora, quase tudo normal aqui no Rossio. Nota, só dar conta disto para os utilizadores do metro, porque a estação do Rossio esteve de facto fechada durante algum tempo por questões de segurança, mas agora já está tudo a funcionar. Luís, fica essa nota pra quem tiver que passar aqui pela zona do Rossio. As pessoas já entram na estação para utilizar o metro.

A reportagem direto do Carlos Pedro, como eu dizia, que está na Praça da Figueira, em Lisboa, a dar conta do ponto da situação, já com o metro restabelecido.

No Porto, a PSP confirma que não houve detenções. Como já dissemos, os manifestantes atenderam aos avisos da PSP e abandonaram voluntariamente o acampamento da Praça Dom João I.

O repórter Miguel Pinheiro Correia tem descrito um cenário mais calmo, em comparação com Lisboa, sendo que, Miguel, a polícia vedou o acesso à praça, mas não há registro de detenções.

Não há esse registro de detenções, Luís, não aconteceram. Falamos há pouco com a PSP, que nos deu conta disso mesmo. Há relato, através dos manifestantes, de pelo menos um ferido, algo que a polícia, em conversa com o Observador, não confirmou. E há também essa intenção de alguns manifestantes que têm falado com o Observador, de regressar à praça, de voltar à praça. Neste momento está fechada, a polícia colocou grades ao redor da Praça Dom João I, que voltou também ao seu estado mais natural, mais comum. Está vazia, sem movimento, o que não tem acontecido nos últimos dias. Há pouco, passava aqui na praça Maria, uma manifestante que está aqui comigo. Maria estava a passear na praça com um cartaz a reivindicar precisamente que a praça é nossa, é o que diz no cartaz.

Bons dias, vou a caminho do trabalho e fiz este cartaz quando vi as notícias esta manhã de que a acampada tinha sido desmobilizada pela PSP mais uma vez, mas não terminou. Seguimos, continuamos. Pelos vistos, não deixaram passar, está agora com baias de segurança, mas a praça é nossa. E esta praça, infelizmente, o seu estado normal é vazia, mas nestes últimos dias não tem sido vazia e tem sido muito bom estar aqui. Tenho acompanhado mais assembleias gerais, mas estou aqui, passei por aqui, para exigir a revogação da lei do arrendamento, para exigir o fim dos despejos de pessoas sem habitação alternativa, para exigir que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários, exigir o aumento de habitação pública, exigir iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais, exigir a aplicação de um teto de renda. E já agora, aproveito para condenar a ação da PSP em Lisboa, que estou preocupada com os meus colegas, com os meus amigos, com os camaradas que lá estavam. E é isso.

O relato que nos tem sido feito é que desta vez foi uma intervenção diferente da madrugada de quinta-feira. Acredita que tem que ser feito este diálogo de forma pacífica?

Aqui no Porto, hoje, do que eu sei, a retirada foi, pelo que eu entendo, pacífica, mas eu acredito que exige uma obstrução ao direito ao protesto. Não sou versada em lei, não sou sindicada pra o fazer e a acampada tem feito uma ação de comunicação muito coesa nesse sentido e não pretendo falar agora como cidadã individual, porque não sou jurista, mas eu creio que este é um protesto pacífico e que deve permanecer e deve continuar.

Obrigado, Maria. Uma manifestante que não tem acampado aqui na Praça Dom João I, mas por aqui tem passado e tem participado nessas assembleias. Agora, resta saber qual será o futuro deste movimento, desta acampada, sendo que esta manifestante falava que não era jurista, não era versada em leis e, por isso mesmo, há pouco falamos também com o Tiago Machado, o advogado deste movimento, que nos deu conta dessa intenção de regressar aqui à Praça Dom João I.

O pedido que está feito é até dia 20. Dia 20 não terminou, vamos ver se irão manter as grades. Se as grades se mantiverem, nós cá estaremos para tentar encontrar uma solução que permita o exercício do direito constitucional à manifestação.

E poderá passar por forçar essa entrada mesmo com as grades?

Haverá, julgo, outras formas e, sobretudo, acho que haverá o bom senso de todos que estão envolvidos em toda esta situação.

Querem encontrar essa solução, querem arranjar uma forma de regressar à praça, que têm reivindicado, além da questão da habitação, dizem que a crise na habitação tem afastado muitas pessoas dos centros urbanos e que por isso esta praça tem sido reflexo dessa falta de movimento, que, ao contrário dos últimos dias, tem sido reinante e volta a acontecer agora. Vemos poucas pessoas, há parque de estacionamento debaixo desta praça e, por isso, vemos algumas pessoas a sair desse parque de estacionamento. Ficam surpreendidas, muitas, ao ver o gradeamento e se calar, ao não encontrar as tendas que têm visto nos últimos dias. Também muitos turistas que por aqui vão passando e vão estranhando este gradeamento. Mas a verdade é que os manifestantes que têm falado com o Observador, também agora esta manifestante que estava a passear pela praça com um cartaz a dizer "A praça é nossa" e mesmo Tiago Machado, o advogado que representa este movimento, manifestam essa intenção de regressar depois de terem sido retirados daqui pela polícia numa intervenção diferente, é esse o relato que é feito daquela que assistimos na madrugada de quinta-feira. Dizem que desta vez foi feito esse aviso por megafone mais do que uma vez. Isto é a versão dos manifestantes que aqui pernoitaram. É certo que acabaram por acatar as ordens, retiraram o material e neste momento já não estão na praça que está novamente vazia.

O Miguel Pinheiro Correia está na Praça Dom João I, no Porto, onde compreendemos tudo aconteceu de forma bem mais calma em comparação com Lisboa. Vamos nesta altura ouvir Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, que está a prestar declarações aos jornalistas. Vamos escutar à boleia da Sic Notícias. Vamos escutar estas declarações.

Pedro Duarte, hoje foram retirados da Praça Dom João I os manifestantes que lá têm permanecido ao longo da última semana. Foram retirados de forma ordeira, eles acataram as ordens e agora a Praça Dom João I está interdita e irá ficar assim por quanto tempo?

Sim, a informação que tenho é que, de facto, decorreu tudo dentro de uma normalidade que deve ser saudada e, portanto, eu enalteço esse facto. Julgo que a normalidade democrática, digamos assim, está reposta na cidade do Porto e significa que o direito à manifestação mantém-se intacto, como sempre esteve. Nós não deixamos de ouvir aquilo que é a preocupação de muitas pessoas, nomeadamente sobre o problema da habitação, mas tudo isso é feito dentro de um quadro de normalidade e de legalidade. E quando assim é, acho que todos estamos bem. Nesta altura, pelo que sei, julgo que estão a ser levadas a efeito algumas atividades de limpeza e de higienização do local e, portanto, espero que a praça rapidamente volte à sua normalidade, que é poder ser um espaço de usufruto de todos, que é isso que tem que ser e que eu disse desde o primeiro minuto.

Há a certeza de que a praça...

A praça, como é evidente, é um espaço público e, portanto, nós vamos...

Há as críticas destes manifestantes que até vieram aqui na quinta-feira, como se fosse a casa de Pedro Duarte. Como é que vê essas críticas dessas pessoas?

Eu vejo, em primeiro lugar, uma preocupação que me parece muito legítima com o problema da crise da habitação. As críticas propriamente ditas, eu diria que talvez tenha mais alguma dificuldade em compreendê-las, embora queira compreendê-las. Tanto é que convidei os manifestantes a poderem reunir quando entendessem ou fazer chegar as suas ideias quando lhes parecer mais pertinente. Eu gostava de compreendê-las melhor e ouvir soluções e propostas. De facto, nós na cidade do Porto somos um caso um bocadinho excecional em todo o país. Somos, de longe, o município que tem, de facto, a maior aposta em termos de habitação pública. Nós temos cerca de 13% da nossa população a viver em habitação pública, designadamente municipal, em que a renda média está volta dos €78.

O movimento disse que fez um convite nos moldes que pretendiam, ou seja, essa reunião consigo ser aberta também à comunicação social para que se pudesse ouvir o que Pedro Duarte tem a dizer aos manifestantes. Estaria disposto a fazer uma reunião nesses moldes?

Eu estou disposto a uma reunião de trabalho para ouvir propostas, ouvir sugestões. Isso tem que ser dentro desses parâmetros de uma reunião de trabalho. Eu não estou disponível para contribuir para...

Na Praça Dom João I, como eles o convidaram?

Não foi só por isso. Eu acho que todos compreendem que nós temos que ter bom senso e equilíbrio, nomeadamente quando estamos no exercício de funções públicas. E a verdade é que o poder local é uma grande conquista de Abril, o poder local autárquico. E as eleições que elegem representantes e que escolhem entidades e instituições, como por exemplo, uma Câmara Municipal, é de facto um dos pilares da nossa democracia. Eu, evidentemente, não reconheço qualquer legitimidade democrática, assembleias populares ou algo parecido com isso. Isso não existe no nosso quadro.

Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, a prestar aqui declarações aos jornalistas, a fazer um ponto de situação relativamente à atuação da PSP no Porto, nas primeiras horas da manhã, que acabou por desmontar também o acampamento na Praça Dom João I.

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