Nobel de Física tem um único vencedor pela primeira vez em 34 anos
O Nobel de Física de 2026 teve apenas um vencedor pela primeira vez em 34 anos. O físico belga Francis Halzen recebeu sozinho o prêmio nesta terça-feira, 6, por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube, instalado no Polo Sul.
Desde 1992, a premiação era compartilhada por dois ou três pesquisadores. Naquele ano, o francês Georges Charpak foi o único laureado por desenvolver um detector de partículas que transformou a maneira como esses componentes da matéria eram identificados.
Dessa vez, Halzen, professor da Universidade de Wisconsin–Madison, foi reconhecido pela Real Academia Sueca de Ciências por ajudar a desenvolver uma nova forma de observar o Universo por meio dos neutrinos.
Por que Francis Halzen ganhou o Nobel de Física?
Em 1988, Halzen propôs utilizar o gelo do Polo Sul para detectar neutrinos, partículas elementares que atravessam a matéria quase sem interagir com ela. A ideia deu origem ao Observatório de Neutrinos IceCube, estrutura que ocupa aproximadamente um quilômetro cúbico de gelo na Antártida e foi concluída em 2011.
O projeto permitiu detectar neutrinos de altíssima energia vindos de regiões distantes do espaço. Essas partículas podem ajudar cientistas a investigar alguns dos ambientes mais extremos do Universo.
Os neutrinos possuem uma característica importante para a astronomia: não têm carga elétrica. Por isso, sua trajetória não é desviada por campos magnéticos durante a viagem pelo espaço. Isso permite que os pesquisadores utilizem a direção dessas partículas para investigar suas possíveis origens e estudar fenômenos difíceis de observar por outros métodos.
Como funciona o IceCube?
O IceCube possui milhares de sensores instalados em grandes profundidades no gelo da Antártida. O observatório procura um evento raro: a interação de um neutrino com um átomo no gelo. Quando isso acontece, partículas carregadas são produzidas e geram um pequeno clarão conhecido como radiação Cherenkov.
Os sensores registram essa luz. A partir dos sinais, pesquisadores conseguem estimar características como a energia do neutrino e a direção de onde ele chegou. O observatório já detectou neutrinos de alta energia provenientes de fora do Sistema Solar. Entre os objetos investigados está a galáxia ativa NGC 1068, apontada como uma possível fonte dessas partículas.
O IceCube também identificou neutrinos de alta energia associados à Via Láctea, ampliando as possibilidades de estudar os processos responsáveis pela produção de partículas extremamente energéticas no cosmos.
A astronomia de neutrinos existia antes do observatório antártico. O diferencial do projeto liderado por Halzen foi ampliar a capacidade de utilizar essas partículas como mensageiras de fenômenos cósmicos distantes.
Quem é Francis Halzen?
Francis Halzen nasceu em 1944, em Tienen, na Bélgica. Ele concluiu o doutorado em 1969 na KU Leuven, também no país, e atualmente é professor da Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos.
O físico construiu sua carreira estudando partículas elementares, raios cósmicos e neutrinos. Seu trabalho teve papel central no desenvolvimento do IceCube e na consolidação da astronomia de neutrinos de alta energia.
Com o Nobel de Física de 2026, Halzen receberá 12 milhões de coroas suecas, valor integral destinado ao vencedor da premiação deste ano. Segundo a Real Academia Sueca de Ciências, os registros coletados continuamente pelo IceCube poderão ampliar o conhecimento sobre os ambientes onde neutrinos de alta energia são produzidos.
As observações também podem revelar fenômenos cósmicos ainda desconhecidos. O trabalho iniciado na Antártida já inspira novos observatórios. Telescópios de neutrinos instalados em água estão em diferentes fases de desenvolvimento em outras regiões do mundo.
No Polo Sul, uma das próximas etapas é o IceCube-Gen2, projeto que pretende ampliar significativamente a capacidade atual do observatório e permitir a detecção de um número ainda maior de neutrinos de alta energia.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.