Itaúsa escolhe investir em infraestrutura por resiliência do setor
A Itaúsa, uma das maiores holdings de investimentos do Brasil, tem passado por uma transformação estratégica significativa ao longo dos anos.
Em entrevista ao CNN Cast, durante o encontro anual da companhia, Raul Calfat, presidente do Conselho de Administração, explicou como a empresa deixou de ser uma holding tradicional para se tornar uma gestora de portfólio, com participações em empresas líderes de setores como financeiro, saneamento, infraestrutura e bens de consumo.
Calfat destacou que a escolha por empresas de infraestrutura se deve à resiliência que esse segmento oferece, ainda que exija compromissos elevados de capital.
Como exemplo, mencionou o setor de saneamento, no qual as empresas investidas precisam atingir metas estabelecidas pelo marco regulatório até o final de 2033. "Tem que atingir 99% de água potável e 90% de esgoto tratado. Então, você tem demanda contratada", explicou.
Já as empresas de bens de consumo, segundo ele, são mais sensíveis às oscilações da economia — podendo ser tanto prejudicadas quanto beneficiadas pelo momento econômico.
"É importante você ter esse mix, esse blend dentro do portfólio", disse Calfat, ressaltando que essa combinação foi cuidadosamente construída ao longo do tempo.
Segundo o executivo, a construção desse portfólio diversificado foi deliberada e orientada por critérios claros de resiliência e crescimento.
"O banco, logicamente, é a principal empresa que participa da Itaúsa", afirmou, acrescentando que as demais participações foram estruturadas para equilibrar diferentes perfis de risco e retorno.
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Governança ativa e criação de valor
A Itaúsa atua, na maior parte dos casos, como sócia minoritária das empresas investidas. De acordo com Calfat, a companhia seleciona sócios controladores sólidos e bem-sucedidos, e contribui com conhecimentos em governança, compliance, estratégia e visão de negócio.
Essa atuação é formalizada por meio de acordos de acionistas, que garantem representação nos conselhos de administração e nos comitês das investidas.
O presidente do CA ressaltou, no entanto, que a participação da Itaúsa frequentemente ultrapassa o que está previsto nesses acordos. "Muitas vezes nós acabamos ultrapassando o que está definido no acordo de acionistas, porque realmente a Itaúsa acaba agregando valor", afirmou.
Segundo ele, representantes da holding chegam a chefiar comitês e a ter presença ampliada nos conselhos das empresas do portfólio.
Modelo sofisticado de análise de risco-retorno
Uma das iniciativas mais recentes destacadas por Calfat é o modelo de análise de risco-retorno desenvolvido pela Itaúsa. Por meio de um gráfico que cruza rentabilidade e risco de cada empresa, a holding consegue avaliar com precisão o impacto de novos investimentos sobre o portfólio consolidado.
"Nós sabemos exatamente, você aumentando o investimento em uma determinada empresa, se piora o risco, se melhora o retorno", explicou.
Calfat observou que, diferentemente do que ocorre em muitas empresas — que tendem a se aprofundar apenas na análise de retorno —, a Itaúsa dedica atenção equivalente à avaliação dos riscos envolvidos.
Esse critério foi determinante em uma decisão recente, na qual a companhia optou por ampliar a participação em uma empresa já existente no portfólio, em vez de realizar uma aquisição em novo setor, por considerar a combinação de risco-retorno mais favorável.
Perspectivas e pipeline de oportunidades
Ao ser questionado sobre os setores que a Itaúsa observa com interesse para os próximos anos, Calfat afirmou que a companhia mantém um pipeline de oportunidades em análise.
"Nós estamos aguardando modificações que, eventualmente, possam existir no sentido macroeconômico. Então, nós estamos prontos", disse, sem especificar quais setores estão sendo monitorados.
O executivo também destacou aspectos do funcionamento interno do conselho de administração da Itaúsa. Segundo ele, 50% do tempo das reuniões é dedicado à discussão estratégica das empresas investidas, e em cada reunião é convidado um representante de uma das companhias do portfólio.
Além disso, reuniões do comitê de estratégia são realizadas com uma semana de antecedência em relação às reuniões do conselho, de modo a preparar os conselheiros para os principais temas em pauta. "Se por acaso o CEO não abordar um determinado tema, nós vamos abordar", concluiu.
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