ESPN DeportesSigue el castigo a Giants en Los AngelesESPNSources: Cubs' Bregman has facial fractures, hopeful for postseasonThe Jerusalem PostTexas Gov. Abbott freezes environmental permits for AI data centers in expanding state power auditוואלהמועצת השלום: על הצדדים להימנע מצעדים שעלולים לערער את הפסקת האש בעזהPunchNigeria records W’Africa’s first telerobotic surgery across 500km한겨레[속보] 대검 신임 차장에 이정현 수원고검장…검찰총장 직무대행Daily MaverickLula and Bolsonaro statistically tied in potential Brazil runoff, polls suggestUOLCorinthians elimina o Bahia e avança à 10ª final consecutiva do Brasileiro FemininoThe Sydney Morning HeraldAustralia news LIVE: PM launches UN Security Council bid, calls for international safeguards on AI; US TV networks refuse to cover Trump press events after White House media banEl Comercio¿Qué se sabe de la presencia del Señor de los Milagros durante la visita del papa León XIV al Perú?النهارتعيينات في المؤسسة الوطنية للاستخدامNew Straits TimesTiger attack claims Orang Asli man's life in Sungai Siput
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, September 22, 2026

Jacob Coxon lançou o alerta, mas não basta travar a IA

Translate

O alerta de Jacob Coxon, ex-investigador na Anthropic, fez soar os alarmes sobre o futuro da IA. Diz Coxon que “as pessoas que estão a construir Inteligência Artificial acreditam sinceramente que [esta] pode matar-nos a todos até ao fim da década”.

O aviso é difícil de ignorar, sobretudo porque foi corroborado por Evan Hubinger, também investigador da Anthropic, que estima em mais de 10% a probabilidade de a IA provocar a extinção da humanidade e reconhece que não existe ainda um plano para lidar com a emergência de uma “superinteligência”.

Os primeiros sinais da capacidade destes “sistemas super-humanos” já se tinham manifestado no caso da Hugging Face. Cerca de 1200 agentes desenvolvidos pela OpenAI, que deveriam funcionar de forma isolada, descobriram sozinhos como comunicar entre si e desses, 700 participaram num ciberataque aos sistemas da Hugging Face.

Mas se estes números já impressionam, o mais preocupante neste caso foi o tempo que as empresas envolvidas demoraram a perceber a origem do problema. A comunicação entre os agentes iniciou-se entre maio e junho e, apesar de haver sinais disso, a OpenAI não os conseguiu resolver. Além disso, só cerca de dez dias depois do ataque, no início de julho, é que a ligação aos agentes de IA foi identificada. Ou seja, durante vários dias, estes agentes conseguiram contornar mecanismos de controlo e executar ações não autorizadas que nenhum humano lhes tinha ordenado.

Este caso não prova que a IA tenha consciência ou intenção própria, mas mostra que já consegue encontrar caminhos não antecipados pelos seus criadores, coordenar-se e explorar vulnerabilidades fora dos limites previstos.  E fá-lo a uma velocidade que torna a supervisão exclusivamente humana estruturalmente insuficiente.

Os riscos são óbvios, mas ganham outra dimensão quando estes sistemas deixam de se limitar a recomendar e passam a decidir e a executar no mundo físico: na rede elétrica, num hospital ou no sistema de defesa de um país. Uma IA que erra ou que age sem controlo numa infraestrutura crítica, sem ser confrontada com a realidade, pode produzir danos irreversíveis.

Coxon põe a nu um problema coletivo: todos reconhecem os riscos, mas ninguém os quer conter, porque ninguém quer perder a corrida pela liderança do ativo mais relevante da história recente.  Daqui nasce uma falsa escolha entre dois extremos: deixar o desenvolvimento avançar num faroeste tecnológico ou tentar travá-lo administrativamente. Não temos de escolher entre inovação e segurança. Temos de mudar a arquitetura através da qual a IA passa a ter autoridade para agir.

A ideia de Coxon de que a defesa para os perigos da IA é uma IA mais lenta não é necessariamente verdade. A UE deu um passo importante com o AI Act, ao impor obrigações adicionais de avaliação, mitigação de riscos, comunicação de incidentes  e cibersegurança aos modelos de IA de finalidade geral considerados de risco sistémico. Mas há uma inversão que é preciso fazer: a regulação da IA deve assentar no princípio basilar da ground truth, o que significa que, quando uma decisão de IA depende do mundo físico ou pode alterá-lo, deve existir uma camada independente que verifique o que está realmente a acontecer, através de mecanismos como sensores, gémeos digitais ou robótica, antes que essa decisão seja executada.

Uma camada de physical AI deve avaliar, por isso, a ação proposta e autorizá-la, limitá-la ou bloqueá-la, de acordo com as regras e os limites definidos na lei. A IA física não substitui a lei: permite aplicá-la à velocidade das máquinas, deixando ao regulador o papel de definir direitos, responsabilidades e limites.

A Europa não lidera hoje a corrida dos frontier models, mas ainda vai a tempo de liderar a corrida da verificação e da confiança. À medida que o desenvolvimento da IA acelera, o verdadeiro ativo de soberania dos Estados será a capacidade de tornar os sistemas de IA verificáveis, auditáveis e controláveis em tempo real. O objetivo será garantir que a IA opera numa infraestrutura soberana e independente, capaz de confrontar as suas decisões com a realidade e trabalhar com diferentes modelos sem ficar dependente de nenhum deles.

A soberania passa cada vez mais por saber o que é real.  Este é um caminho onde a Europa pode liderar uma resposta a um dos desafios mais decisivos para o futuro da humanidade.

A próxima corrida da IA não será apenas sobre quem constrói a inteligência mais poderosa, mas também sobre quem constrói a realidade contra a qual essa inteligência terá de responder. Não precisamos de esperar pela superinteligência para construir a infraestrutura que um dia poderá ter de a controlar, até porque os sinais de que a supervisão humana deixou de ser suficiente já aqui estão.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.