Justiça torna réus 12 acusados de envolvimento na queda do avião da Voepass; 62 pessoas morreram no acidente

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Segundo o MPF, a Voepass priorizava economia de recursos e lucro, prejudicando a manutenção de aeronaves.

Justiça torna réus doze acusados de envolvimento na queda do avião da Voepass
A Justiça tornou réus 12 acusados de envolvimento na queda do avião da Voepass; 62 pessoas morreram no acidente.
A Justiça acolheu a denúncia do Ministério Público Federal. Entre os 12 réus, estão diretores, gerentes, o piloto-chefe, um despachante de voo e um mecânico, além do dono da companhia, José Luiz Felício Filho. Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal firmaram acordos que preveem confissão.
Em agosto de 2024, o avião da Voepass saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos. No trajeto, caiu sobre uma casa em Vinhedo, interior de São Paulo. Todas as 62 pessoas a bordo morreram. Segundo o Ministério Público Federal, a Voepass priorizava economia de recursos e lucro, prejudicando a manutenção de aeronaves. O MPF argumentou que “o desastre teve desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas na manutenção preventiva”, “de descumprimento de normas regulatórias” e “de degradação consciente do gerenciamento de segurança operacional”.
Justiça torna réus 12 acusados de envolvimento na queda do avião da Voepass — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A denúncia reúne informações de registros falsos de manutenção, reparos precários e uso de peças de baixa qualidade, e apresenta provas de que as equipes eram pressionadas a omitir dos relatórios oficiais as falhas nos aviões. Ainda segundo a acusação, a companhia liberou a aeronave para uma rota com alertas de formação severa de gelo - uma condição para a qual o modelo não tinha certificação.
A mãe de uma médica que estava entre as vítimas diz que espera por justiça.
“A gente está lutando muito, a gente recebe sempre com esperança. Esperança que tenha de fato justiça, tenha celeridade, para que se evite, se iniba, outras tragédias anunciadas”, diz Fátima Albuquerque, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas Voo 2283.
A Voepass declarou que vai continuar colaborando com as autoridades.
A defesa de José Luiz Felício Filho afirmou que ele se mantém à disposição da Justiça e que só vai se manifestar nos autos do processo.
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