Alemanha: o motor gripou?

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Bom dia. Eu, de qualquer forma, não estou preparada para começar o programa, porque estou siderada e acho que temos que fazer um Contracorrente dedicado a isso, que é a modulação de voz das pessoas, como ela muda. Eu aconselho-vos a ouvirem-se quando passam dos Momentos de Glória para o Contracorrente. É extraordinário! Temos vozes frescas, leves, soltas, isso flui, vocês cantam, fazem poesias. E depois, de repente... Não, mas seja qual tema for, também já dei por isso. Passam para o Contracorrente e então hoje, é uma coisa extraordinária. É mais ou menos isso também que aconteceu com a Alemanha. Andava tudo bem. Vocês lembram-se, não é? Lembram-se quando aquilo pareciam os Momentos de Glória. A Alemanha era os Momentos de Glória. Eles faziam tudo o que devia ser feito. Eles tinham feito as reformas que deviam ser feitas. Tudo aquilo era uma alegria, uma fluidez. Eram mesmo os Momentos de Glória. E depois, de repente, acordaram no Contracorrente e a dizer que as coisas não estão assim tão bem. E é curioso, porque às vezes quando nós deixamos transparecer alguma irritação, alguma irritabilidade, quando somos tidos como muito contidos e depois, de repente, parece assim que literalmente para se falar nos saltou a tampa, percebemos que alguma coisa não está bem. E isso, por acaso, foi muito visível, e eu acho muito expressivo, não tanto nas reações ao resultado eleitoral das últimas eleições em alguns estados da Alemanha, mas na reação de um ministro alemão, Gunther Krichbaum. Não avalio de maneira nenhuma, e peço que não avaliem a minha pronúncia. A respeito das propostas feitas por António Costa, na sua atual condição. António Costa tem feito uma espécie de peregrinação por diferentes capitais europeias, com vista à negociação e à renegociação do orçamento europeu. E claro que está a pedir mais dinheiro para o próximo orçamento de longo prazo da União Europeia. E o que é interessante é que este ministro alemão diz, e estou a citar: "É de questionar se o senhor Costa já terá perdido completamente o contacto com a realidade". Fim de citação. Este ministro alemão disse isto. E depois ele disse ainda que os orçamentos nacionais da União Europeia estão sob enorme pressão. E depois tem uma expressão que eu achei muito interessante, que é: "Todos sabem que o céu não é o limite". E aquilo que nós neste momento estamos a discutir, sim, o céu não é o limite. Os bolsos dos países tidos como mais ricos da União Europeia e que geralmente, com a Alemanha à cabeça, eram os grandes provedores em matéria de finanças, de dinheiros da União Europeia, e neste momento começa a notar-se aí uma enorme retração. E o problema da Alemanha não é tão só o céu não ser o limite, e sim, os alemães estão a dizer isto. Do ponto de vista económico, há aqui muitos avisos, mesmo muitos. E há uma espécie daquele título que nós vimos e que às vezes fica muito marcante, que é: a Volkswagen vai fechar fábricas, vai despedir, os prejuízos. Portanto, há aqui notícias que de repente, sendo mais uma, acabam por ter algo de simbólico. Estas notícias em torno da Volkswagen, mas temos isto muito do ponto de vista económico, aquele espectro de que a Índia pode vir a ultrapassar a Alemanha, isto como um grande partner internacional. Depois, temos aqui o inferno. Claro que isto que eu acabei de referir é complicado, mas depois temos o inferno, na minha opinião, muito mais do ponto de vista político, que é quando os resultados eleitorais acabam a levar os dirigentes a achar que muito provavelmente se tem de defender o regime democrático, a democracia, das decisões dos próprios eleitores. E aí sim, a expressão inferno na Terra da União Europeia, na Terra da Europa, pode ganhar algum sentido. Portanto, é um pouco como é que se vai do céu ao inferno, ou ao medo do inferno. É disso que hoje vamos falar aqui no Contracorrente. E sim, como é que isso pode vir a afetar os outros países da União Europeia e muito particularmente este país que é o nosso e que é onde nós estamos. E, portanto, espero que continuem a treinar as vozes para que um dia consigam lançar o Contracorrente, sim, com aquela alegria que vos caracteriza noutros horários.
Um dia vamos surpreender-te, Helena Matos.
Não duvido.
Até já. Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente depois das 10:00.
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