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Monday, November 2, 2026

Startup usa IA para acelerar diagnósticos de doenças raras e faturar R$ 20 milhões

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A healthtech brasileira Raras Health, fundada por Dimas Timmers e Alexandre Kawassaki, lançou em maio de 2026 uma plataforma que usa inteligência artificial para apoiar o diagnóstico e o cuidado de doenças raras. Com mais de 200 mil acessos mensais, a empresa projeta faturar R$ 20 milhões em 2027 e R$ 100 milhões até 2030.

O diagnóstico de doenças raras pode levar anos, mesmo quando o conhecimento necessário para identificar a condição já existe. A dificuldade de encontrar especialistas, conectar sintomas e acessar exames mantém pacientes em uma jornada que consome tempo e dinheiro e, em alguns casos, agrava o quadro clínico.

A Raras Health, healthtech brasileira que usa tecnologia e inteligência artificial para organizar essa jornada, quer transformar o problema em um negócio com receita de R$ 100 milhões até 2030. Fundada pelo empresário Dimas Timmers e pelo pneumologista Alexandre Kawassaki, a empresa combina uma plataforma gratuita de informação com serviços pagos para pacientes e soluções destinadas a farmacêuticas, planos de saúde e governos.

A proposta parte de uma experiência conhecida pelos dois fundadores: a dificuldade de chegar ao diagnóstico correto. Timmers passou por cerca de 50 médicos e mais de 20 anos antes de descobrir a própria condição: distonia mioclônica.

Kawassaki, que trabalha com doenças raras desde 2009, viu pacientes chegarem tarde demais ao diagnóstico. Quando a filha teve um problema ocular raro, a experiência profissional ajudou a família a chegar ao diagnóstico e iniciar o tratamento em 48 horas.

A ideia começou a ser desenvolvida no ano passado e foi lançada em maio de 2026. Com menos de um ano, a plataforma registra mais de 200 mil acessos mensais e atende centenas de pacientes por dia. A empresa projeta faturar R$ 20 milhões em 2027 e prepara a entrada no mercado americano.

Como funciona o negócio da Raras Health

Antes de ampliar a operação, a Raras Health precisou estruturar uma base de dados capaz de reunir informações sobre mais de 10 mil doenças raras, além de mapear especialistas e centros de referência. Para o desenvolvimento, os empreendedores investiram R$ 200 mil em capital próprio.

O serviço reúne essas informações em uma plataforma digital e em uma assistente virtual acessível pelo WhatsApp. A ferramenta ajuda o usuário a esclarecer dúvidas, organizar informações clínicas e encontrar possíveis caminhos para a investigação médica. A empresa também oferece uma carteirinha digital para pacientes e acesso a uma rede de especialistas.

A operação combina acesso gratuito e serviços pagos. No plano gratuito, o usuário pode consultar informações, tirar dúvidas, emitir a Carteirinha Raras e acessar benefícios. Os planos pagos ampliam o atendimento: a modalidade de R$ 50 mensais disponibiliza acesso a consulta especializada, enquanto a de R$ 500 mensais inclui uma jornada mais completa, com recursos de genômica, área que estuda o conjunto do material genético, e acompanhamento.

A empresa também vende soluções para farmacêuticas, planos de saúde e governos. Para as farmacêuticas, a plataforma pode ajudar a localizar pacientes que ainda não receberam diagnóstico e conectá-los a tratamentos. Para o setor público, a proposta é acelerar a triagem e reduzir filas de atendimento. Já para os planos de saúde, a tecnologia pode ajudar a organizar informações clínicas e acompanhar tratamentos de alto custo.

Na prática, a inteligência artificial funciona como uma ferramenta de apoio. A plataforma pode analisar prontuários, levantar hipóteses diagnósticas e organizar informações para a equipe médica. A confirmação do diagnóstico e as decisões sobre o tratamento continuam sob responsabilidade dos profissionais de saúde.

A proposta é acompanhar diferentes etapas da jornada, em vez de atuar apenas na busca por um diagnóstico. A empresa também trabalha com testes genéticos e pretende ampliar as linhas de cuidado específicas para doenças raras, reunindo especialistas de cada condição e serviços como consultas, fisioterapia e nutrição.

"O nosso objetivo é usar a inteligência artificial para tornar essa jornada mais eficiente, sem substituir o médico, mas ajudando a conectar as pessoas às informações e aos profissionais que podem contribuir para cada caso”, afirma Kawassaki.

Qual o plano para chegar a R$ 20 milhões

A Raras Health projeta faturar R$ 20 milhões em 2027 e alcançar R$ 100 milhões até 2030. Para isso, a empresa precisa converter as oportunidades comerciais em contratos e ampliar as frentes de negócio com farmacêuticas, planos de saúde e governos. Segundo os fundadores, a carteira de negociações já inclui projetos que podem sustentar a meta do próximo ano.

A expansão internacional também faz parte do plano. Em 2026, a empresa começou a preparar sua entrada nos Estados Unidos, onde os empresários estão desenvolvendo um laboratório genético. “Hoje, o sequenciamento de um genoma custa quase R$ 10 mil para o consumidor. Com a nossa tecnologia e a escala do mercado americano, conseguimos reduzir esse valor para cerca de 10% do preço atual, tornando a análise muito mais acessível”, diz Timmers.

Os fundadores também mantêm conversas para uma possível chegada a Portugal. A expansão, porém, exige adaptar a operação a novos mercados e construir relações com profissionais de saúde e instituições locais.

Como criar linhas de cuidado pelo país

A tecnologia não resolve sozinha um dos principais entraves das doenças raras: a falta de familiaridade de parte dos profissionais de saúde com condições pouco frequentes. A empresa aposta em uma rede de especialistas para aproximar médicos de conhecimento específico que nem sempre está disponível em sua região.

Kawassaki destaca que a confiança depende tanto da experiência dos profissionais envolvidos quanto da forma como os pacientes são atendidos. A empresa afirma ter mais de 30 médicos em seu comitê científico.

A Raras Health quer organizar o atendimento por doença, em vez de limitar sua atuação à busca por um diagnóstico. A proposta é criar linhas de cuidado que reúnam os profissionais e serviços necessários para acompanhar cada condição. Em casos como fibrose cística ou fibrose pulmonar, por exemplo, a jornada pode envolver consultas com especialistas e outros atendimentos, como fisioterapia e nutrição, conforme as necessidades do paciente.

Os médicos podem criar suas próprias linhas de cuidado e oferecê-las diretamente aos pacientes sem pagar pela plataforma. A Raras Health fornece a estrutura tecnológica para organizar o atendimento, conectar os profissionais e reunir serviços como consultas, fisioterapia e nutrição. O paciente paga pela jornada de cuidado, e o médico ganha uma nova fonte de receita ao oferecer o serviço à sua base de pacientes.

“É muito mais fácil o médico apresentar a solução ao paciente do que nós vendermos diretamente a ele. Por isso, queremos atuar junto aos profissionais de saúde pelo Brasil, para que eles ofereçam nosso produto aos próprios pacientes", diz Kawassaki.

'Perguntas frequentes'

Como funciona a plataforma da Raras Health? +

A plataforma reúne informações sobre mais de 10 mil doenças raras, além de especialistas e centros de referência. Por meio do site e de uma assistente virtual no WhatsApp, o usuário pode esclarecer dúvidas, organizar informações clínicas e encontrar caminhos para a investigação médica.

A inteligência artificial da Raras Health faz diagnósticos? +

Não. A inteligência artificial analisa prontuários, levanta hipóteses e organiza informações para apoiar a equipe médica, mas a confirmação do diagnóstico e as decisões sobre o tratamento permanecem sob responsabilidade dos profissionais de saúde.

Quanto custam os serviços da Raras Health? +

O plano gratuito permite consultar informações, tirar dúvidas, emitir a Carteirinha Raras e acessar benefícios. A modalidade de R$ 50 mensais oferece acesso a consulta especializada, enquanto o plano de R$ 500 mensais inclui recursos de genômica e acompanhamento mais completo.

Quanto foi investido na criação da Raras Health? +

Dimas Timmers e Alexandre Kawassaki investiram R$ 200 mil em capital próprio para desenvolver a operação. Antes da expansão, a empresa estruturou uma base de dados sobre mais de 10 mil doenças raras e mapeou especialistas e centros de referência.

Qual é a meta de faturamento da Raras Health? +

A Raras Health projeta faturar R$ 20 milhões em 2027 e alcançar receita de R$ 100 milhões até 2030. Segundo os fundadores, a carteira de negociações já reúne projetos que podem sustentar a meta de 2027.

Como a Raras Health pretende expandir o atendimento? +

A Raras Health prepara a entrada nos Estados Unidos, desenvolve um laboratório genético no país e mantém conversas para chegar a Portugal. No Brasil, a empresa quer criar linhas de cuidado por doença, com especialistas e serviços como consultas, fisioterapia e nutrição.

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