Após se entregar à polícia, Milton Leite diz ser inocente: 'Só se arrepende quem comete crime'

Na saída para o IML, Milton Leite falou com a imprensa e afirmou ser inocente das acusações. Ele também disse que pretende apresentar sua defesa por meio dos advogados e que respeita a decisão da Justiça.
"Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito", afirmou.
Questionado se se arrependia de alguma coisa, respondeu:
"Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo."
No local, também está o ex-presidente da SPTrans Leivido Santos Oliveira, que chegou à cadeia no mesmo período.

O ex-presidente da Câmara disse ainda que vai aguardar o andamento do processo. "A gente tem a oportunidade da contradita pelos meus advogados. A gente vai guardar essa decisão pacientemente. Temos que respeitar as decisões da justiça", declarou.
Milton Leite também afirmou que cumpriu a determinação de se apresentar à polícia na data combinada.
"Eu cumpri a decisão. Me apresentei conforme prometido, conforme dito. Vim no dia que marquei. Estou aqui sem nenhum problema", disse.
Milton Leite estava no interior do estado fazendo campanha com os filhos. Seus representantes disseram que não tiveram acesso a todas as informações do caso e que, por isso, não entraram com nenhum pedido de relaxamento na Justiça.
Segundo os investigadores, ele seria responsável diretamente pela operação de algumas empresas que estariam sob controle do PCC, além de ser o dono de fato da Transwolff.
As suspeitas foram apontadas pela Operação Vectura Corrupta, que apura a atuação do crime organizado no setor de transportes na cidade de São Paulo e suas relações com empresários, políticos e advogados.
Segundo a investigação, Milton Leite é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas” pelo PCC. A afirmação consta de um relatório da Polícia Civil anexado ao processo.
O documento também aponta que há declarações de policiais militares prestadas em um procedimento no Tribunal de Justiça Militar indicando que Milton seria o “dono de fato” da Transwolff. A empresa foi uma das companhias investigadas na Operação Fim da Linha.
A polícia e o MP suspeitavam que o ex-parlamentar pudesse estar escondido em um imóvel de Sorocaba, no interior de São Paulo, mas não o encontraram lá nesta sexta. No local, havia dinheiro e documentos com uma outra pessoa, que não soube explicar a origem deles. Foram encontrados e apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil).
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