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Thursday, September 17, 2026

EUA aprovam sanções contra Rússia, e Ucrânia anuncia orçamento militar recorde

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A guerra entre Rússia e Ucrânia ganhou uma nova frente econômica nesta semana.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou novas sanções contra Moscou e países que compram petróleo e gás russos, nesta quarta-feira, 16. Com a movimentação, Washington tenta pressionar a Rússia e reduzir as receitas usadas para financiar a guerra, enquanto o governo de Donald Trump busca mediar um acordo de paz entre os países combatentes.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, comemorou a aprovação e classificou a legislação como “uma ferramenta extremamente poderosa” para tentar deter o conflito.

A reação do Kremlin foi diferente. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que novas sanções americanas “vão complicar” os esforços para alcançar uma solução pacífica para a guerra.

Além disso, a Ucrânia divulgou nesta quinta-feira, 17, maior orçamento militar de sua história para 2027, com uma previsão de quase US$ 110 bilhões em gastos com defesa e segurança. Desse montante, US$ 52,6 bilhões serão provenientes de financiamento externo, como da OTAN e da União Europeia.

EUA aprovam novas sanções contra a Rússia

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um novo pacote de sanções por 262 votos a 159. O texto já havia passado pelo Senado, por 86 votos a 11, e conta com o apoio do presidente Donald Trump, que afirmou que irá sancioná-lo.

A legislação mira os setores de energia e defesa da Rússia, além do presidente Vladimir Putin e de outros integrantes do alto escalão do governo.

O pacote também atinge a chamada “frota fantasma” de petroleiros utilizada por Moscou para contornar as sanções impostas por países ocidentais.

Um dos principais instrumentos previstos é a possibilidade de Trump impor tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos, entre eles China e Índia.

A medida busca pressionar a demanda pelos produtos russos e, consequentemente, atingir as receitas utilizadas para financiar o esforço de guerra.

O novo pacote amplia a pressão sobre países que mantêm relações comerciais com Moscou. A Índia, um dos grandes compradores de petróleo russo, afirmou nesta quinta-feira que continuará diversificando suas compras.

Em comunicado, o governo indiano disse que “segue firmemente comprometido a garantir a segurança energética de seus 1,4 bilhão de habitantes” e acrescentou que pretende tomar as medidas necessárias para proteger seus interesses comerciais e econômicos.

O foco sobre compradores de energia é central porque as novas sanções tentam atingir justamente uma das principais fontes de receita da Rússia durante a guerra.

Ucrânia prevê US$ 110 bilhões para defesa em 2027

Enquanto Moscou enfrenta uma nova rodada de pressão econômica, o governo da Ucrânia aprovou o orçamento para 2027 com um nível recorde de despesas militares.

A previsão é de quase US$ 110 bilhões para defesa e segurança, valor equivalente a 43,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ucraniano. O montante representa um aumento de 11,9% em relação a 2026 e, segundo a AFP, corresponde à maior proporção do PIB destinada à área desde o início da guerra.

“O projeto de orçamento para 2027 foi elaborado em um momento em que a agressão russa continua e as necessidades de segurança e defesa continuam sendo cruciais”, afirmou o ministro das Finanças da Ucrânia, Sergii Marchenko.

“Sem dúvida, esta é a prioridade número um do governo. Todos os possíveis recursos internos do Estado estão sendo canalizados para garantir que a Ucrânia possa resistir de forma eficaz ao agressor”, acrescentou.

Apesar de direcionar a maior parte dos recursos internos para a defesa, a Ucrânia prevê uma necessidade de US$ 52,6 bilhões em financiamento externo em 2027.

O Ministério das Finanças informou que pretende mobilizar recursos da União Europeia, dos países do G7, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, do Reino Unido e de outros parceiros internacionais.

Desde a invasão russa em 2022, a Ucrânia recebeu quase US$ 200 bilhões em financiamento de parceiros estrangeiros, além de bilhões de dólares em ajuda militar.

Rússia gasta menos em defesa?

Segundo os dados apresentados pela AFP, o gasto militar russo representa oficialmente 5,5% do PIB no orçamento de 2026 e deve cair em 2027.

No entanto, determinadas despesas podem não aparecer de forma transparente nos números oficiais, segundo uma análise do jornal de oposição russo Novaïa Gazeta.

Na Ucrânia, a situação orçamentária é diferente. Zelensky afirmou que pretende adotar medidas “difíceis e impopulares” para enfrentar o déficit das contas públicas, em um cenário no qual a continuidade da guerra mantém a defesa como principal prioridade do governo.

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