As notícias das 18h
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As notícias. Jornal das 6 com edição de José Rafael Lopes. José, começamos com novos protestos em Lisboa e no Porto. Em Lisboa, a presença de manifestantes começa a avolumar-se, mas ainda longe de outras concentrações.
Estas manifestações acontecem quer no Rossio, quer na Praça Dom João I. Começaram às 17h, foram convocadas na sequência da carga policial desta madrugada, quando a PSP voltou a avançar contra os manifestantes concentrados nas acampadas de Lisboa e do Porto. Na capital, há agora mais gente e mais cartazes, mas ainda longe dos números que foram alcançados ontem. Também não há cânticos ou palavras de ordem gritadas pela multidão. Está, ainda assim, aberto o microfone para quem quiser discursar no Rossio. Apesar de não ter sido anunciada, está a decorrer uma assembleia popular em Lisboa. Já no Porto, centenas de pessoas estão reunidas na Praça Dom João I. Está prevista uma assembleia popular a partir das 19h. Esta manifestação é contra a repressão policial. Quer o protesto no Rossio, quer o protesto na Praça Dom João I, devem contar com a participação de elementos ligados a partidos políticos. É o caso que está a acontecer na manifestação em Lisboa. A eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins, está neste protesto no Rossio e diz não entender o porquê de a polícia ter carregado sobre os manifestantes durante a madrugada.
Para que existiu a carga policial? Qual é o objetivo do governo com a carga policial? Em Portugal, há 22 dias, este será o 23º dia, desde 10 de outubro, que há em vários sítios do país protestos pacíficos pela habitação. Protestos pacíficos. Por que a polícia atua assim? O que é que o governo quer? Porque seguramente que a polícia não atuou sem ordens do governo. O que é que pretende o governo? O governo tem tanto medo que as pessoas falem da habitação, que manda cargas policiais para tentar que toda gente fale de violência? Ou o governo quer instalar um Estado autoritário em Portugal?
Já António Filipe, do PCP, diz que se justifica já um debate de urgência sobre o tema da habitação.
Justifica-se plenamente que, ainda que se possa recalendarizar a discussão do orçamento, que haja um debate de urgência em plenário com o governo sobre esta questão da violência policial, porque tem que haver responsabilidades políticas relativamente a uma violação tão grosseira de direitos fundamentais como aquela que assistimos e que põe em causa o nosso Estado de direito democrático.
António Filipe a pedir um debate de urgência sobre o tema da violência policial e também da habitação, diz que ainda que o presidente da República tem de falar de uma forma mais ativa sobre este tema.
E, entretanto, a Câmara Municipal do Porto convidou os manifestantes para uma reunião.
Convite conhecido há instantes para um encontro na terça-feira, nos Passos do Conselho, com uma delegação dos participantes nas manifestações sobre o problema da habitação. A Câmara Municipal do Porto diz que nessa reunião vai poder abordar-se a compatibilização do direito à manifestação com a disponibilidade dos espaços urbanos, explica a autarquia, que isto se deve também à vontade da autarquia de começar a montar os enfeites de Natal na cidade do Porto. Diz também a Câmara que em cima da mesa está a preparação e eventual agendamento de uma reunião alargada, que poderá acontecer no Teatro Rivoli, como têm pedido os manifestantes, sobre a atual situação do acesso à habitação na cidade portuense.
E o INEM revela que assistiu 25 pessoas na sequência da carga policial levada a cabo pela PSP no Porto e em Lisboa.
Informação divulgada hoje, diz o INEM que das 25 pessoas assistidas, nove tiveram de ser transportadas para hospitais devido aos ferimentos. À Agência Lusa, o Instituto Nacional de Emergência Médica diz que em Lisboa nove pessoas foram assistidas, três transportadas para o Hospital de São José. Já no Porto, foram 16 pessoas assistidas, sendo que destas seis foram levadas para o Hospital de Santo António.
E o ministro da Administração Interna diz que as imagens da carga policial são difíceis de ver.
Luís Neves fala em sentimentos contraditórios, mas frisa que ninguém tem prazer em ver o que aconteceu e assegura que a permanência enquanto ministro, diz Luís Neves, está nas mãos do Primeiro-Ministro.
O meu lugar está permanentemente à disponibilidade do senhor Primeiro-Ministro. O que eu quero dizer é que nós estamos a fazer o nosso trabalho na esfera da segurança interna, em todas as suas áreas, das forças de segurança, na proteção civil, conforme hoje aqui tivemos, na questão dos incêndios, na questão da segurança rodoviária. Estamos muito motivados para fazer o nosso trabalho e digo como comecei: ninguém gostaria que isto tivesse sucedido.
Luís Neves fala em imagens negativas, mas sai em defesa da polícia, perante o que considerou ser uma pequena amostra que colocou em causa a ordem pública.
Uma pequena franja, relativamente aos manifestantes, tem vindo de uma forma reiterada a pôr em causa o cumprimento da lei. É isso que aqui está em causa. Como todos se aperceberam, já no passado até recente e no âmbito destas mesmas manifestações, no Porto, houve momentos em que os próprios manifestantes levantaram as tendas que previamente tinham colocado. Nestes dias, tem ocorrido, de uma forma absolutamente inédita, por parte das autoridades policiais, da Polícia de Segurança Pública, uma articulação, pedidos até de uma forma muito tranquila, demorada, de que as tendas não se podem manter conforme são montadas. E por isso, perante o incumprimento da lei, há a necessidade de se repor a ordem pública.
A reação de Luís Neves, aqui um registo da CNN Portugal, a garantir que tem o lugar à disposição e que Luís Montenegro é quem toma a decisão final sobre esse tema.
E o deputado do CDS, João Almeida, sai em defesa da carga da PSP, diz que os manifestantes não deixaram outra hipótese aos polícias.
O deputado centrista lamenta os acontecimentos durante a madrugada. Ainda assim, João Almeida sublinha que a polícia agiu com ponderação.
Lamentamos também o que aconteceu do lado dos manifestantes, mas é muito importante salientar uma coisa: os manifestantes estavam no terreno por sua vontade e tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu. A polícia estava no terreno por obrigação de cumprimento da lei e não podia, de maneira nenhuma, ter evitado o que aconteceu. Pelo contrário, durante quatro horas procurou evitá-lo.
O deputado do CDS, João Almeida, em declarações aos jornalistas no Porto, um registo aqui da RTP. Considerou também João Almeida irresponsáveis as palavras do líder do PS, que disse hoje que se fosse primeiro-ministro, já teria feito mudanças no Executivo.
E o Partido Socialista vai chamar com urgência o ministro da Administração Interna ao Parlamento para esclarecer os acontecimentos da última noite.
José Luís Carneiro quer mais explicações e quer também que Luís Montenegro convoque o sistema de segurança interna para garantir que este caso continue a ser acompanhado.
O primeiro-ministro deve também convocar, com caráter de urgência, o sistema de segurança interna, onde reúnem as forças e os serviços de segurança, com a presença dos representantes da Assembleia da República, para garantir que se faça o acompanhamento institucionalmente devido, mas também para que ocorra o escrutínio democrático em tudo o que se tem vindo a passar no país.
O secretário-geral do PS diz ainda que pretende voltar a falar com o presidente da República sobre a violência policial.
E em França, o governo reviu em alta o número de manifestantes detidos durante os confrontos de ontem com a polícia.
O governo francês estima que quase 800 pessoas tinham sido detidas ao longo do dia. O número final de detenções na sequência das manifestações de ontem. O dia ficou marcado pelo clima de tensão e confrontos entre manifestantes e a polícia. As forças de segurança foram obrigadas a utilizar gás lacrimogéneo. Já ontem, o ministro da Administração Interna de França disse que a situação correu bem, com uma boa atuação da polícia nos protestos e deixou críticas aos que considerou serem grupos de vândalos que atacaram as forças de segurança com violência.
E o presidente israelita vai iniciar as conversações com os partidos. O objetivo é evitar novas eleições.
O chefe de Estado de Israel vai receber os resultados oficiais das eleições na próxima quarta-feira, mas tendo em conta que já começam a ser conhecidos, abre já, Isaac Herzog, as portas aos partidos e grupos parlamentares para que sejam iniciadas as consultas, isto depois de nenhum dos dois principais blocos partidários em Israel ter conseguido alcançar a maioria necessária para formar um governo no Parlamento israelita. Seriam precisos 61 lugares num parlamento de 120.
E agora no desporto, o Benfica joga amanhã contra o Alverca. Marco Silva diz que a equipa conseguiu preparar o encontro da melhor forma.
O jogo está marcado para às 20h15, no Estádio da Luz, décima jornada do campeonato. O Benfica entra pressionado após saber que Sporting e Futebol Clube do Porto já venceram nesta jornada. Na conferência de imprensa antes do jogo, Marco Silva, o treinador do Benfica, diz que os resultados da equipa têm sido positivos e que os encarnados pretendem manter essa série favorável. Já do lado da equipa do Alverca, o treinador Sérgio Ferreira assume as dificuldades e diz que o Alverca tem noção do que é jogar com o Benfica no Estádio da Luz.
E é assim que fechamos o jornal das 18h, edição do jornalista José Rafael Lopes, que está de saída, não é verdade?
Ainda faço o assim de saída.
Eu é que estou de saída, então.
Exatamente. Não esqueça.
A informação regressa atualizada às 18h30. José, até amanhã. Não é até amanhã que gostamos de folga, não é?
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