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Sunday, September 27, 2026

Cantora brasileira detalha trabalho como 'pupila' do marido de Gloria Estefan: 'Eu realmente amo'

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Desde o The Voice Kids Brasil 2018, Giovanna Khair passou por intensas transformações na carreira. Se antes estava em frente às câmeras com o microfone na mão, hoje vive nos bastidores, construindo uma carreira musical nos Estados Unidos. Em entrevista à Quem, ela refletiu sobre sua história na área, desde a vida como estudante na gringa até como se tornou pupila do produtor musical Emilio Estefan, casado com Gloria Estefan.

Apesar da visibilidade do programa, Giovanna conta que sua relação com a música era mais antiga. "Comecei aulas de piano aos sete anos, por causa da minha avó. Ela também foi quem reparou que eu tinha afinidade por cantar e me botou em aulas de canto aos dez anos. Quando cheguei aos palcos do The Voice Kids, eu já havia cantado em vários palcos no Rio de Janeiro como o Teatro XP, o Teatro das Artes e o Beco das Garrafas", diz.

"Ainda assim, uma produção do tamanho do The Voice é basicamente outro mundo. Foi ali que eu comecei a entender o quanto existia por trás dos palcos e como essas funções eram essenciais para que nós, artistas, pudéssemos fazer a nossa parte. Essa experiência foi essencial no meu caminho de transformar música em carreira", reflete.

Aos 14 anos, Giovanna conheceu o universo de bastidores da música, mas durante anos continuou firme nos palcos. A jovem conta que tudo mudou quando chegou à Berklee College of Music, em Boston (EUA), onde se formou em Songwriting (composições de músicas) e Music Business (mercado da música, em tradução literal).

"Decidi fazer uma aula sobre aspectos legais da indústria musical e me apaixonei imediatamente. Tinha acabado de trancar Direito na PUC e escolhi essa aula como um meio-termo de 'aprender os detalhes importantes da indústria' e 'agradar os meus pais'. Mudou o rumo da minha vida", afirma.

Giovanna Khair — Foto: Divulgação
Giovanna Khair — Foto: Divulgação

"A quantidade de detalhes que entra no processo de tornar um artista quem ele é me fascinou, e eu decidi que aprenderia o máximo possível. A faculdade me possibilitou ter várias experiências e conhecer várias pessoas importantes em diversas áreas da indústria, o que só aumentou essa chama em mim".

Isso mudou a sua relação com a música definitivamente. "O meu processo introspectivo aumentou muito. Eu escuto música já buscando reconhecer o que dá certo, o que não dá, como melhorar ou como aprender", detalha. "Mesmo quando estou cansada do trabalho, eu ainda amo a música mais do que tudo, e não me arrependo nem um pouco da decisão de seguir esse sonho", frisa.

Adaptação nos Estados Unidos

A mudança para a terra do tio Sam apresentou desafios diversos para Giovanna, sobretudo no clima. "Sair do Rio de Janeiro para Boston foi um baque forte. Imagina, de 40° ir para -15°? A adaptação foi difícil. 18 anos, longe da família pela primeira vez, num frio absurdo, com o sol se pondo às 16h e a cultura estadunidense em completo contraste à nossa, mas pouco a pouco fui me assimilando", fala.

"Meus amigos brasileiros eram um refúgio da exaustão do inglês constante e uma lembrança do calor -- do sol e humano -- que me esperavam em casa. Hoje moro em Miami, ensinei português ao meu namorado chileno e não passo mais de duas semanas sem comer farofa. A gente se adapta", diz.

Giovanna Khair — Foto: Divulgação
Giovanna Khair — Foto: Divulgação

A dificuldade inicial na adaptação não foi empecilho suficiente para que buscasse deixar uma marca onde estudava. Na faculdade, Giovanna fundou a Brasil@Berklee, uma iniciativa liderada por estudantes e criada para celebrar a música brasileira contemporânea para além dos estereótipos frequentemente associados ao país no exterior.

O que motivou a jovem foi a crença de que a música brasileira não é reconhecida em toda sua pluralidade lá fora. "Por mais que eu acho que estamos todos testemunhando o maior movimento de internalização brasileira desde os anos 60, ainda tem muito desse caminho a ser percorrido. O Brasil, com sua riqueza cultural enorme, ainda é pouco representado, e eu via muito isso na própria faculdade", fala.

"Não só eu queria ter a possibilidade de mostrar a todos o quão rica é a cultura brasileira, com seus mil-e-um estilos e minúcias regionais, mas sentia falta de uma entidade que nos apoiasse. Havia clubes para latinos e, por mais que nós também sejamos parte desse grupo, a barreira de linguagem e falta de representatividade fazia com que a presença brasileira em eventos e shows fosse mínima, se existente".

"Decidi parar de reclamar e fazer alguma coisa sobre o assunto: assim, nasceu o clube. Todo mundo que foi parte do clube, desde sua criação até hoje, foi essencial em fazê-lo o que é. A comunidade que criamos, nós criamos juntos, não seria justo eu dizer que o projeto é só meu", afirma.

Giovanna Khair — Foto: Divulgação
Giovanna Khair — Foto: Divulgação

Giovanna conta que atualmente a iniciativa é um porto seguro para os brasileiros na região. "Através de shows, eventos e reuniões, o clube criou um lugar onde podemos nos sentir em casa longe de casa, conhecer e colaborar com outras pessoas. Eu posso dizer com certeza que é uma das partes do meu legado que eu mais tenho orgulho", confirma.

O esforço fez com que a iniciativa apoiasse o talento de alunos brasileiros e garantisse um lugar na Berklee Performance Center, onde nomes como Celine Dion e Whitney Houston já cantaram. "Com uma equipe de mais de 55 pessoas, apresentamos nosso show A Night In Brazil' para uma casa lotada com 700 pessoas, onde um terço não eram alunos, e mostramos a Boston que o Brasil é uma mescla de cores, sabores, sons e pessoas".

"Tocamos sertanejo, funk, bossa, samba e rap. As pessoas amaram, me emociono só de lembrar quanta gente, que veio de cidades vizinhas e que eu nunca tinha visto na vida, vieram a falar comigo no fim do show, agradecendo por trazer nossa cultura aos EUA", resgata. "Informalmente, o impacto também existe: virei a encargada oficial de criar playlists para todos os meus amigos gringos! Não fui a uma só house party onde só tocava reggaeton… Vai ter Bad Bunny? Então vai ter Ludmilla e Anitta sim!".

Apesar disso, Giovanna conta que retornar ao país do verde e amarelo não está em seus planos imediatos. "Voltar ao Brasil, por mais que no momento não seja o objetivo, com certeza faz parte dos meus planos futuros. Sinto falta da minha terra, da minha família, dos meus amigos, da comida e da cultura. Quero construir essa ponte do Brasil para o mundo e, um dia, caminhar por ela de volta ao meu país".

Emilio Estefan e Giovanna Khair em evento — Foto: Reprodução/Instagram
Emilio Estefan e Giovanna Khair em evento — Foto: Reprodução/Instagram

Da estagiária à 'pupila' de Emilio Estefan

Giovanna construiu carreira na Ranked Music, empresa sediada em Miami, onde começou como estagiária e passou a liderar campanhas digitais para artistas como a já mencionada Anitta, Karol G e Alejandro Fernández. Hoje, a jovem atua como estrategista digital e social media gerente no ecossistema profissional do produtor Emilio Estefan, contribuindo para projetos que estão na interseção entre música, cultura e narrativas globais.

Para conseguir trabalhar com Estefan, Rancked teve um papel central para prepará-la a essa missão. "Conheci artistas de renome no mercado latino e internacional, ferramentas de marketing digital que eu até então desconhecia, aprendi como o novo ecossistema das redes sociais e criadores de conteúdo afeta a indústria musical. Tive a oportunidade de trabalhar em projetos gigantes e com impactos mundiais, como Si Antes Te Hubiera Conocido, da Karol G, Gata Only, do FloyyMenor, e Adivino do Myke Towers e Bad Bunny".

Já sobre o dia a dia com Estefan, Gionna diz: "Parece muito mais glamouroso do que é, mas eu realmente amo. A maior parte do meu tempo é na frente do computador ou do meu celular, ou dos dois; meu setup chega a ser cômico, com dois laptops, um monitor e dois celulares. Revisando fotos, vídeos, lendo DMs e comentários, lidando com cada aspecto e detalhe das redes sociais e imagem do Emilio".

"Como sou a única pessoa de marketing digital da empresa, eu uso mil chapéus ao mesmo tempo, e o caos já virou quase que um conforto rotineiro. Honestamente, a minha parte favorita é estar em eventos com ele, gravando e tirando fotos, pois acabo conhecendo pessoas muito interessantes", fala. Dentre elas, Giovanna cita Gianni Infantino, presidente da FIFA, Cimafunk, e Mark Bezos, dono da Amazon.

Ela conta que ainda vai a "locais que nem sonharia em ir, como no Hard Rock Stadium para o jogo da Argentina contra o Cabo Verde na Copa do Mundo para a apresentação da música Love Always Wins, escrita e produzida por Emilio Estefan e que fez parte do álbum oficial desta Copa".

Giovanna Khair — Foto: Divulgação
Giovanna Khair — Foto: Divulgação

Segundo ela, Estefan "é um gênio da música" e super-atento aos detalhes ao seu redor. "Nunca vou esquecer quando estávamos tendo uma reunião em sua sala e, do nada, ele me para e pede licença, porque acha que escolheram o arquivo errado no estúdio. Detalhe: a porta estava fechada e não se escutava nada do estúdio, que estava a três portas de distância de nós", resgata.

"Ele se levantou, se ausentou por uns dois minutos. Depois voltou… e ele estava certo. Ele está sempre no estúdio, faça chuva ou faça sol, e ama o que faz, é muito óbvio. Além disso, ele sempre trata todos ao seu redor com muito respeito: 'trate todos como se eles fossem a pessoa mais importante da sala', ele sempre diz, 'seja da equipe de limpeza ou o presidente, todos devem receber o mesmo respeito, carinho e atenção'. Ele é realmente uma pessoa espetacular".

Giovanna Khair — Foto: Divulgação
Giovanna Khair — Foto: Divulgação

Giovanna também detalha a vivência com a esposa do produtor, a cantora Gloria Estefan, casada com ele desde 1978 e mãe de seus dois filhos: Emily, de 31 anos, e Nayib, de 46 anos. "Existem certos projetos de marketing que os dois estão muito envolvidos, estamos sempre em contato, mas nem perto tanto quanto com o Emilio", fala.

"A maior parte das vezes em que a vejo pessoalmente é em eventos. A primeira vez que a conheci vai estar sempre na minha cabeça: estávamos em um evento em que homenagearam o meu chefe, era a minha primeira semana, e nós duas estávamos no salão enquanto a sessão de fotos acontecia no andar de baixo. Eu estava nervosa, mas decidi me apresentar de qualquer forma; ela foi simpaticíssima antes mesmo de eu contar quem era e que estaria trabalhando com eles".

Apesar de atuar mais nos bastidores, Giovanna afirma que não parou de cantar ou fazer projetos solos, como Quero Mais de Você (2026) e Ponto Cardeal (2025). A jovem diz que ainda tem próximos projetos na música envolvendo letras que mesclem inglês, português e espanhol.

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