Carlos Bolsonaro falta a sabatina, e ausências começam a incomodar aliados

A assessoria de Carlos nega que ele tenha confirmado presença. "Inclusive, avisamos que esta semana ele iria para Brasília. Todos sabem que ele, por determinação judicial, só pode visitar o pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] às quartas ou sábados, às 8h", informou. Os horários de visita, porém, não coincidiram com o da sabatina.
Carlos também faltou aos dois debates já realizados com candidatos ao Senado. O primeiro ocorreu na rádio Som Maior, em Criciúma (SC), em 17 de agosto, e o segundo foi o da rádio CBN, na sede da NSC em Florianópolis, em 23 de agosto. Ele também já recusou os convites para as sabatinas da NDTV, afiliada da Record, em 18 de setembro, e do Portal Upiara, em 29 de setembro. Em relação aos próximos debates, a assessoria do candidato diz que sua participação está em "avaliação".
Segundo aliados, a ausência de Carlos é estratégica —o objetivo seria evitar constrangimentos. Carlos tem pouca experiência em debates e conhece pouco o estado, o que o deixaria vulnerável a armadilhas de adversários e entrevistadores, de acordo com os correligionários. Havia, contudo, uma expectativa que ele participasse de algumas entrevistas, como a da Jovem Pan, lida como uma emissora "aliada" e que dificilmente faria perguntas tão duras quanto as de outras sabatinas que ele recusou. A ausência foi considerada um erro.
Mas a estratégia de não participar de debates e entrevistas já é vista como ineficaz. Aliados que antes consideravam acertado poupar Carlos, que seria o principal alvo dos adversários, hoj, avaliam que a ausência reforça a imagem de distância do estado. O candidato, dizem, parece confiante de que tem feito o suficiente e, por ora, não mostra disposição de participar dos próximos debates e entrevistas. Para esses aliados, Carlos parece mais preocupado com a campanha do irmão Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, e isso pode lhe custar a vaga no Senado.
Adversários exploram as ausências de Carlos. A esquerda enfatiza a origem carioca do candidato e a ligação da família Bolsonaro com investigações na Justiça. Mesmo outros candidatos da direita e da centro-direita surfam no tema. Na terça-feira (8), em sabatina também na Jovem Pan, o candidato ao Senado Jeferson Rocha (PRD) cobrou Carlos por fugir dos confrontos. "Pelo amor de Deus, frouxo assim a gente não quer aqui", disse ele, que já declarou voto em Carol de Toni (PL), colega de chapa de Carlos —há duas vagas em disputa este ano. Até o candidato Esperidião Amin (PP), que evita atacar Carlos diretamente, tem defendido o voto de "catarinense em catarinense".
Preocupação com as ausências virou incômodo após o temporal que atingiu Santa Catarina em agosto. Uma ala do PL fiel a Jair Bolsonaro recebeu o filho dele com entusiasmo e, ainda que preocupada com o que consideravam o pouco empenho de Carlos na campanha, evitavam criticá-lo até nos bastidores. Isso mudou no fim de semana de 29 de agosto. Carlos viajou a Brasília naquela manhã para visitar o pai e, mesmo com o agravamento dos impactos na Grande Florianópolis, não antecipou sua volta. Só retornou ao estado na segunda-feira, dia 31.
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