Cálculo de ranking da Folha revela quais estados entregam mais serviços à população com menos dinheiro
O Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F) chega à segunda edição com o objetivo de quantificar o cumprimento de funções básicas das Unidades da Federação (UFs), previstas em lei, em relação aos recursos financeiros disponíveis, medidos pela receita corrente líquida (RCL) de cada Estado.
A lógica central do REE-F é mostrar quem entrega mais serviços à população com menos recursos financeiros.
A seleção das variáveis considera confiabilidade das fontes, rastreabilidade, disponibilidade de dados para as 26 UFs —o Distrito Federal não integra o ranking por suas particularidades—, comparabilidade e facilidade de compreensão. Para cada indicador, foi utilizada a informação mais recente, disponível e comparável no fechamento da edição de 2026.
O núcleo do ranking reúne cinco dimensões, selecionadas de acordo com as responsabilidades estaduais: educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças. A base também inclui indicadores complementares para contextualizar os perfis demográfico, econômico, territorial, fiscal e político dos estados.
Educação — O REE-F considera as obrigações constitucionais e as determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. São avaliados: frequência de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos no ensino fundamental, incluindo os que já cursam o ensino médio; frequência de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio, incluindo os que já ingressaram no ensino superior; ingressantes no ensino superior estadual por 100 mil habitantes; taxa de abandono do ensino médio na rede estadual; e notas médias de língua portuguesa e matemática no Saeb para o ensino médio da rede estadual.
As taxas de frequência têm como referência o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Os demais indicadores usam dados de 2024 do Inep —Censo da Educação Superior, Indicadores Educacionais e Saeb— e, no cálculo dos ingressantes por habitante, a população da Pnad 2024.
Saúde — Considera-se a responsabilidade estadual de garantir cooperação técnica e financeira ao atendimento local e atuar de forma suplementar nas demandas não atendidas regionalmente.
São avaliados cobertura da Atenção Primária à Saúde em 2024, com dados do E-Gestor Atenção Básica e da FGV Ibre; médicos por mil habitantes em 2024, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, da Associação Médica Brasileira; mortalidade infantil em 2024, calculada por óbitos infantis por mil nascidos vivos, com dados do Datasus; e leitos de internação do SUS por mil habitantes em dezembro de 2025, segundo o CNES/Datasus.
Infraestrutura — Considera os percentuais da população atendida por abastecimento de água e esgotamento sanitário, relacionando os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) à população total de cada estado no Censo 2022. Os dados são do Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental.
Para rodovias, considera-se o percentual da extensão classificada como ótima ou boa em seu estado geral, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, da Confederação Nacional do Transporte.
Segurança pública — Utiliza a taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, divulgada no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A categoria reúne homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, em serviço ou fora dele.
Finanças — Considera o comprometimento da RCL com gastos de pessoal ativo e inativo e a relação entre Dívida Consolidada Líquida e RCL, ambos de 2025. A RCL per capita de 2025 é utilizada na etapa final para relacionar os resultados aos recursos disponíveis em cada estado. As informações são do Tesouro Nacional Transparente e do Relatório de Gestão Fiscal em Foco dos Estados e do Distrito Federal.
Para contextualizar os resultados, a base de 2026 inclui ainda despesas empenhadas por função em 2025 —educação, saúde, Previdência, segurança e Legislativo—, obtidas no Siconfi; dados populacionais do Censo 2022, Pnad 2024 ou estimativas de 2025; PIB estadual de 2023 e composição por atividade econômica em 2021; IDHM de 2024; área territorial de 2025; e partido do governador eleito em 2014, 2018 e 2022, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Cálculo do índice — As cinco dimensões recebem escores de 0 a 1, em método semelhante ao utilizado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Calcula-se uma média ponderada, com saúde e educação valendo o dobro das demais dimensões, em razão dos repasses mínimos exigidos pela Constituição. O resultado é então dividido pelo escore da RCL per capita de 2025 de cada estado, dando origem ao Índice de Eficiência do Estado.
Os 26 estados são classificados em quatro categorias, com novos pontos de corte em relação ao ranking anterior, em razão das mudanças nos indicadores e resultados. Buscou-se distribuir os estados em categorias de volume semelhante:
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Eficientes: índice maior ou igual a 0,550;
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Alguma eficiência: de 0,400 a 0,549;
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Pouca eficiência: de 0,350 a 0,399;
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Ineficientes: abaixo de 0,350.
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