A estreia do K-pop no Rock in Rio não poderia ter sido melhor — e o Stray Kids provou isso

De NEXZ a Stray Kids, com passagem por Hwasa, o primeiro dia dedicado ao gênero na história do festival reuniu famílias, fãs de todas as idades e um público ensurdecedor
Kadu Soares (@kadusoares__)
O Rock in Rio nunca tinha visto nada parecido. A primeira noite dedicada ao K-pop na história do festival começou cedo, com o NEXZ abrindo o Palco Mundo ainda no início da tarde, e só terminou de madrugada, quando o último lightstick se apagou após o bis do Stray Kids. No meio do caminho, Hwasa tomou conta do palco principal com presença avassaladora, desceu até a plateia, abraçou fãs e arriscou algumas frases em português.
Mas, antes mesmo de qualquer artista subir ao palco, quem roubou a cena foi o público. Famílias inteiras se espalharam pelo gramado: crianças nos ombros de pais e mães, adolescentes com lightsticks e fantasias, adultos que chegaram ao gênero por meio dos filhos e ficaram. Brasileiros de todos os lugares. Pessoas que chegaram às 5h da manhã para garantir lugar na grade. O K-pop já não é um fenômeno de nicho no Brasil — e o Rock in Rio 2026 foi a prova mais concreta disso.
O Stray Kids não subiu ao palco pelo palco. Entrou pelo chão, caminhando entre a multidão, antes mesmo da primeira nota de “Topline” tocar, o barulho já era enorme. Dava pra ver que os artistas estavam impressionados, com Bang Chan arriscando um “caraca” que resumiu o que todo mundo estava sentindo. “Não consigo ver onde essa galera termina”, disse. (Não era força de expressão.)
O grupo trouxe banda ao vivo que deu peso às faixas mais agressivas, “Thunderous“, do Oddinary (2022), foi devastadora; “God’s Menu” e “Maniac” vieram logo atrás sem deixar a plateia respirar. Changbin dominou os versos de rap com uma presença física que contrasta completamente com o jeito mais leve de Felix e Han nas interações com o público. Hyunjin e Lee Know roubaram a cena nas coreografias, enquanto Seungmin e I.N tinham momentos próprios que arrancavam gritos específicos da galera. “LALALALA” foi o ponto de virada: quando os fogos explodiram no meio do show, o Palco Mundo foi ao limite. O telão de 2.400 m² ficou pequeno, sempre em movimento, sempre em diálogo com as coreografias precisas e dinâmicas. Os dançarinos que entraram em “Walkin’ on Water” ampliaram a escala do espetáculo sem tirar o foco dos oito. “This & That“, do HOP (2025), mostrou o grupo no auge da forma — trap, K-pop e músculo numa faixa só. Um detalhe puxava o outro, e o resultado foi um show que parecia maior do que o próprio Palco Mundo.
A interação foi constante e genuína — e muito natual. Os integrantes se arriscaram em gírias e frases em português, e cada tentativa arrancava gritos à altura. Mais pro final, Bang Chan perguntou qual música o público queria no encerramento e o coro foi uníssono: “Hall of Fame”. O grupo atendeu e ainda foi além. No bis, “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, levando a plateia ao delírio.
O show durou 1h45 e a maior parte do público ficou até o fim, madrugada adentro — do mesmo jeito que chegou horas antes, com lightstick na mão e disposição para cantar cada verso. A estreia do K-pop no Rock in Rio não poderia ter sido melhor.
+++LEIA MAIS: O groove atemporal do Jamiroquai hipnotizou o Rock in Rio 2026
+++LEIA MAIS: Os Garotin e Duquesa: o match que o Palco Sunset não sabia que precisava
Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.