Navio de 500 toneladas afundado de propósito vira 'condomínio' de tubarões nas Maldivas
Um antigo cargueiro construído no Japão em 1980 foi afundado propositalmente nas Maldivas para se transformar em atração para mergulhadores e contribuir para a vida marinha da região. Com quase 500 toneladas e 66,36 metros de comprimento, a embarcação já foi colonizada por corais e passou a atrair diferentes espécies.
O navio está submerso nas águas do Atol de Noonu, próximo ao resort Siyam World Maldives. A embarcação foi afundada em outubro de 2024 e aberta aos mergulhadores em junho deste ano.
Desde então, dezenas de corais moles e duros foram registrados em sua estrutura, segundo informações divulgadas pelo Sun Siyam Group, responsável pelo projeto.
Animais como tubarões-guitarra, peixes-morcego e cardumes de xaréus também foram observados ao redor da embarcação.
Por que o navio foi afundado de propósito?
A ideia começou em 2021, quando Ahmed Siyam Mohamed, fundador e presidente do Sun Siyam Group, propôs transformar uma embarcação antiga em uma atração subaquática que também pudesse servir de estrutura para organismos marinhos.
O antigo cargueiro de atum foi localizado no Atol de Lhaviyani. Após a aprovação do governo, a embarcação foi transportada para o Atol de Noonu. O naufrágio controlado ocorreu nas águas do Siyam World em outubro de 2024.
O processo, porém, enfrentou um problema. O ar acumulado no interior do navio fez com que a embarcação chegasse ao fundo de cabeça para baixo. Uma equipe especializada das ilhas de Miladhoo trabalhou durante semanas para corrigir a posição. Bolsas de ar de grandes dimensões e cordas foram usadas para girar o cargueiro até deixá-lo na posição planejada.
Estrutura passou a ser colonizada por corais
Com o tempo, a embarcação passou a funcionar como uma superfície para a fixação de organismos marinhos. Segundo o Sun Siyam Group, diferentes espécies de corais já colonizaram partes do navio. A estrutura também passou a ser frequentada por peixes e outros animais.
O projeto deu origem à iniciativa Wreck to Reef, que permite acompanhar as mudanças no ecossistema formado ao redor da embarcação.
Os hóspedes podem participar de atividades guiadas de plantio de corais, nas quais fragmentos são colocados em estruturas destinadas ao desenvolvimento das colônias.
A primeira edição dos mergulhos ligados à iniciativa ocorreu em junho de 2026 e reuniu mergulhadores profissionais, ambientalistas marinhos, cientistas, criadores de conteúdo e defensores dos oceanos.
Navio também virou atração para mergulhadores
Além da proposta ambiental, o cargueiro funciona como um ponto de mergulho nas Maldivas. A embarcação permite que visitantes percorram uma estrutura submersa enquanto observam o desenvolvimento dos corais e a presença de animais ao redor do casco.
O projeto prevê ainda o acompanhamento do ambiente ao longo do tempo para observar as transformações ocorridas após o naufrágio.
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