Quem mais quer trocar de emprego não é a Gen Z: 58% da Geração X planejam sair em até um ano
A imagem do jovem que troca de emprego a cada ano não se confirma em uma nova pesquisa sobre o mercado de trabalho brasileiro.
Segundo o Termômetro EDC Insights 2026, da EDC Group, 58,1% dos profissionais da Geração X, nascidos entre 1965 e 1980, pretendem mudar de empresa nos próximos 12 meses. Na Geração Z, o índice é de 40,2%. Entre os millennials, de 33,7%.
O estudo, primeira edição de uma série criada pela EDC Group para acompanhar como os profissionais percebem as mudanças no trabalho, ouviu 417 pessoas. Os temas vão de retenção e estresse a produtividade no presencial e impacto da automação nas funções.
No total, 41,5% dos entrevistados projetam trocar de empresa em até um ano. Uma parcela tem pressa: 20,1% pensam em sair nos próximos três meses.
O que prende não é o que faz sair
Salário lidera as duas pontas da equação. É o principal motivo para ficar, citado por 54,9%, e também para sair, apontado por 59,4% de quem planeja mudar de emprego.
A diferença aparece nos fatores seguintes. O relacionamento com a equipe é o segundo motivo para permanecer, com 40%, mas quase não pesa na decisão de ir embora (9,7%). Com o plano de carreira acontece o inverso: ele segura apenas 24% dos profissionais, mas é citado por 57,1% dos que querem sair, praticamente empatado com o salário.
Na prática, o colega de mesa ajuda a manter o profissional na empresa. A falta de perspectiva de crescimento é o que o empurra para fora.
Quando a conta não fecha, a intenção de saída dobra
Quatro em cada dez entrevistados (40,5%) avaliam que a troca entre o que entregam e o que recebem em salário, benefícios e experiência está abaixo ou muito abaixo do esperado. Nesse grupo, 60,9% pretendem mudar de empresa em até 12 meses, contra 28,2% entre quem considera a relação equilibrada.
O desgaste emocional segue o mesmo padrão. Um em cada quatro profissionais (25,7%) relata estresse alto ou esgotamento “quase sempre” ou “sempre”. A intenção de saída cresce conforme a frequência do problema: 25,5% entre quem nunca ou raramente se sente assim, 44,7% entre quem sente às vezes e 58,9% entre quem convive com isso de forma recorrente.
Quando os dois sinais aparecem juntos, troca desigual e estresse frequente, o índice chega a 68,1%. Excesso de trabalho (27,2%), problemas com a liderança (18,7%) e pressão por metas (16,4%) lideram as causas do desgaste. A própria pesquisa ressalta que os cruzamentos indicam associação entre os fatores, não relação de causa.
O escritório sem propósito também pesa
Profissionais em regime 100% presencial, 64,5% da amostra, mostram mais intenção de sair (45,4%) do que os que trabalham no modelo híbrido (34,1%).
O dado mais forte, porém, está em como a ida ao escritório é organizada. Entre os 21,3% que não percebem nenhuma ação clara da empresa para tornar o presencial produtivo, 76,3% pretendem sair em até um ano. Entre os que identificam ao menos uma iniciativa, como presença ativa da liderança, tecnologia que funciona ou salas adequadas, o índice cai para 31,3%.
A pressão sobe com o cargo
Os recortes por senioridade mostram que o desgaste se concentra nos níveis de gestão. Entre líderes, coordenadores e gerentes, 34% relatam estresse frequente, contra 21,5% dos analistas e 20% dos profissionais em início de carreira.
É também nesse grupo que a saída parece mais iminente: 26,7% dos gestores pretendem mudar de empresa nos próximos três meses, a maior taxa entre os níveis analisados. Os motivos variam com a fase da carreira. Salário pesa mais para quem está na base (68,4%), plano de carreira para os analistas (66,7%), e cultura e benefícios ganham espaço entre os líderes.
IA muda a função, mas não assusta tanto
A automação já faz parte da rotina de 87% dos entrevistados, e 73,6% esperam que o escopo do próprio trabalho mude de forma moderada ou intensa nos próximos três anos. Ainda assim, 70% não acreditam que a função vá desaparecer ou encolher muito em cinco anos.
Quem mais usa ferramentas automatizadas é justamente quem mais prevê transformação: 83,2% entre os que já automatizam mais da metade do trabalho. Esse grupo, porém, demonstra menos medo de substituição (23%) do que quem automatiza até metade das tarefas (32,4%).
Diante de uma mudança relevante, 70% dizem que apostariam em cursos e certificações de curto prazo. Para crescer na própria área, experiência prática e portfólio ainda lideram, com 34,5%.
A tecnologia redesenha as funções. Quem decide ficar ou sair, por enquanto, continua respondendo ao chefe, à carga de trabalho e ao contracheque.
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