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Thursday, September 24, 2026

Lula volta a criticar Trump: “Fala como se estivesse ameaçando”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a fazer críticas a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na noite desta quarta-feira (23). Em agenda no Rio de Janeiro, o petista disse que o norte-americano fala "como se estivesse ameaçando todo mundo".

"Ele [Donald Trump] fala em toda reunião, 'eu sou o maior do mundo, eu tenho o maior do mundo, eu gosto do maior do mundo', sabe? Como se tivesse ameaçando todo mundo", disse Lula. "Eu, como um ser do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa, e nós estamos ganhando na narrativa", acrescentou.

O chefe do Planalto também mencionou o discurso que fez na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) na terça-feira (22) e disse que é "importante" que os eleitores comparem o posicionamento dele com o de Trump.

"Eu não sei se vocês perceberam ontem a importância do meu discurso na Assembleia Geral da ONU, não foi só meu discurso. O importante foi comparar meu discurso com o discurso do Trump", destacou.

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"É importante você comparar o discurso de um presidente de um país em desenvolvimento e comparar com o discurso de um presidente que começa dizendo 'eu tenho o maior exército do mundo, eu tenho a maior baía do mundo, eu tenho mais foguete do mundo, eu tenho a melhor bomba do mundo, eu sou o país mais forte do mundo'", prosseguiu.

O petista foi o primeiro chefe de Estado a falar na conferência. Na ocasião, Lula defendeu a soberania do país e disse que não vai permitir que inimigos da democracia, sejam internos ou externos, atentem contra ela. Durante o discurso, ainda mencionou o cenário eleitoral brasileiro, afirmando que, em outubro, a população vai decidir entre "democracia e negacionismo".

Nesta noite, Lula cumpre agenda de campanha no Rio de Janeiro e realiza evento cultural com artistas e lideranças políticas para apresentar propostas para o setor. Entre as personalidades presentes, participam do ato a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Críticas a Trump

Nos últimos dias, Lula tem feito críticas ao líder norte-americano. Em entrevista exclusiva à âncora da CNN Christiane Amanpour na última segunda (21), o petista voltou a chamar Trump de "imperador".

O termo já tinha sido usado pelo chefe do Planalto em ao menos duas ocasiões.

Em julho do ano passado, também em entrevista à CNN, o brasileiro disse que era preciso lembrar Trump de que ele foi eleito para governar os EUA, não "para ser o imperador do mundo".

Em junho deste ano, Lula afirmou que o norte-americano continuava agindo como um "imperador" e que "fala muito e ouve pouco".

Nos últimos dias, ao falar do líder da Casa Branca, o petista também tem mencionado uma "preocupação" com possível interferência americana nas eleições brasileiras. À CNN, Lula disse já ter conversado com Trump sobre o assunto e afirmou que o presidente dos EUA comunicou que não pretende interferir no pleito de outubro.

"Ele [Donald Trump] já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim. É bom que seja assim", destacou Lula. "É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento", acrescentou.

O chefe do Planalto relatou ter pedido que Trump não interfira no pleito de outubro pra não acabar com a relação "sofisticada" entre o Brasil e os EUA.

Nesta quarta, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que atuar sobre eleições de outros países não faz parte da estratégia americana.

Em relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou sobre possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito de outubro. A chance de interferência, segundo a agência, aumentou para um "nível de criticidade".

O relatório cita documentos do governo norte-americano entre novembro de 2025 e maio de 2026. Conforme a Abin, há uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e uma "intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA".

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