De 'clanker' a 'brainrot': o novo dicionário da internet criado pela IA
RESUMO +
Clanker é a gíria pejorativa para robôs e chatbots; slop designa conteúdo de IA genérico e malfeito; vibe coder é quem cria programas por comandos de texto; e brainrot descreve o desgaste causado pelo excesso de conteúdo raso. Os termos entraram em dicionários como Oxford, Collins e Macquarie entre 2024 e 2025.
Entre 2024 e 2025, três dos principais dicionários de língua inglesa escolheram como palavra do ano termos ligados à internet e à inteligência artificial (IA): brainrot (Oxford), vibe coding (Collins) e AI slop (Macquarie).
Somados à clanker, gíria pejorativa para robôs, eles formam um dicionário informal da IA que circula no TikTok, no X, no Reddit e em fóruns de desenvolvedores.
Os quatro termos nomeiam coisas diferentes, mas partem de incômodos parecidos: o atendimento automatizado, o volume de conteúdo sintético nas redes, a facilidade de criar software sem entender o código e o cansaço com o feed.
O que significa clanker?
Clanker é uma gíria pejorativa em inglês para robôs, chatbots, assistentes de voz e agentes de IA. O Merriam-Webster registra a palavra como insulto a máquinas, e o Dictionary.com amplia o sentido para qualquer tecnologia velha ou em mau estado.
O nome imita o som de metal batendo. A palavra aparece na ficção científica desde 1958, mas ganhou fama com Star Wars: no jogo Republic Commando (2005) e na série animada The Clone Wars (2008), os soldados clones chamam os droides de batalha de clankers.
Em 2025, o termo viralizou no TikTok em vídeos que tratam de robôs de entrega, carros autônomos, assistentes de voz e atendentes virtuais com desprezo exagerado. O uso mais comum é o desabafo, como o do cliente que não consegue resolver um problema com o chatbot do banco.
Chamar um chatbot de clanker é ofensivo?
O alvo é uma máquina, não uma pessoa, e o tom é de deboche.
A crítica de linguistas recai sobre parte dos memes, que encenam o termo como um insulto de ficção e copiam a gramática de ofensas contra grupos humanos.
Para esses críticos, a piada banaliza o discurso discriminatório quando faz essa comparação.
O que é AI slop?
AI slop, ou só slop (a "lavagem" servida a porcos), é o conteúdo gerado por IA em grande volume e com baixa qualidade. O Macquarie Dictionary, referência do inglês australiano, elegeu o termo como palavra do ano de 2025 e o define como material de IA generativa com erros frequentes, exibido sem que o usuário tenha pedido.
A crítica não recai sobre o uso de IA, e sim sobre o resultado sem valor: listas genéricas, artigos sem apuração, imagens com anatomia estranha e vídeos sintéticos de animais ou celebridades feitos para render cliques. Nos buscadores, o slop disputa espaço com páginas de informação verificada.
Como identificar slop nas redes e nas buscas?
Alguns sinais ajudam a separar conteúdo útil de material automatizado:
- Texto genérico: frases que servem para qualquer assunto e repetem a mesma ideia com outras palavras;
- Falta de fonte: números e afirmações sem origem indicada ou com links que não levam ao dado citado;
- Imagem com falhas: mãos com dedos a mais, letreiros ilegíveis, sombras e reflexos incoerentes;
- Título apelativo: promessa sensacionalista que o conteúdo não cumpre.
Antes de compartilhar, procurar a informação na fonte original resolve a maior parte das dúvidas.
O que é vibe coding e quem é o vibe coder?
Vibe coding é criar software descrevendo para uma IA, em linguagem comum, o que se quer, em vez de escrever o código linha a linha. O termo foi cunhado em fevereiro de 2025 por Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, para um modo de programar em que a pessoa aceita as sugestões do modelo sem ler o código gerado.
O vibe coder é quem adota esse fluxo: pede um site, um app ou uma automação ao Claude, ao ChatGPT ou a plataformas como Cursor, Replit e Lovable, testa o resultado e corrige com novos comandos. O Collins Dictionary elegeu vibe coding como palavra do ano de 2025.
O rótulo pode ser elogio ou crítica. Vale para quem constrói protótipos rápido sem formação em programação e para quem coloca no ar sistemas frágeis, sem revisão.
Quais os riscos de criar um app com vibe coding?
O problema está em confundir "funciona na minha tela" com "está pronto para uso real". Um relatório da Veracode de julho de 2025 encontrou falhas de segurança da lista OWASP Top 10 em 45% das amostras de código gerado por IA.
Uma análise da CodeRabbit apontou 1,7 vez mais problemas em pull requests feitos com IA do que em código escrito só por pessoas.
As falhas mais comuns são chaves de API e senhas expostas, login mal configurado, permissões excessivas e bancos de dados abertos. Há ainda o slopsquatting: a IA inventa o nome de uma biblioteca que não existe, e criminosos registram um pacote malicioso com esse nome.
Para projetos pessoais e protótipos, o vibe coding atende bem. Quando o app envolve pagamento ou dados pessoais de clientes, especialistas em segurança recomendam:
- Proteger credenciais: não colar senhas nem chaves de API no prompt;
- Revisar acessos: conferir a autenticação e as permissões de cada tipo de usuário;
- Testar antes de publicar: rodar testes e programas de análise de segurança no código;
- Pedir revisão profissional: submeter o projeto a um desenvolvedor antes de lidar com dinheiro ou dados de terceiros.
O que significa brainrot?
Brainrot, ou brain rot ("podridão cerebral"), descreve a sensação de desgaste mental causada pelo consumo excessivo de conteúdo trivial na internet.
A Oxford University Press elegeu o termo palavra do ano de 2024, após votação pública com mais de 37 mil participantes.
A palavra tem dois usos. Pode nomear o próprio conteúdo, como vídeos absurdos e memes repetitivos, ou o efeito em quem passa uma hora rolando o feed sem reter nada. A gíria ganhou força entre a geração Z e a geração Alpha.
A ligação com a IA está no volume: o slop abastece os feeds, e o brainrot é o cansaço de quem consome esse material. O fenômeno, porém, também depende do desenho das plataformas e dos algoritmos de recomendação.
Como reduzir o brainrot no dia a dia?
Algumas medidas diminuem a exposição a conteúdo raso:
- Limite de tempo: configurar alertas de uso para apps de vídeo curto nos ajustes do Android e do iOS;
- Limpeza do feed: deixar de seguir perfis de conteúdo automático e marcar "não tenho interesse" em vídeos repetitivos;
- Fontes verificadas: priorizar perfis de veículos e especialistas com nome e histórico;
- Troca de hábito: substituir parte do scroll por leitura ou atividades fora da tela.
Perguntas frequentes
Todo conteúdo feito com IA é slop?
Não. O termo se aplica a material de baixa qualidade e sem utilidade. Um texto produzido com apoio de IA, revisado e checado, não entra na definição.
Brainrot é um diagnóstico médico?
Não. É uma expressão coloquial. Estudos tratam de fadiga mental e uso excessivo de telas, mas brainrot não é uma condição clínica.
Precisa saber programar para fazer vibe coding?
Para protótipos e projetos pessoais, não. Em apps que lidam com pagamento ou dados de terceiros, conhecimento técnico ou revisão profissional reduzem o risco de falhas de segurança.
Existe tradução para essas gírias em português?
Não há equivalente consolidado. Nas redes brasileiras, clanker, slop, vibe coder e brainrot circulam em inglês.
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