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Sunday, October 18, 2026

Lisboa, cinco anos depois

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Há cinco anos, tomei posse como presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Estava consciente da missão que tinha pela frente e sabia que a cidade precisava de uma mudança profunda e urgente. Precisava de uma Câmara que estivesse mais perto das pessoas, que ouvisse antes de decidir e que se focasse mais em fazer do que em prometer. Quando olho para estes cinco anos, vejo essa transformação todos os dias na rua.

Lembram-se de quando, entre 2010 e 2020, a construção de casas estagnou, os bairros municipais estavam ao abandono e se deixou o alojamento local descontrolado, provocando uma crise de habitação como há décadas não se vivia?

Há um longo caminho a fazer na habitação, mas uma coisa é certa: se há cidade que se bateu para responder, foi Lisboa. Executámos o maior investimento de sempre (560 milhões de euros), ultrapassando o Programa Especial de Realojamento (PER) de Aníbal Cavaco Silva e Jorge Sampaio na década de 1990. Focámo-nos em reabilitar 2.000 apartamentos municipais que estavam vazios e em construir nova habitação de raiz.

Ao fim de cinco anos, entregámos mais de 3.440 chaves aos lisboetas. Não subimos as rendas municipais para ajudar as pessoas a responder à inflação, fizemos obras de restauro em 374 prédios municipais e demos um enorme impulso a um programa para ajudar a pagar renda em que já apoiámos 1.800 famílias.

Pusemos também um travão ao alojamento local. Sem ideologias, mas com firmeza, respeitando quem precisa dessa fonte de rendimento para viver, mas impondo limites nos bairros históricos e cancelando milhares de licenças inativas.

Vamos mais longe: queremos voltar a ver as jovens famílias lisboetas a viver em Alfama, na Baixa, na Estrela e na Bica. Por isso, lançámos um programa sem paralelo em que reabilitamos imóveis nos bairros históricos e arrendamo-los aos jovens a preços acessíveis. Já entregámos as primeiras casas e queremos chegar às 700 até 2029.

Só que os jovens não precisam só de habitação. Sempre acreditei que aquilo de que mais precisam é de esperança no futuro. Um emprego e um salário digno que lhes permita viver e crescer na nossa cidade. Quando olhámos para este desafio, percebemos que o setor tecnológico era aquele que pagava melhores salários, três vezes acima da média, e também aquele que oferecia os projetos mais inovadores e estimulantes.

Foi por isso que lançámos a Fábrica de Unicórnios, para trazer para Lisboa as grandes tecnológicas de todo o mundo. Em cinco anos, vieram 120 empresas que criaram 18 mil postos de trabalho! Classificado como um dos dez melhores programas europeus, a Fábrica de Unicórnios tornou-se o motor da qualidade de vida das novas gerações e valeu a Lisboa o prestigiado prémio da Capital Europeia da Inovação em 2023.

Além de tudo isto, algo mais mudou no dia a dia dos lisboetas. Lembram-se de quando os jardins da cidade não eram cuidados, com a Estrela ao abandono, o Parque Tejo como um autêntico aterro sanitário e a Tapada das Necessidades não passava de um projeto na gaveta? Hoje, os nossos jardins voltaram a ser tratados com o mesmo carinho com que se cuida do próprio quintal. Está a nascer um novo espaço verde na cidade, com 44 hectares, no Parque Papa Francisco. Requalificámos 16 jardins emblemáticos, estamos a devolver aos lisboetas os jardins da Avenida da Liberdade, plantámos 34 árvores por dia em toda a cidade e está em curso o processo de plantação de mais duas mil nas caldeiras vazias.

Lembram-se de quando 70% dos autocarros eram a combustíveis fósseis, as paragens velhas e descuidadas e a GIRA só cobria metade das freguesias? Hoje, metade dos nossos autocarros são movidos a energias limpas. Temos transportes públicos gratuitos para jovens e para quem tem mais de 65 anos, medida que conta já com 110 mil beneficiários. Criámos sete parques dissuasores nas entradas da cidade, com 1.800 lugares de estacionamento, para limitar a entrada de carros na cidade. Duplicámos a rede GIRA, renovámos 1.750 paragens de autocarro e instalámos 50 WC públicos, algo que há muito era pedido pelos lisboetas. Na mobilidade suave, a rede de ciclovias cresceu a um ritmo de 50 metros por dia.

Há cinco anos, encontrámos uma higiene urbana abandonada, com poucos meios e um problema de separação de tarefas com as juntas de freguesia. Contratámos mais 800 pessoas, aumentámos os incentivos e rendimentos dos trabalhadores e comprámos camiões de recolha e pequenos veículos para circular nos bairros. Aumentámos em 90% as ações de fiscalização e investimos como nunca na limpeza de grafitis.

Lembram-se de ver a antiga Feira Popular ao abandono, o Vale de Santo António esquecido, a Av. Fontes Pereira Melo com edifícios a cair e os buracos na estrada na Rua Ferreira Borges, na Calçada da Estrela ou na Avenida da Liberdade? Hoje, estão renovadas, tal como outras 130 ruas que repavimentámos, num investimento de 33 milhões de euros – o dobro dos cinco anos anteriores. Desbloqueámos grandes áreas em toda a cidade (mais de 250 hectares), licenciámos 14.514 projetos e reduzimos em 20% o tempo de apreciação, com um dinamismo que há muito não se via em Lisboa.

Lembram-se de quando se falava do Plano de Drenagem como uma dessas infraestruturas prometidas durante décadas, mas nunca executadas? Hoje essa obra é uma realidade, com o túnel de Campolide-Santa Apolónia concluído e Chelas-Beato em construção. Uma obra monumental, invisível e fundamental para o futuro da cidade.

Lembram-se de quando o Marquês de Pombal era dominado por cartazes partidários, tal como a Alameda, o Saldanha e tantas outras zonas emblemáticas da cidade? Retirámos 136 cartazes de grandes formatos e hoje estas praças recuperaram a beleza original, reintegrando o nosso património histórico.

Lembram-se de quando a CML se descartava dos problemas na saúde, na educação e nas creches por não fazerem parte da sua esfera de competências? Mudámos essa forma de pensar. Acredito que ninguém está mais bem posicionado do que a autarquia para conhecer os problemas das pessoas. E se eu puder fazer algo para ajudar, farei. Foi por isso que construímos dez novas creches, com 600 vagas, quando se tornou difícil para os pais conseguirem um lugar para as suas crianças. Foi por isso que renovámos 13 escolas e jardins de infância que estavam sem condições dignas para receber os alunos. Foi por isso que criámos um plano de saúde gratuito para os mais idosos, que tantas vezes não conseguiam ter acesso a um médico de família.

Completam-se hoje cinco anos desde que abracei a honra de servir a minha cidade. Fi-lo porque considerei que era urgente Lisboa ter uma nova forma de fazer política. Com um Presidente que se dedica aos problemas do dia a dia, que ouve e decide com as pessoas e que faz da rua o seu gabinete. Menos promessas, menos palavras e mais ação. Mais capacidade para gerir projetos, para os executar no terreno e apresentar resultados às pessoas todos os dias. Foi por isso que aceitei este desafio: para mudar a vida das pessoas.

Mas também porque sou um lisboeta orgulhoso e nunca o escondi. Orgulho-me das nossas marchas, dos nossos bairros, das nossas tradições, que voltaram ao centro da política cultural da cidade. Orgulho-me da nossa história e da nossa arte, que conta com mais sete teatros e quatro museus que estão nas bocas do mundo, como o MUDE ou o Pavilhão Julião Sarmento. Orgulho-me das nossas pessoas, da sua incansável solidariedade, da sua tolerância e da sua força.

Lisboetas, os próximos cinco anos vão ser muito desafiantes para todos nós. Há forças políticas apostadas em colocar-nos uns contra os outros, em promover o ódio, a tensão social e, por vezes, em gerar a anarquia e o caos. Há muitos que não procuram a verdade nem resolver os nossos problemas, mas que preferem culpar, atacar e destruir, sem soluções.

A minha forma de fazer política é diferente e contarão sempre comigo para estar ao vosso lado, todos os dias. Foram cinco anos de mudança. Cinco anos para ti, lisboeta.

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