Jesus afina um rolo compressor. Ronaldo entra na engrenagem?

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Casa cheia nesta edição especial de "E o Campeão É". 5 de outubro, é feriado, mas aqui há muito para analisar, principalmente na seleção nacional. Vamos hoje contar com os comentários do João Pinto, do Luís Pinto Coelho, do Gabriel Alves, do Agostinho Inácio e do Pedro Henriques. Eu sou o Miguel Cordeiro e vamos analisar, naturalmente, ao longo da próxima hora, a prestação desportiva da seleção nacional e a porta aberta, quase escancarada, que ontem Jorge Jesus e Pedro Proença deixaram para Cristiano Ronaldo regressar à seleção. Vamos falar destes dois temas. Eu quero privilegiar a prestação da seleção portuguesa e, portanto, vou começar por aí, Gabriel Alves. O que te pareceu esta exibição frente ao adversário mais difícil deste grupo, teoricamente, e parece-me que aquilo que aconteceu nos dois jogos comprova essa teoria. Uma Noruega, mais uma vez, muito difícil, mas Portugal com um bom futebol e com golaços a responder à dificuldade dessa Noruega.
Boa tarde a todos. Bom feriado para todos os observadores. Falando aqui da prestação da seleção nacional nesta fase inicial desta Liga das Nações, uma nota excelente para os jogadores, para o treinador, para aquilo que foi o conjunto dos desafios. Uma nota para Jorge Jesus no sentido de que é um treinador que chega sem tempo para poder fazer aquilo que é o treino de campo, que ele ontem ressalvou, e bem, e teve que fazer o tal treino de sala. E esse treino de sala funcionou. Funcionou porque os jogadores também aderiram, foram atentos, foram concentrados, foram bons alunos. De resto, depois explanaram no terreno aquilo que é a sua qualidade. E isso mostrou-se nos quatro jogos, não é só a questão das vitórias. As vitórias também se constroem com essas exibições, com essa capacidade, com esse rendimento, mas acima de tudo, o futebol que obviamente foram capazes de apreender no tal treino de sala. Quanto ao jogo de ontem, eu definiria assim: a técnica da força deu erro. É uma expressão muito do futebol, deu erro. Isto é, os quatro jogos intensos, enquanto que a força da técnica geriu melhor esse desgaste dos quatro jogos em tão pouco, em tão reduzido espaço de tempo. Portugal vence completamente, meritoriamente, mais capaz, soube controlar melhor as ações. Não foi tão brilhante a nota artística como foi com a Dinamarca, um jogo empolgante, mas deixa aqui, naturalmente, em relação ao futuro, porque isto é o princípio, notas extremamente interessantes. Quanto aos gols, eu diria que-
Perdemos aqui a ligação ao Gabriel Alves. Já vamos tentar recuperar essa ligação com o Gabriel Alves. Já vamos para ouvir essa parte final da opinião do Gabriel sobre este resultado da seleção portuguesa. Agostinho Inácio, bem-vindo também a esta edição do "Campeão É". Ficaste satisfeito com aquilo que fez a seleção portuguesa ontem no Estádio do Dragão?
Boa tarde a todos. Deixa dizer que isto é quatro jogos, eu diria com brilhantismo, que não se esperava. Uma equipa que não tem tempo para treinar e que obtém os resultados, e além dos resultados, foi crescendo à medida que os jogos foram avançando. Culminou com uma excelente exibição na Dinamarca e que ontem fez um bom jogo, principalmente na primeira parte. Na segunda, não tanto, porque a carga física também tomou conta dos jogadores, como é evidente, mas diria que Portugal começou a ganhar. É um Portugal que a gente olha para esta equipa e diz que este Portugal não tem nada a ver com o Portugal dos anos anteriores. Isso é trabalho em mérito do treinador, quer queiramos, quer não. Ele é que pôs a equipa a jogar assim, a ser atrevido, a ser persistente na frente, a jogar no risco, a jogar cá atrás um contra um sem qualquer problema. Acredita nos jogadores que tem, os jogadores também compraram essa ideia e também estão a fazer. Vejo uma atitude diferente para melhor. Vejo os jogadores comprometidos com aquilo que é a defesa do resultado ou ir à procura do resultado para que se ganhe os três pontos. Eu diria que Portugal, olhando para o futuro, temos expectativas do que Portugal poderá valer ainda mais no futuro. Mas isso depois com o tempo se vai ver, mas diria que sim, gostei muito destes quatro jogos que Portugal fez, tem 12 pontos. Eu diria que Portugal está num bom momento nesse sentido e tem tudo para crescer, porque acho que Portugal tem muito para dar ainda, que há coisas ali por afinar, como é evidente, e só podia ser assim. Que Portugal não estivesse sempre num nível muito bom, vai haver aqui alguns abaixamentos aqui ou acolá, mas o espírito, aquilo que é o olhar para a vitória, acho que isso é muito importante, os passos que temos a dar.
É isso. Pedro Henriques, está resolvido. A questão da qualificação para a próxima fase da Liga das Nações, por agora está feito.
Sim. Vamos lá ver. Para já, bom dia. Dizer que sob o ponto de vista prático e imediato, que é estar em março nos quartos-final, está resolvido, porque matematicamente já não há volta a dar. E com esta nuance, que é sermos primeiros classificados, porque quando começamos a olhar, que é normal, obviamente, para chegar aos quartos e sobretudo para aquilo que será uma final four, depois em junho, teremos outras seleções que vão atingir esse patamar e, portanto, se não nos cruzamos nestes quartos-final, como, por exemplo, de repente, Espanha, era bom sinal. Se bem que eu sei que a malta gosta sempre de chegar Sim, a Inglaterra também está. Mas a Inglaterra espetou sete e tinha espetado cinco. É tudo na Croácia. Eu, em relação à Inglaterra, que está a jogar bem, é uma grande seleção e está a fazer coisas muito positivas, tenho sempre aquela questão que é: Portugal encaixa sempre normalmente bem com esse tipo de jogos. Agora, não há adversários fáceis, obviamente, mas de qualquer maneira vamos ver o que vai dar, até porque neste momento não é o propósito. A Liga das Nações ainda não atingiu aquele patamar, embora nós já tenhamos ganho duas edições, começa a ter importância. O formato está muito bem desenhado. Em vez de andarmos a fazer jogos amigáveis, isto conta e até conta para apuramentos posteriores, europeus, etc. Eu acho que não é propriamente aquela competição que as seleções europeias ainda olhem como é um Campeonato da Europa e um Campeonato do Mundo. E, portanto, até propriamente para a própria seleção nacional, o seu staff, o olho estará, claro, se ganharmos de novo a competição ótima, mas estará muito naquilo que é o Campeonato da Europa e dois anos depois o Campeonato do Mundo. Vamos ver, uma vez resolvido, e este é um fato, houve uma pergunta que o Jorge Jesus deixou em aberto relativamente ao que vai fazer agora em novembro, e ainda estamos aqui a colocar a questão do Cristiano Ronaldo. Estamos a colocar, porque a pergunta foi muito taxativa, que é a oportunidade a outros jogadores que eventualmente possam surgir ou não tenham tido tanta oportunidade, uma vez que está resolvido, ou preparar já os quartos-final. E ele foi muito evasivo em relação a isso, falando sempre naquilo que é se jogarem nos seus clubes e estiverem bem e em forma, pode ser uma oportunidade, ainda vai amadurecer a ideia, porque ele próprio também se calhar ainda não sabe nesse aspeto o que vai responder. Agora conseguimos o mais importante, ganhámos 2-1, tivemos números desta vez até superiores à Noruega, também jogámos em casa, como por exemplo 59% de posse de bola, os remates 20 contra 9 ou os remates enquadrados sete contra três. E houve aqui uma superioridade, no meu ponto de vista, de Portugal, não só relativamente ao mais importante que é o resultado final, como sobretudo também nestes números. E depois, tudo aquilo que nós podemos tirar deste jogo sob o ponto de vista também dos jogadores. O Cancelo e o Gonçalo Ramos acho que efetivamente, além dos dois gols que marcaram, estão num patamar bastante elevado. O Gonçalo Ramos que vai cumprindo com aquilo que é, está sempre a apontar baterias, porque no fundo é ele que diretamente substituiu o Cristiano Ronaldo e ele marcar, ele que também vem de uma Itália, por campeonato, em que também há muita desconfiança em relação aos valores que foram pagos, e acho que deu aqui uma grande resposta. E Portugal, de uma maneira geral, eu acho que esteve bastante bem. Para mim, o Cancelo foi o melhor em campo. E depois aqueles pormenores que têm que ser limados, por exemplo, o Francisco Conceição deixa-nos numa situação, para mim é pênalti sobre o Francisco Conceição, mas deixa-nos numa situação muito desconfortável, com pequenos comportamentos que não podem se ter a este nível. Sobretudo, aceito que um primeiro protesto, um cartão amarelo, agora depois do árbitro mostrar amarelo, fazer aquele ficho, não pode acontecer. E é este tipo de coisas que têm que ser limadas sob pena do próprio Jorge Jesus acabar por mais à frente, naquilo que sejam jogos decisivos, não apostar em jogadores que podem deitar tudo abaixo. Parabéns a Portugal, parabéns a Jorge Jesus e obviamente que há aqui um assunto que se calhar ainda haveremos abordar, que é a questão colateral, que não podemos deixar escapar ela, que é a questão do Cristiano Ronaldo.
E provavelmente Francisco Conceição é um dos jogadores a arriscar na próxima convocatória. São dois jogos e vai ter que cumprir essa suspensão, não poder jogar nos próximos jogos. Já voltamos a esta edição de "E o Campeão É..." e na segunda parte vamos começar precisamente pelo Gabriel Alves, que ficou com a opinião um pouco pendurada há pouco quando perdemos essa ligação. Vamos fazer uma curta pausa para atualizar a informação e já voltamos, principalmente para falar também dessa porta aberta que Jorge Jesus e Pedro Proença deixaram de forma escancarada para Cristiano Ronaldo. E continuamos a analisar a exibição de Portugal frente à Noruega. Gabriel Alves, há pouco a opinião ficou um pouco pendurada, perdemos a ligação. Vamos a essa conclusão da ideia que estavas a passar sobre a exibição de Portugal.
Não, eu estava a focar os três gols, portanto fantásticos, quer o gol da Noruega, quer o gol de Portugal.
Somente o do Cancelo, não é? Aquele golo máximo.
Exatamente. É um gol que ele fez dois iguais há pouco tempo, ao serviço do Barcelona, que eu estive presente, e é de facto, está com uma pontaria e bem. Ele é um excelente jogador em termos de aula. Se defendesse tão bem como ataca, ui, então onde é que ele estaria? Enfim. Mas muito bom. E depois a última jogada, que é uma jogada de futebol corrido, é naturalmente uma jogada de grande futebol. E eu quero destacar aqui o momento em que a bola chega ao João Félix e a clarividência, o esclarecimento que ele tem de obviamente colocar a bola para haver a emenda do Gonçalo na boca da baliza. Excelente. Foi divertido, essa questão dos gols foram, de facto, aquilo que é o melhor do futebol, foram fantásticos. Quanto ao resto, é o futuro da seleção, está dado o primeiro passo. Eu estive a ouvir o que disseram os meus companheiros aqui no observador, completamente de acordo. Agora vamos partir para a segunda fase. Agora, Jorge Jesus. Eu acho que Jorge Jesus, e aqui tenho que dar uma nota já, Jorge Jesus não precisa ter um ego tão. Tem que estar ufano. Nós temos que bater palmas, porque ele é um treinador autodidata. Ele começou no Amora e hoje é selecionador nacional. Com um trajeto fantástico, sustentado de vários clubes, 10 títulos no Benfica, variadíssimos títulos no Flamengo, onde ganhou a Libertadores, a Supertaça, Campeão do Brasil, a Supertaça Sul-Americana, no Sporting com uma Supertaça e uma liga, na Arábia Saudita com dois títulos, a Taça da Turquia da Turquia. Portanto, não precisa desse ego. Eu sei que ele está no ADN Seja mais comedido. Está na Seleção Nacional e não dê conselhos aos outros treinadores, nem critique. Ontem deu um conselho mais ao Rúben Amorim sobre o Gonçalo Guedes. Deixe o Rúben Amorim trabalhar lá onde está. E ele trabalha aqui e trabalha bem.
Sim, o Gonçalo Ramos.
Sim, Gonçalo Ramos. E trabalha muito bem. Portanto, que dê todo o seu ATN, todo o seu conteúdo, todo o seu saber à seleção de todos nós, ao país.
João Pinto, ontem vimos aqui também uma faceta da seleção que é a capacidade de remontada. Ainda não tínhamos visto com o Jorge Jesus. Portugal consegue mais uma boa exibição e agora mostra também já esse caráter para dar a volta ao resultado?
Olá, bom dia. O golo cai um bocado do céu. O golo norueguês cai um bocado do céu, a meu golo da carreira do homem. Mas sim, é bom saber que realmente não perdes o espírito, mas aquilo que mais me apetece sublinhar é que realmente quando jogas bonito e jogas para a frente, tens sempre maior probabilidade de ganhar. É nisso que o Jorge Jesus está a meter as fichas todas e sempre meteu. Sempre foi a marca d'água dele. Aliás, o Gabriel Alves disse há bocado, e disse muito bem, aquele pormenor do treino em sala. Acho que é um pormenor muito bem apanhado, porque foi aí que o JJ convenceu o grupo a comprar a estratégia da equipa técnica. Foi aí que ele convenceu aquela malta que desta vez é para jogar no risco. E isso é bonito, especialmente sabendo, e nós sempre vimos isso ao longo que íamos passando na carreira do JJ, que ele era sempre muito ávido a comprar mais um, mais outro, mais outro, e agora não precisa comprar ninguém. Agora tem a loja de doces cheia, os jogadores são todos extraordinários, tem realmente um plantel fabuloso à sua disposição e consegue finalmente meter em campo tudo aquilo que ele idealizava e todo o género de estratégia que se consegue tirar quando tens uma atitude como ele tem. Portanto, é um vencedor. O JJ sempre foi treinador de clube grande, sempre foi um treinador de títulos, mesmo quando não os conseguiu ganhar.
Luís Pinto de Coelho, as tuas notas sobre esta exibição. Ontem também estiveste no comentário este jogo, já deixaste a tua opinião também no relatório de jogo, mas agora já a frio, fazendo o balanço também desses quatro jogos, este foi o melhor que Portugal teve ao comando de Jorge Jesus?
Olá, bom dia. Eu vim aqui para pôr um cadinho de água na fervura, porque também já conheço a carreira do Jorge Jesus e também sei muitas vezes que de início empolga muito, mas depois no final acaba por perder muito também. E eu acho que Portugal ontem faz um excelente jogo, é um jogo muito bem conseguido e acho que o João Pinto gosta muito daquela expressão que a seleção é para a gente se divertir e isso, vamos nos divertir sem dúvida, porque é um jogo mais apelativo, mais agradável para os olhos. Se com isso vamos ganhar títulos é um cadinho diferente, porque eu não acho que o jogar bonito seja sinónimo de jogar bem. É um cadinho diferente. E o que eu vi ontem no Dragão, contra outro estilo de seleções, nós não vamos ganhar, porque jogar quatro para quatro cá atrás contra, por exemplo, a Inglaterra, com os jogadores que a Inglaterra tem, se calhar vamos passar mal. Por isso, vamos com calma, porque se calhar é preciso ainda muitos ajustes para a gente, para Portugal depois, quando chegar a esses jogos de decisão e não jogos de grupo, darmos o passo em frente. Mas que este ciclo de quatro jogos foi muito positivo, isso parece-me evidente. Eu diria que o jogo da Dinamarca e o jogo de ontem são os mais bem conseguidos, os dois primeiros nem tanto, mas também é normal no início de trabalho. Mas vamos com calma, porque ainda é muito cedo para tirar essas conclusões e ontem vi demasiado risco num jogo em que a gente se calhar não se precisava de expor tanto. Conseguimos a vitória, bem injusta, mas acho que o Jorge Jesus, nos próximos jogos, quartos-finais, meias-finais, se a gente lá chegar, acho que tem que fazer ajustes para que a gente possa realmente depois vencer o troféu.
Ontem, no final do jogo, contámos também com as declarações de Pedro Proença. Falou pela primeira vez o presidente da Federação Portuguesa de Futebol sobre o caso Cristiano Ronaldo, a saída, o abandono do estágio da Seleção Nacional. Jorge Jesus também falou sobre o assunto mais uma vez, aqui para dizer que tem a porta completamente aberta e depois, num momento de conferência de imprensa um pouco lamentável, mas o momento em que Jorge Jesus disse que não tem que pedir desculpas a ninguém, deixou essa mensagem, mas antes disso, e também durante a conferência de imprensa, foi dizendo que Cristiano Ronaldo tem a porta aberta para regressar à seleção. Pedro Proença disse praticamente o mesmo e referiu ainda que Portugal tem que fazer uma vénia a Cristiano Ronaldo. Augusto Inácio, o que te pareceu o que disse Pedro Proença? Ficaste esclarecido sobre a posição da Federação Portuguesa de Futebol e sobre aquilo que podem ser os próximos passos desta polêmica?
Eu acho que há aqui um outro grande problema que eu não sei como é que vai ser ultrapassado, sinceramente. É que aqui já não é uma questão do Cristiano Ronaldo voltar à seleção ou não voltar à seleção. Já é uma relação pessoal que está completamente afetada entre o Cristiano Ronaldo e o selecionador. Estiveram um ano a trabalhar juntos no Al-Nassr, estiveram agora na Seleção Nacional. Eu continuo a dizer que independentemente das críticas que se possam fazer, e eu acho que sim, devem ser feitas à atitude do Cristiano Ronaldo de abandonar o estágio da Seleção Nacional, é verdade, mas também ninguém me tira da cabeça que o Cristiano Ronaldo seja um maluquinho, porque não o é.
E se ele ia a caminho do estádio para treinar e que não havia problema nenhum, porque antes parecia que as coisas estavam sanadas, depois da conferência de imprensa, aliás, no comunicado, o Cristiano Ronaldo diz: "Após a conferência do treinador, eu decidi abandonar a seleção nacional". Ou seja, foi através da conferência de imprensa que o Jorge Jesus falou e disse, e que fez com que o Cristiano Ronaldo tomasse essa atitude. Pode ser condenável ou não, eu acho que sim, que é condenável, não devia abandonar a seleção, mas isso são outras histórias. Por isso é que eu não acredito, sinceramente, seria uma surpresa pra mim, que essas coisas fossem ultrapassadas com esta coisa do Cristiano Ronaldo se quiser vem, se não quiser não vem, ele é que decide. As coisas não são bem assim, porque há outras coisas para se ultrapassar, que me parece que não vão ser ultrapassadas. E na minha opinião, o Cristiano Ronaldo não vai voltar à seleção nacional, porque a relação com o seu treinador não é a melhor, nem nunca mais o Cristiano Ronaldo vai ter confiança na relação que teve com o Jorge Jesus, porque essa foi danificada para sempre, diria eu. Oxalá que esteja enganado, não gostaria que fosse assim, mas parece-me que há aí outras coisas que a gente ainda não ouviu o Cristiano Ronaldo falar, só ouvimos o Jorge Jesus, não ouvimos mais ninguém e o Pedro Proença ontem a dizer que isto vai ser resolvido dentro de casa, não me parece que seja assim, mas vamos ver, o futuro é que vai dizer.
João Pinto, Jorge Jesus está aqui a afinar esse rolo compressor que foi assim descrito noutras equipes, a forma de jogar, este embalo que tem nas equipes, esta motivação que dá e estavas a destacar isso mesmo. Cristiano Ronaldo a voltar, seria uma ajuda para esse rolo compressor ou poderia ser areia na engrenagem?
Sinceramente, o que eu acho é que muito para lá do Jorge Jesus, tenho muitas dúvidas que o grupo o receba com essa parcimônia toda, com essa vontade toda, com muito amor e muito carinho. Acho que muito dificilmente isto se compõe deixando toda a gente de cara lavada. Acho que o Cristiano Ronaldo está a abusar do estatuto que tem. Só o faz porque sabe quem é, só o faz porque sabe o que movimenta. Portanto, custa muito que as pessoas se dobrem, se permitam este gênero de coisas. Mas pronto, eu também tenho só 50 anos, tenho o meu feitio, tenho esta maneira de levar as coisas a sério. Se têm que fazer homenagem ao homem, façam, convoquem quem têm que convocar, vamos ver quem é que lhe passa a bola e a quem é que ele passa a bola. De resto, acho que é tudo uma situação extraordinariamente lamentável, porque alguém decidiu fazer birra porque não jogava. Mas bem fervido, no fundo é isso.
Mas gostaste de ouvir Pedro Proença?
Não gostei. Achei que ele esteve mal. Achei que não há vênias nenhumas pra se fazer a um menino que se portou mal. E quando as coisas são assim, já partimos de um pressuposto errado, porque o Cristiano Ronaldo agora pode dizer: "Não, eu vou, mas vêm me buscar de avião e recebem-me no aeroporto e eu quero o presidente da República lá e toda mundo tem que ter meu corte de cabelo." Porque ele já percebeu que pegar nas malas, sair do estágio, não dizer mais nada a ninguém, não é suficiente pra ser posto na linha.
Gabriel Alves, tua opinião sobre o que disse Pedro Proença ontem no final do encontro.
Olha, face a um caso complexo, em vez de fazer um comunicado com cabeça, tronco e membros, com uma conferência de imprensa, veio, como eu previ no programa anterior, com uma conversa de circunstância a voar por cima do ninho de cucos. O que faz temer Pedro Proença? Esta é uma pergunta que eu ponho, porque quem não deve, não teme. Falta de liderança patente na linha de outros casos que vão assolando a Federação Portuguesa de Futebol nesta altura, tendo a ele, Pedro Proença, como epicentro. Não esquecer que quando Ronaldo abandonou a seleção na Escandinávia, quer Pedro Proença, quer Jorge Jesus correram ao aeroporto pra tentar impedir, e CR7 virou-lhes as costas. Não esquecer isto. E por que foram ao aeroporto? Líderes de outras federações e de outras grandes empresas. É que a Federação Portuguesa atual é uma empresa forte. E o que condiciona Jorge Jesus? É outra pergunta que se põe. O seu falar é manifestamente condicionado. Nota-se. Avivado ontem pela pergunta, a última, quase que lhe saltava a tampa pro jornalista do Correio da Manhã. Mas obviamente que ele foi condicionado, está condicionado. Até porque o elemento da comunicação da federação teve ou foi instado, mandado intervir pra acabar com aquilo rapidamente. Portanto, o que é que condiciona Jorge Jesus? Se não quiserem, estou a citar Cristiano Ronaldo, contar comigo, estou a citar Cristiano, se não quiserem contar comigo na seleção, agarro na minha mala e vou-me embora. Isto disse Cristiano Ronaldo. Portanto, aguardamos agora de CR7 uma explicação, e que aquela mensagem de partida seja completamente descapitalizada por ele, seja dada com todo o pormenor e detalhe, não esquecendo a última linha, quando deseja o melhor à seleção, sem exceção. Portanto, isso é fundamental que também venha tudo. Onde quer que seja agora, CR7, com ou sem razão, tem que vir a terreiro, tem que vir mostrar aquilo que é a verdade que ele disse. Eu conto a verdade toda. Então traga Eu deixo aqui só uma nota. 23 anos de carreira, mas eu acho que isso é importante que se diga. Em 2011, quando ele estava no máximo no Real Madrid, a marca de Ronaldo valia 24,5 milhões. Em 2020, aos 35 anos, a marca valia 200 milhões. Em 2020 para cá, quando é decadência, é normal, decadência desportiva, e todos nós sabemos, a marca saltou de 200 milhões para 850 milhões. Eu acho que isso são números que é preciso tê-los também no contexto. E dizer que há dois meses, três, que terminou o campeonato do mundo, CR7 fez 29 postes. Ora bem, por esses 29 postes, 85 milhões de euros. Os seus restantes companheiros fizeram 565 postes, renderam 68 milhões de euros. Egos? Há muitos, imensos. E basta ver. E penso que se o do Cristiano Ronaldo é grande, obviamente que é, cuidado, Gonçalo Ramos, porque aquele poste que ele pôs ontem no final, cuidado, Gonçalo. E quanto a Bruno Fernandes, tenha atenção que a televisão mostra tudo. As câmaras e os realizadores mostram tudo em backup, isto é, em plano apertado.
Luís Pinto Coelho, a tua análise também sobre essa posição de Pedro Proença e de Jorge Jesus no final deste encontro.
Eu vou tentar ser rápido, isso eu sinto. Eu acho que o Jorge Jesus curvou-se e o Pedro Proença ajoelhou-se. E ajoelhou-se e curvaram-se perante o jogador que cometeu um erro, e isso é que ainda é mais complexo. Mas eu até queria aqui fazer uma referência a outras questões que me parecem, que até me incomodam, que é esta sociedade está um bocadinho assim, é achar que alguém que é bilionário e que é a pessoa mais seguida nas redes sociais tem que ser referência para alguém. Não é por alguém ter muito dinheiro e ter muitos seguidores que tem que ser uma referência. E o Jorge Jesus ontem disse que ele tem que ser referência para os nossos jovens jogadores. Um capitão que acaba de abandonar um estágio. O Cristiano Ronaldo faz mais de 10 anos que não deveria ser referência para nenhum jovem jogador, a partir do momento que ele acha que o futebol é um desporto individual. E é esse que é o problema. Eu já nem vou falar das outras questões da vida, que nem é para ir por aí. Mas os valores estão todos trocados. O homem mais poderoso do mundo neste momento é um ser intragável. E não é por ser o homem mais poderoso do mundo que as pessoas têm que dizer que ele tem que ser admirado ou respeitado. O Cristiano Ronaldo é multimilionário e é seguido por milhões e milhões de pessoas. Mas isso não diz nada do caráter da pessoa. Diz que ele se esforçou para chegar onde chegou, ok, mas se ele fosse o melhor pedreiro do mundo, não era milionário. E a pessoa também se esforça para ser muito bom. E o problema é sempre este agachar, porque é alguém que é muito famoso e é muito conhecido. E percebeu-se claramente que quem manda na seleção e quem mandou nos últimos anos na seleção é Cristiano Ronaldo. E esse é que é o grande problema. E estamos a construir algo interessante agora com o Jorge Jesus e podemos deitar tudo a perder, porque volta se quiser e depois se voltar, o quê? Vai para o banco e está lá com o cronômetro, só pode aquecer 10 minutos ou 20. Regressar para quê? Só havia uma hipótese de Ronaldo regressar. Era ele pedir desculpa e dizer que estava de cabeça quente, tomou uma posição que não devia. Aí ainda consigo aceitar. Agora, quem não comete os erros é quase que pede desculpa e pede para ele voltar. Está tudo invertido.
Pedro Henriques, de facto, Jorge Jesus e Pedro Proença deixaram aqui a tônica que depende agora de Cristiano Ronaldo. Este depende agora de Cristiano Ronaldo é ele se quiser voltar, volta ou é um depende se quiser pedir desculpa e voltar, volta?
Eu acho que não é nenhuma das coisas. Vamos lá ver. O Jorge Jesus, quando convocou o Cristiano Ronaldo, convocou porque desportivamente, na opinião de Jorge Jesus, e não venham dizer que o Jorge Jesus foi condicionado por isso, porque o Jorge Jesus não é condicionado para pô-lo a aquecer e para tomar a decisão que toma, portanto, não há nenhum condicionamento. Jorge Jesus quando convoca o Cristiano Ronaldo, é porque desportivamente, para ele, o Cristiano Ronaldo tem uma palavra a dizer naquilo que são os 25 selecionados. Podemos, depois, não concordar que ele já não teve lugar e que há outros pontas de lança. Ok. Mas o Jorge Jesus convoca nessa perspectiva e ele ontem reforçou isso, que não obstante este dito mal-entendido, ele seria sempre convocado e tem a porta aberta para a dupla jornada, foi o que ele disse, e a palavra CR7 porta aberta foi dito por Jorge Jesus, porque desportivamente, e ele depois até parou e disse: "Atenção que neste jogo era titular". Portanto, para o plano do Jorge Jesus, primeiro e último jogo, ou primeiro e quarto, digamos assim, era titular, porque desportivamente ele tinha algo a acrescentar. E eu acho que isso é importante. Depois, o Jorge Jesus diz que há aqui um mal-entendido e fala num aspecto que é relevante, que é que houve outras pessoas envolvidas que estragaram toda a situação, palavras de Jorge Jesus, o que significa que naqueles telefonemas que o Cristiano Ronaldo recebe na pós-conferência de imprensa, e já foi aqui explicado e bem, é o pós-conferência de imprensa que faz com que o jogador que estava no túnel e preparado para entrar com os seus colegas, toma a atitude errada, como tomou errada no final do jogo contra a Noruega, em que não entrou e que como capitão tinha que ser o primeiro a ir à frente, errada porque abandona um estágio e não o pode fazer. E agora aqui entramos exatamente naquilo que é o Pedro Proença, porque o Pedro Proença ontem também abandonou. Não sei se viram, abandonou as perguntas ou as respostas às jornalistas da RTP, quando de repente já não deu a hipótese
Há a pergunta e a resposta mais relevante e importante. É que qualquer jogador que abandone um estágio tem, de acordo com o Regulamento Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol, artigo 160, parágrafo um, a multa de 500 a 1000 euros. Obviamente, nem vamos falar sobre isso, mas a tal suspensão pode ir de um mês a seis meses. E este é que é o aspecto relevante e importante. É que mesmo que o Cristiano Ronaldo faça as ditas pazes, vai-se passar por cima de um regulamento que tem uma punição, sim ou não? Independentemente de ele desportivamente ser considerado como uma pessoa válida e eventualmente até haver essa reunião ou esse acordo. E termino com isto em relação ao Pedro Proença, por que eu acho que ele falhou ontem naquele que é o seu comunicado? Porque, como disse o Gabriel Alves, foi mais uma entrevista de circunstância e este assunto merecia uma entrevista, mesmo que fosse de circunstância, com uma preparação que ele não estava preparado. Ele foi ali só para mandar mais umas palavras. Toda a gente sabe que ele tem uma carreira, que foi brilhante, que é um jogador extraordinário, incomparável com todos os outros, e aqui não coloco os Pelés, nem os Eusébios e outros tempos, portanto, incomparável com todos os outros, sobretudo nestes últimos 30, 40 anos da era moderna. Não há qualquer hipótese de fazer, por tudo o que atingiu desportivamente, também fora das quatro linhas, mas obviamente que não obstante isso, e nós sabemos isso, há aqui um aspecto que tem a ver com aquilo que é uma gestão de um grupo, a questão da liderança, a questão das punições, daquilo que são os exemplos bons ou maus, e que depois os outros jogadores também não irão compreender como é que pode haver dois pesos, duas medidas. Porque o Jorge Jesus foi claro, estatuto é uma coisa e há diferenças, as regras são iguais para todos. Termino com isto. Ontem, um dos jovens, das crianças, que foi entrevistado à porta do estádio, dos muitos vídeos que há, perguntaram: "O que achas de Jorge Jesus?" E o miúdo, e as crianças é que respondem de forma inocente e sincera, olhou para o pai e perguntou: "Quem é o Jorge Jesus?" E o pai disse: "É o treinador da seleção." E quem estava a entrevistar até começou a rir. "Então, o que achas do Cristiano Ronaldo? Gostas muito dele?" "Gosto, gosto." E o miúdo perguntou: "É porque ele marca muitos gols?" "Não, é pela carreira dele." É bom percebermos que o Cristiano Ronaldo não é por ser milionário, que é uma referência, é por tudo o que ele fez como jogador de futebol, independentemente da sua personalidade e do muito que ele faz, por isso é que é uma expressão para jovens, para crianças, do muito que ele tem ajudado. E ele também não se expõe, e há outras pessoas assim, não se expõe publicamente a dizer quando ajuda ou quando não ajuda. Nós depois ficamos a saber. O Cristiano Ronaldo, no meu ponto de vista, e é a minha opinião, é claramente uma referência que comete erros como todos os outros seres humanos e agora cometeu um erro sob o ponto de vista daquilo que é o estar num grupo.
Ora, temos aqui muitos aspetos para nota. Gabriel Alves, vou começar por ti. Tenho 30 segundos para cada um. Peço que cumpram esse tempo. Vamos às notas de campeão.
Olha, 14 para Jorge Jesus, e não lhe dou mais por causa do ego, porque eu estou aqui a olhar para as carreiras do Mourinho, do Carlos Queiroz, do próprio Fernando Santos, que trouxe as duas primeiras taças para Portugal a nível de séries, Carlos Queiroz, bicampeão do mundo de juniores e que reestruturou tudo aquilo que hoje é o futebol português. Isto é o Pinto Coelho, quando vamos esperar, naturalmente, aquilo que vai ser a seguir o Jorge Jesus, que começa em grande depois. Espero que o 14 seja para levantar. Quero deixar 15 ao João Félix, porque de facto é outro jogador. Também espero a sua evolução e quero deixar 18 ao Nuno Mendes, palmas. Grande jogador. Se querem dizer o melhor do mundo dos jogadores portugueses, só têm a dizer é deste. É o melhor lateral esquerdo.
Augusto Inácio.
Pelo trajeto da seleção nacional, claramente, quatro jogos, quatro vitórias, embora me pareça a mim que o jogo da Dinamarca foi o mais bem conseguido, mas não deixa de ser quatro jogos, quatro vitórias, que tenham realmente este andamento e continuem assim. Para já, nota 16, mas espero dar nota 20 quando terminar esta edição da Liga das Nações e que Portugal possa vencer, mas para já, nota 15.
Pedro Henriques.
Minha nota 20 vai para Portugal e para os portugueses, sob o ponto de vista, estamos a falar de futebol, obviamente, é bom que as pessoas entendam. Temos muito orgulho na nossa seleção. No meu caso concreto, e portanto aqui vou falar por mim, tenho muito orgulho na carreira do Cristiano Ronaldo e em tudo aquilo que ele aporta. Para mim, será sempre alguém que está acima do que é um jogador extraordinário. Para mim, é claramente uma lenda viva e espero que se resolva todo este problema, com erros que o Cristiano Ronaldo cometeu, para bem dos portugueses e de Portugal, que ama o futebol, que ama a seleção, mas que também ama o Cristiano Ronaldo.
João Pinto.
Um 18 para este início do Jorge Jesus. Realmente um início fantástico a mostrar aquilo que ainda pode melhorar.
Luís Pinto de Coelho, para fechar.
Zero para a federação, da forma como está a gerir tudo isto. E um 18 para aquele tridente de Portugal ofensivo que joga, que é uma maravilha, Vitinha, João Félix e Gonçalo Ramos. E ontem mais uma vez provaram que podem ser uma tremenda mais-valia e encantam os olhos de os ver jogar os três juntos.
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