RTP DesportoRúben Rodrigues e Rui Raimundo venceram o Rali da ÁguaESPN DeportesRyan García respalda sus palabras y noquea a Conor Benn para retener título welter CMBESPNTeam USA-France gold medal game preview: Les Bleues have been the better team so far in BerlinPunchArmy arrests suspected kidnapper with arms in EdoThe Jerusalem PostRosh Hashanah 2026: What does ‘shana tova’ mean in an Israel divided by politics? - opinionInquirer EntertainmentJapan-based Filipina pageant organizer wins own crown in Myanmar한겨레브릭스 정상들 “국제법 위반한 제재 반대…중동 분쟁 자제를”UOLComo cultivar azulzinhaוואלהנשיא איראן לאחר פגישתו עם יורש העצר של אבו דאבי: "הסכמנו לשים את העבר בצד"ХабрMEO: ещё одна маркетинговая аббревиатура или реальная техническая проблема ранжирования?Il Sole 24 OreTurismo: americani in città d’arte, inglesi sulle isole. Sorpresa polacca al SudGlobal NewsDawson college shooting survivor now serves as Montreal police officer 20 years later
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 13, 2026

Com IA e eleições, decisão da Meta de trocar jornalistas por usuários na checagem alerta América Latina

Translate

A Meta decidiu substituir verificadores profissionais por usuários anônimos na checagem de conteúdos em suas plataformas na América Latina, medida que especialistas consideram arriscada em meio ao avanço de vídeos e imagens fabricados por inteligência artificial. A mudança ocorre enquanto países da região, incluindo o Brasil, enfrentam campanhas eleitorais marcadas por forte risco de manipulações digitais e fake news.

A decisão da Meta de substituir verificadores profissionais por usuários anônimos na checagem de conteúdos em suas plataformas ocorre em um momento de forte preocupação com a circulação de notícias falsas em períodos eleitorais. No Brasil, onde a disputa municipal deste ano já mobiliza redes de desinformação e ferramentas de inteligência artificial capazes de fabricar vídeos, áudios e imagens com aparência realista, especialistas alertam que a mudança pode ampliar a vulnerabilidade do público.

Leia tambémNobel da Paz alerta para "momento extremamente perigoso" após decisão da Meta de acabar com checagem de fatos

A empresa pretende implantar na América Latina o sistema de "notas da comunidade", já testado nos Estados Unidos, e que reduz o papel de verificadores independentes.

Laura Sanabria, editora do "Detector de Mentiras" do site colombiano La Silla Vacía e integrante da Junta de LatamChequea, afirma que a substituição dos verificadores profissionais por colaboradores voluntários tende a enfraquecer o combate à manipulação digital. "Nossa tarefa consiste em monitorar, no caso de Facebook, Instagram e Threads, os conteúdos potencialmente desinformadores que podem estar circulando e verificá-los, produzir um artigo jornalístico com metodologia clara e classificar esses conteúdos em diferentes níveis, que vão desde algo completamente falso até um alerta de que se trata de material feito com inteligência artificial, uma possível fraude, algo que carece de contexto. Também alertamos a plataforma para que tome as medidas que considerar necessárias. É o Facebook que decide se coloca etiquetas, se reduz o alcance pelo algoritmo ou se suspende ou bloqueia uma conta."

Leia tambémEleições sob pressão: o avanço da desinformação e dos ataques cibernéticos

A rede de verificadores profissionais foi criada pela própria Meta há dez anos e remunera mais de 80 veículos em diferentes países, incluindo a AFP. A empresa agora pretende reduzir custos e transferir a verificação para usuários voluntários, como já ocorre na rede X. Segundo Sanabria, o modelo não tem demonstrado eficácia. "Hoje, como as notas da comunidade precisam ser avaliadas por pelo menos duas pessoas de perfis diferentes e que já tenham avaliado conteúdos distintos, o que observamos nos estudos feitos no X é que essas notas só se tornam públicas quando o conteúdo já deixou de ser viral. Ou seja, a nota aparece para todos quando já passaram as 48 horas cruciais de uma publicação. O efeito é ainda pior, porque a nota chega tarde demais."

Sanabria afirma que o trabalho dos verificadores profissionais produz impacto mais rápido e mais consistente. "O conteúdo que nós, verificadores independentes, analisamos costuma gerar algum tipo de mudança de comportamento, por exemplo nas contas que compartilham informações falsas. Nosso tempo de resposta é muito menor, de cerca de três a quatro dias." Ela destaca ainda que o sistema de notas da comunidade tende a privilegiar conteúdos em inglês.

Continua após a publicidade

"Os dados que analisamos mostram que as notas da comunidade não melhoram o programa de verificadores independentes. A maioria das notas é publicada em inglês, e isso é fundamental mencionar porque, após os Estados Unidos, eles querem desmontar o sistema em língua espanhola. Os usuários ficam mais desprotegidos porque há menos 'colaboradores' fazendo esse trabalho."

Em 2025, a Meta implantou o sistema nos Estados Unidos, poucos dias antes da posse de Donald Trump. Ainda não há data para sua chegada à América Latina. A mudança ocorre em meio à expansão de conteúdos manipulados por inteligência artificial, que já interferem em debates públicos e campanhas políticas em diferentes países. No Brasil, autoridades eleitorais têm alertado para o risco de vídeos fabricados com IA, capazes de simular declarações inexistentes de candidatos, influenciar o comportamento de eleitores e gerar crises artificiais.

Recentemente, La Silla Vacía alertou a Meta sobre um vídeo viral com 1,5 milhão de visualizações que mostrava supostas marchas contra o governo colombiano. As imagens eram falsas, e a plataforma classificou o conteúdo como enganoso. O episódio reforçou a preocupação de verificadores profissionais com a redução das equipes especializadas e a transferência da responsabilidade para usuários sem treinamento.

Leia tambémComo o acordo bilionário da Meta vai mexer com a rotina online de adolescentes nos EUA

O risco de manipulação

O sistema de notas da comunidade, que a Meta pretende expandir para 16 países latino-americanos, funciona como uma ferramenta de moderação coletiva. Usuários voluntários escrevem observações que podem ser anexadas a publicações consideradas enganosas ou pouco claras. Para que uma nota apareça, é necessário que um número suficiente de colaboradores a considere útil.

Continua após a publicidade

O modelo foi inspirado no sistema criado pelo Twitter em 2021, posteriormente ampliado após a compra da plataforma por Elon Musk. Em janeiro de 2025, a Meta anunciou que encerraria o programa de verificação profissional nos Estados Unidos e o substituiria por esse mecanismo. Para participar, o usuário precisa ter mais de 18 anos, possuir conta ativa há pelo menos seis meses e não ter histórico de violações reiteradas das regras da empresa.

Especialistas em tecnologia e desinformação alertam para os riscos do modelo. Christine Balagué, fundadora da rede de pesquisa Good in Tech, afirma que a verificação baseada na multidão pode ser facilmente manipulada.

"A multidão pode acertar, mas também pode incluir pessoas mal-intencionadas que atuam para difundir e ampliar desinformação."

O Conselho de Supervisão da Meta, criado para avaliar decisões de moderação, advertiu em março que a expansão global do sistema pode gerar riscos consideráveis para direitos humanos e causar danos concretos, especialmente em países com histórico de repressão política. O órgão destacou que, em contextos eleitorais e situações de crise, grupos coordenados podem manipular notas da comunidade para reforçar narrativas falsas.

Leia tambémFurioso, bilionário Elon Musk, dono do ex-Twitter, exige renúncia de Alexandre de Moraes da Corte Suprema do Brasil

A inteligência artificial amplia esse risco ao facilitar a criação de redes de contas falsas capazes de atuar de forma sincronizada. Em regiões onde o jornalismo independente enfrenta restrições, o sistema pode se tornar ainda mais vulnerável. A Rede Europeia de Padrões de Verificação de Dados alertou que a redução dos esforços das plataformas para combater a desinformação ameaça a integridade de processos democráticos e a confiança pública.

Continua após a publicidade

A disputa latino-americana por informação confiável

A América Latina vive um ciclo de eleições decisivas, com campanhas marcadas por polarização, circulação de boatos e uso crescente de ferramentas digitais para manipular percepções. No Brasil, a Justiça Eleitoral tem reforçado medidas para conter conteúdos fabricados com IA, enquanto partidos e grupos políticos disputam espaço nas redes com estratégias cada vez mais sofisticadas.

Nesse ambiente, verificadores profissionais desempenham papel central ao identificar manipulações, contextualizar informações e alertar plataformas sobre conteúdos enganosos. A substituição desse trabalho por voluntários anônimos, sem treinamento e sem responsabilidade editorial, preocupa especialistas que veem risco de retrocesso no combate à desinformação.

A decisão da Meta de reduzir investimentos em verificação profissional ocorre em meio à pressão por cortes de custos e à disputa por modelos de moderação menos onerosos. A empresa afirma que as notas da comunidade ampliam a participação dos usuários e tornam o processo mais transparente. Verificadores independentes, porém, argumentam que o sistema é lento, vulnerável e incapaz de responder à velocidade com que conteúdos falsos se espalham.

Para Sanabria, o impacto da mudança será sentido de forma mais intensa em países onde a desinformação já opera com força. "Os usuários ficam mais desprotegidos", afirma. A expansão do sistema na América Latina deve ocorrer ao longo dos próximos meses, sem data definida para início.

View the original on UOL

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.