Guerra no Oriente Médio fez F1 levar GP do Bahrein para a Malásia; entenda

Circuito de Sepang, palco do GP da Malásia e do GP do Bahrein de 2026 da F1, no ano de 2016 — Foto: Lars Baron/Getty Images
A F1 não divulgou, oficialmente, o motivo para optar por Sepang como nova sede do GP do Bahrein. Entretanto, rumores apontam que a logística foi o principal fator, já que a corrida se encaixará entre os GPs do Azerbaijão e Singapura - esta, em 11 de outubro -, e Sepang fica a apenas 321 km de distância de Singapura.
É possível, inclusive, fazer o trajeto com automóveis, já que a península da Malásia é separada da ilha de Singapura por um estreito de cerca de 60 km de comprimento e cruzado por duas pontes, no estreito de Johor.
Imagem de satélite da NASA registrou, em 2018, distância entre a ilha de Singapura (sul) e a península da Malásia (norte) — Foto: USGS/NASA Landsat data/Orbital Horizon/Gallo Images/Getty Images
As buscas do público no Brasil por informações sobre a prova mostram que, de fato, a mudança no nome e na sede da corrida ainda causa certa estranheza. No último mês, entre as consultas mais frequentes de um dos mecanismos de pesquisa mais populares da internet, aparecem termos relacionados à Malásia, apenas.
Já os termos que registraram maior crescimento no último mês no Brasil, ainda de acordo com a plataforma, são “GP da Malásia 2026”, “Sepang”, “Sepang GP”, “F1 Sepang” e "Horário GP da Malásia".
Buscas sobre o GP da Malásia na internet, no Brasil — Foto: Reprodução/Google Trends
Buscas sobre o GP da Malásia na internet, no Brasil — Foto: Reprodução/Google Trends
Como a guerra afetou o GP do Bahrein
Ainda no início do ano, a F1 começou a sofrer os desdobramentos do conflito instaurado no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Mercedes e McLaren precisaram retirar às pressas seus funcionários do Bahrein, onde participavam de testes para a Pirelli - eles não puderam deixar o país por alguns dias. A região foi alvo de ataques na ocasiaõ, muito próximos do Circuito de Sakhir.
Além disso, alguns aeroportos que servem como importantes pontos de conexão na região, como os do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, foram fechados por causa do confronto. Com isso, mais de mil funcionários de diferentes equipes tiveram a chegada ao GP da Austrália adiada devido a remarcações de voos e conexões improvisadas.
Para minimizar os impactos, a F1 decidiu suspender o toque de recolher nas garagens antes dos treinos, permitindo que todas as equipes tivessem tempo suficiente para preparar os carros para a competição. Em meados de março, a categoria anunciou que não realizaria os GPs da Arábia Saudita e Bahrein nas datas previstas, em 12 e 19 de abril.
Destroços de ataque do Irã em Manama, capital do Bahrein, em março de 2026 — Foto: Stringer/Anadolu via Getty Images
Não existe um balanço único que registre os impactos da guerra até agora. Um dos levantamentos mais recentes foi feito pela agência Al Jazeera no fim de agosto, e registra cerca de 7900 mortos no conflito desde seu início, em 28 de fevereiro, quando quando os EUA e Israel executaram um ataque de grande escala ao Irã, em Terrão, culminando na morte do aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o Pentágono, 18 oficiais dos Estados Unidos morreram, e 757 soldados americanos ficaram feridos. Ataques já foram registrados na Síria, Iraque, Líbano, Israel, Jordânia, Kuwait, Irã e, sobretudo, países-sede da F1: Arábia Saudita, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, que recebe o GP de Abu Dhabi. Catar e Emirados Árabes Unidos são fronteiriços ao Irã, separados apenas pelo Golfo Persa.
Quando a F1 anunciou Malásia como novo destino do GP do Bahrein, regiões próximas dos destinos da categoria na região já haviam sido alvos de vários ataques. Um dos primeiros, que fez com que funcionários da McLaren e Mercedes ficassem presos no país durante os testes da Pirelli, foi em fevereiro: um míssil iraniano caiu na base da Marinha dos EUA no Bahrein, a apenas 30 km do Circuito de Sakhir.
Tanque vazando no local de um incêndio no depósito de combustível da Aramco, próximo ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, na Arábia Saudita — Foto: AFP
A Arábia Saudita registrou as duas primeiras mortes no país em 8 de março, após um projétil militar cair em uma área residencial na cidade de Al-Kharj. Outra ofensiva do Irã na Base Aérea Príncipe Sultan deixou 12 soldados americanos feridos.
O Irã também país bombardeou o complexo de energia Ras Laffan, no Catar, que teve seu espaço aéreo e aeroporto fechados em diversas ocasiões; em julho, o país realizou mais ataques com drones no Bahrein e na Arábia Saudita, deixando quatro mortos e 12 feridos. Jeddah tem recebidos sucessivos alertas de segurança diante do risco do conflito, bem como Doha, capital catari.
Vista do Circuito de Sakhir, palco do GP do Bahrein e da pré-temporada da F1 — Foto: Joe Portlock - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
O GP da F1 na Malásia carregará o nome do Bahrein devido a um acordo entre os dois países, a F1 e a Federação Internacional do Automobilismo (FIA). As partes decidiram que o Bahrein seria mantido como anfitrião e patrocinador da etapa, gerenciando a venda de ingressos e recebendo os lucros.
A organização da prova também ficou por conta dos barenitas. O acordo favoreceu o retorno da Malásia ao calendário da F1, do qual se ausentou pelas dificuldades financeiras com o custeio da prova. A última corrida da categoria no país foi em 2017.
- Expresso minha mais profunda gratidão a Sua Alteza Real, assim como ao governo e ao povo do Bahrein, pela confiança que depositaram na Malásia. Esta colaboração representa mais do que a realização de um evento esportivo de nível mundial. Ela reflete a amizade duradoura, a confiança mútua e a estreita parceria entre a Malásia e o Reino do Bahrein, ao mesmo tempo em que reafirma a disposição e a capacidade da Malásia de sediar grandes eventos internacionais - declarou o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, em uma publicação em suas redes sociais.
Max Verstappen venceu o último GP da Malásia de F1, em 2017 — Foto: Mark Thompson/Getty Images
Entre os exemplos estão os GPs de San Marino, realizados no Circuito de Imola na Itália; o GP da Suíça, promovido na França; e o GP de Luxemburgo, sediado em Nurburgring, na Alemanha. Nurburgring também foi palco do GP da Europa, em 1995, 1996 e 1999 (mesmo ano em que Malásia estreou na categoria).
Com a corrida de 4 de outubro em Sepang, o GP do Bahrein de 2026 será o 30º caso desse tipo na história da F1. O retorno para Sepang também marca o reencontro da categoria com a Malásia após nove anos: o país estreou no calendário em 1999 no recém-inaugurado circuito de Sepang, e recebeu 19 edições do GP até 2017. A última corrida malaia terminou com vitória de Max Verstappen.
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