Centro da Terra se desloca sazonalmente com neve na América do Norte, chuva no Rio Amazonas e água das monções no sudeste da Ásia
A água no nosso planeta se movimenta bastante ao longo do ano: a neve derrete, grandes rios enchem e a umidade do ar muda de lugar dependendo da estação. Toda essa movimentação altera o centro de gravidade da Terra. Por isso, cientistas da Nasa estão acompanhando essas oscilações.
As descobertas de uma equipe liderada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa propuseram um método para calcular como essas mudanças de peso acontecem ao longo do ano.
No estudo, os autores descrevem o degelo da primavera, a movimentação dos oceanos e o ar denso do inverno deslocando grandes massas de superfície de uma estação para outra.
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Segundo a própria Nasa, essa pesquisa não é a primeira tentativa de determinar o centro de massa da Terra. Ao longo das décadas, diversos cientistas desenvolveram técnicas espaciais para definir e localizar o centro de massa do planeta.
Hipoteticamente falando, caso a Terra fosse uma esfera azul rígida, o centro de massa coincidiria com seu centro geométrico. Mas, na realidade, o planeta está em constante movimento e deformação devido ao peso da água, do gelo e do ar.
O vídeo a seguir é do Projeto de Geodésia Espacial da Nasa, que atualmente utiliza uma variedade de técnicas espaciais e terrestres para rastrear o centro de massa da Terra, também chamado de geocentro. Veja:
O quão precisos são esses métodos?
Os métodos atuais para medir a mudança desse centro de massa ainda deixam dúvidas. As últimas duas estimativas feitas no mundo, em 2017 e 2023, apresentaram uma diferença de 7 milímetros. Esse número pode parecer pouco, mas representa uma diferença significativa para algo que se desloca quase na mesma distância.
O que eles descobriram?
Os pesquisadores acompanharam esse movimento do centro de massa da Terra e dividiram as causas em três grandes grupos: os oceanos, a atmosfera e a água nos continentes.
Eles mapearam o "ciclo" desse peso ao longo do ano:
- Março: A neve acumulada na América do Norte e na Eurásia chega ao nível máximo, puxando o centro de massa cerca de 3 milímetros em direção ao Polo Norte;
- Abril: A Bacia Amazônica atinge o ápice de água das chuvas (2.400 gigatoneladas), deslocando o ponto 2,2 milímetros em direção à América do Sul;
- Agosto a Outubro: Com o derretimento do gelo e o volume das chuvas correndo para os mares, os oceanos se enchem. O Oceano Pacífico é tão gigante que o peso de suas águas puxa o centro de massa para o Pacífico Sul;
- Novembro: As chuvas de monção no Sudeste Asiático atingem o pico (600 gigatoneladas), dando mais um leve empurrãozinho na oscilação.
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