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Wednesday, October 28, 2026

36% mais mortes por calor desde Acordo de Paris

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A média anual de mortes relacionadas com o calor aumentou quase 36% em todo o mundo após a entrada em vigor do Acordo de Paris, indica um relatório sobre Saúde e Alterações Climáticas” divulgado esta terça-feira.

O 10.º relatório “Lancet Countdown”, liderado pelo University College London (UCL) em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), refere que “só em 2023, o calor foi associado a um recorde de 710.000 mortes, das quais mais de 70% foram atribuídas às alterações climáticas provocadas pela atividade humana”.

Segundo um comunicado da revista científica Lancet sobre a análise, “o calor esteve associado a uma média estimada de 540.800 mortes por ano entre 2016 e 2023, 68% delas (369.900) causadas pelas alterações climáticas, um aumento em relação aos 55% (219.100) por ano no período de 2006 a 2015”.

No total, os cálculos apontam para quase três milhões de mortes por calor provocadas pelas alterações climáticas entre 2016 e 2023.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na 21.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações sobre Alterações Climáticas (COP21), concretiza o compromisso dos países do mundo de impedir que as temperaturas a nível global subam além dos 2ºC (graus Celsius) em relação à época pré-industrial, e que de preferência esse aumento não ultrapasse os 1,5ºC.

Os autores do relatório dizem que as medidas tomadas para limitar o aquecimento global trouxeram “benefícios concretos para a saúde” da população, mas consideram que são insuficientes para compensar “os danos crescentes causados pelas alterações climáticas”, defendendo que estas sejam declaradas “uma emergência de saúde global”.

“Há dez anos, defendemos que combater as alterações climáticas poderia representar a maior oportunidade para promover a saúde no século XXI, através de medidas de adaptação e de progressos rápidos na redução gradual dos combustíveis fósseis e de outras fontes de emissão”, afirma Anthony Costello, copresidente do Lancet Countdown, citado no comunicado.

“Uma década depois temos provas de que a ação climática centrada na saúde funciona: ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e sistemas de alerta estão a proteger a saúde e a salvar vidas em todo o mundo. Mas o ritmo e a escala da redução das emissões continuam muito aquém do que é necessário face à dimensão e velocidade dos danos”, precisa.

Segundo o relatório, os planos de produção de combustíveis fósseis estão cada vez mais distantes da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

“Atualmente, as 100 maiores empresas de petróleo e gás do mundo planeiam produzir, até 2040, mais 150% de combustíveis fósseis do que o volume compatível com aquela meta, um aumento em relação aos 138% previstos em 2025″.

O estudo assinala que os planos de produção persistem apesar do aumento dos custos dos combustíveis fósseis, que pressionam as finanças públicas, acrescentando que os subsídios líquidos aos mesmos “duplicaram desde 2016”.

“Em resposta aos picos nos preços da energia, os subsídios líquidos globais aos combustíveis fósseis atingiram níveis recorde entre 2022 e 2024”, ano em que “10 países gastaram mais com esses subsídios do que com os seus sistemas de saúde”, refere.

O relatório, que conta com o trabalho de 146 investigadores multidisciplinares de mais de 100 instituições de uma trintena de países, é divulgado a pouco mais de uma semana do início da 31.ª conferência das Nações Unidas sobre o clima, que decorre de 9 a 20 de novembro, na Turquia.

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