PunchAsian Games: South Korea captain apologises over military exemption remarkThe Jerusalem PostThe US and Israel must come to Saudi Arabia’s aid - opinionDaily MaverickGOING PLACES: On a borrowed bike, Siya Ntsele shows what grit and talent can achieveInquirerTyphoon Choi-wan’s trough to bring scattered rains to Visayas, MindanaoESPNAlabama looks like, well, Alabama; Jeremiah Smith is undeniableCNN TürkYunanistan elçisini BM'de terleten soru한겨레‘31살 신인’ 왕정훈, 현대해상 최경주 인비테이셔널서 KPGA 투어 첫 승Straits Times SportTeam Singapore have to ‘keep pressing on’ against mounting Asian competition20 Minuten20 Verletzte – News-Scout erlebt Camping-Inferno hautnah mitMalay MailFrom 3pm to 4.33pm: Bahrain Grand Prix finally gets new start time after Sepang downpourSouth China Morning PostChina’s hospital ships project a different kind of naval power in AfricaZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-Nachrichtenstudio
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, October 4, 2026

É correto usar o passado para falar sobre o futuro?

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Reunimos a língua portuguesa à mesa no Português Suave, todas as semanas comigo, João Costa e Silva e, claro, com o Marco Neves. Olá, Marco.

Olá, está tudo bem?

Tudo bem. E por aí, onde tu estás?

Eu estou bem. Desta vez não estou muito longe, mas por vários motivos estou em casa, não estou no estúdio. Eu gosto de estar no estúdio, mas de vez em quando não é possível.

Sim, isto faz-se na mesma.

Claro, cá estamos a conversar sobre a língua portuguesa, há vantagens e desvantagens das tecnologias de comunicação, mas uma das vantagens é que podemos conversar mesmo sem estar frente a frente, o que também pode ser uma desvantagem.

Sim, depende da perspectiva.

Depende da perspectiva.

Olha, o que temos hoje?

Hoje vamos falar de uma notícia de um juiz brasileiro que se distraiu. Já lá vamos, tem a ver com a língua portuguesa. Depois vamos ver palavras de origens diferentes, ou melhor, não é que sejam diferentes, são palavras com origens curiosas. E por fim, temos uma dúvida e um livro, como é habitual.

Muito bem, vamos avançar então. Língua nas Notícias.

Por causa do Português Suave, e não só, eu ando atento às notícias que tenham que ver com a língua. Neste caso, não é uma notícia sobre a língua, mas é uma notícia sobre a utilização da língua. Houve um juiz no Brasil, em Santa Catarina, que na sua decisão publicada e assinada, deixou aquilo que nós chamamos um prompt de inteligência artificial. O prompt pedia ao Copilot, uma das várias inteligências artificiais, que imitasse o seu próprio estilo. Portanto, ele estava a ser esperto, mas acabou por se distrair e deixar na própria decisão esse tal prompt. A coisa deu polêmica, como é óbvio, mas isto lembrou-me apenas de trazer aqui a palavra prompt, por vários motivos. Primeiro, é um estrangeirismo recente. Nós estamos a trazer uma palavra inglesa para o português para definir estas mensagens que nós pomos na inteligência artificial. Palavra inglesa essa que tem uma origem latina e que tem a mesma origem que uma palavra portuguesa muito comum. Não sei se queres adivinhar.

Deixa-me pensar. Tu fazes-me estas perguntas.

Desculpa. Perdoa-me.

É ver se eu caio na rasteira, não é?

Não, mas é muito óbvio pelo som. Se tu disseres prompt, que palavra portuguesa é que te aparece? Assim, muito rapidamente.

É parecido com pronto.

Exatamente, e essa palavra tem precisamente a mesma origem de prompt. Portanto, dizer prompt ou pronto.

Aliás, se disseres rápido, quase nem se percebe muito bem se estamos a dizer uma ou outra.

Exatamente. Prompt, prompt, vai quase tudo dar ao mesmo. Não vai dar ao mesmo, são duas palavras diferentes, mas têm a mesma origem latina. Vem de uma palavra latina promptus, pronto, preparado. E então temos este prompt, que é uma espécie de preparação para qualquer coisa que os ingleses já usavam muito. A palavra já existia em inglês para outras coisas. Agora, eu tenho duas perguntas aqui para quem nos está a ouvir. Primeiro: há alguma palavra portuguesa que pudesse substituir o prompt? Ou seja, já que estamos ainda nesta fase inicial, será que poderíamos usar uma palavra portuguesa? Ainda estamos a tempo de usar uma palavra portuguesa para substituir o prompt. Eu vou dar a minha opinião.

É polêmica essa opinião?

Não, não é polêmica. E depois, a seguir, vou tentar explicar por que razão é que é tão apetitoso usar uma palavra inglesa neste caso. Mas antes disso, uma possibilidade seria usar a palavra sugestão. Ou seja, uma sugestão para a inteligência artificial. Outra seria mensagem. Só isso, mensagem. Outra que me parece mais adequada, esta é a minha sugestão, é o meu prompt pra língua portuguesa, seria a palavra instrução, dar uma instrução.

Gosto mais dessa, por acaso.

É o que nós estamos a fazer com a inteligência artificial. Estamos a instruir, estamos a dar uma instrução. Fica aqui a minha sugestão.

Exato, tu dizes muitas vezes que é o povo que decide, portanto, já deste aqui três sugestões, não é?

Exatamente. E quando as pessoas dizem: "Ah, usamos estrangeirismos a mais". Nós podemos evitar isso. No momento em que esses estrangeirismos começam a entrar, nós podemos evitar. Depois, com o tempo, eles tornam-se parte da língua e depois começa a ser mais difícil. Mas no início nós podemos evitar. Nós já tivemos estrangeirismos que desapareceram na área do futebol, por exemplo. Futebol foi um dos estrangeirismos que não desapareceu, ficou, foi adaptado e acabamos por ficar com futebol. Mas dentro da área do futebol temos vários em que antigamente nós dizíamos corner, agora dizemos pontapé de canto. Portanto, é possível, podemos fazer isso. Agora, também devo dizer, e esta é a segunda pergunta, devo aqui perguntar: por que razão é que é tão apetitoso usar o prompt? As pessoas dirão: "Ai, porque é inglês, fica bem". Mas há uma razão técnica particular. Quando nós usamos, no âmbito das novas tecnologias ou noutros âmbitos, um estrangeirismo, muitas vezes estamos lhe a dar um sentido muito preciso, que nem sequer tinha na língua de partida. Prompt, em inglês, quer dizer muita coisa, incluindo as instruções para as máquinas de inteligência artificial. Quando esta palavra é importada para o português, passa a ter um sentido. Quando eu digo prompt, toda a gente sabe que eu estou a falar da IA, que eu estou a falar de uma instrução pra IA. Tem um sentido tão preciso que as pessoas gostam da palavra precisamente por isso. Mas, mais uma vez, se nós começarmos a falar de instruções que damos à IA, parece-me que Que estamos a ser bastante claros. Por isso, aqui fica a minha sugestão e vamos ver o que acontece. Vamos ver se o povo decide.

E os ouvintes podem responder a este repto lançado pelo Marco Neves. Vamos falar de palavras interessantes, de origens interessantes.

Vamos falar das origens interessantes, não sem antes dizer que se a pessoa for um juiz a publicar convém ter cuidado com as instruções que deixa nas decisões. Vamos ao mapa da língua.

Vamos a isso.

João, hoje decidi trazer aqui só sete palavras, uma espécie de salada russa de palavras de várias áreas do mundo, de vários sítios, uma espécie de mapa-mundo das palavras, muitas delas já falámos aqui, em muitos casos, mas eu queria juntá-las. Palavras que talvez tenham origens, algumas são óbvias, outras menos, que mostram que de facto temos um mundo inteiro dentro da nossa língua. Vamos mudar de continente. Piaçava.

Eu adoro essa palavra. Não adoro o piaçava em si, mas a palavra em si é bonita. Sonoridade, atenção. Não vamos aqui confundir as coisas.

Piaçava ou piaçá, como algumas pessoas dizem, mais um rufar de tambores imaginário, vem do tupi, da América do Sul. Piaçava era o nome de uma planta que servia para fazer pequenas vassouras. E dessas vassouras, aqui em Portugal, nós adaptamos para a pequena vassoura que temos ao lado da sanita. Depois, manga, a fruta. Poderia parecer que a origem seria parecida com a do piaçava, que manga viria da América do Sul, mas manga vem da Índia.

Estou a adorar este compasso de espera que estás a fazer.

Estou a ver o tempo a passar.

Exato. Não, para os nossos ouvintes irem acompanhando, uma espécie de jogo.

Exatamente. Vem da Índia. Depois a palavra foi levada para outros continentes, incluindo para a América do Sul, mas originalmente veio da Índia. Vamos agora para uma que acho que todas as pessoas sabem. Esta não vai precisar de rufar de tambores. Temos o chá, que vem da China. Esta é famosa. Depois temos o biombo, que penso que também será conhecido da audiência.

Esta é mais fácil.

Japonês. Vem do japonês. Depois temos o kiwi, que vem do maori. Até rima. Uma das línguas da Nova Zelândia, do outro lado do mundo. E por fim, xampu. Esta é interessante, porque xampu, rufar de tambores, vem do hindi. E o mais interessante aqui é que o seu significado original estava relacionado com massajar. Massajar, uma massagem. Portanto, o xampu é um produto que também nos ajuda a massagear a cabeça.

Marco, já que falamos em xampu, isto é uma questão que me irrita muito. Estás a ver ao nível de ténis, sapatilhas? Há muitas pessoas que dizem xampô, e isso irrita-me solenemente. Porque eu acho que se diz xampu.

Sim, xampu é a palavra, mas eu sei que essa nasalidade aparece em xampô com muita frequência, como aparece também em tantan bela.

Eu não consigo perceber. É das palavras que mais me irrita na língua portuguesa. Pessoas que dizem xampô.

Eu tenho aqui planeado, não vai ser hoje, porque as pessoas sabem e algumas gostam muito disso, outras não tanto. Eu tenho a tendência para desirritar as pessoas, dizer: "Não se irritem tanto, isto é assim." Mas só para tu não te sentires tão desacompanhado, vou te dizer que também tenho as minhas irritações e prometo que no próximo episódio, quarta-feira, tu hoje já disseste a tua, xampô.

Sim.

Eu vou te dizer quais é que são as minhas irritações.

E tenho outra que agora não me lembro. Se eu me lembrar até o final do episódio, depois partilho contigo. Mas esta é sem dúvida aquela que mais me irrita, especialmente quando tenho pessoas à minha volta que insistem em dizer xampô.

Tu ficas com o xampô.

Já me acalmei.

E eu vou ficar com as irritações, que eu vou dizer no próximo episódio. Isto é daquelas técnicas para as pessoas ouvirem o próximo episódio. Quarta-feira, quais é que são as minhas irritações. Mas pronto, vamos avançar do xampu até os mitos e origens da língua.

Para eu não me irritar mais. Vamos a isso.

Desirites. Se tu te irritas com o xampu, houve um ouvinte nosso, não se irritou, ele disse isto de forma muito simpática e ele ficou intrigado com uma forma verbal que eu usei no episódio anterior. Se pudermos, João, vamos ouvir aqui a pergunta do nosso ouvinte.

Olá, Marco e João. Daqui é António Coutinho, de Marco de Canaveses. A minha questão é a seguinte: num dos últimos episódios, e a propósito da falta de memória para números de telemóvel, o Marco proferiu a seguinte frase: "Para a semana já me esqueci." Esta construção está correta? Estamos a falar de para a semana, mas estamos a conjugar o verbo no passado. Obrigado e continuação de bom trabalho.

Ai, Marco Neves. E agora?

Obrigado, António. Eu já disse aqui várias vezes, todos nós nos enganamos, incluindo eu, que falo aqui sobre língua portuguesa, mas como qualquer falante, também me engano. Neste caso, o que está a acontecer não é um engano, mas sim uma utilização perfeitamente normal, que nós todos usamos, só que lá está, o António, e bem, estava a reparar, quando nós reparamos na língua, às vezes notamos estas coisas e ficamos intrigados. Nós usamos o pretérito perfeito para falar do futuro, em casos como este, porque o "para a semana já eu me esqueci", mas o esquecimento ocorre no passado em relação ao ponto do tempo de que estamos a falar, não sei se isto ficou claro. Eu vou dar um exemplo mais claro. Se eu disser: "Amanhã, por esta hora, já ele chegou a casa." O chegou também é pretérito perfeito. Portanto, eu digo: "Amanhã, por esta hora", e estou a levar a outra pessoa a considerar um ponto no futuro. E é aí, nesse ponto do futuro Que eu depois uso o pretérito perfeito para falar de alguma coisa que nesse momento no futuro já aconteceu, no passado do futuro, se isto faz sentido. E faz, gramaticalmente faz sentido. Isto acontece com muita frequência e é perfeitamente correto, está dentro da gramática da língua, nós usarmos o pretérito perfeito para falar de alguma coisa que está no passado de um ponto futuro e que por isso está no futuro do presente. Grande enrolo temporal aqui. Mas é assim mesmo. Nós também podemos dizer: "Para o ano que vem, em setembro, já eu me mudei de casa" ou "eu já mudei de casa", ou "já comprámos uma casa". Não, comprámos no pretérito perfeito. Portanto, o truque mental aqui é nós começarmos por escolher um ponto no futuro e depois aí nesse ponto é que falamos do passado.

Muito bem, está esclarecido. Um grande abraço para o António.

Obrigado, António. Eu gostei muito da pergunta, porque é de facto muito interessante e nós quando estamos mais atentos à língua, de repente começamos a ter estas dúvidas, que são demonstração da curiosidade que eu gosto tanto. Vamos agora para o livro da semana.

E que é, Marco Neves?

Eu posso dizer que é um livro sobre os nomes próprios. É um dos temas de que as pessoas mais gostam. Eu muitas vezes faço aqueles vídeos para as redes sociais e não só, noutros canais também. Falo muitas vezes de nomes próprios e os nomes próprios são dos temas que mais interessam as pessoas. Eu muitas vezes uso várias fontes, incluindo José Pedro Machado, o nosso grande etimólogo. Mas temos aqui um livro que encontrei há uns tempos, um livro muito interessante e muito bem feito, ou seja, as fontes são ótimas e está bem escrito e acho um livro excelente para falar da origem dos nomes próprios, "O Grande Livro dos Nomes Próprios", de Vanessa Fidalgo. Origens, curiosidades, tendências, os mais populares e os mais estranhos. É da Oficina do Livro. Quem gosta de nomes próprios e de saber a origem dos nomes próprios, aqui está uma sugestão. Nós temos lá histórias interessantíssimas, como a história de Vanessa e do Tiago, que eu acho sinceramente que são os dois nomes com histórias mais interessantes na nossa língua. Não estou a dizer que são os meus nomes preferidos, não é isso. Por acaso, Tiago é o nome de um dos meus irmãos, mas são dois nomes com histórias muito interessantes. Mas têm lá muitos outros: Matilde, Martim, Afonso, Mateus. Estou aqui a ler os nomes que estão na capa de início. Portanto, aqui fica a minha sugestão para "O Grande Livro dos Nomes Próprios", um livro sobre a origem dos nomes. E é isso.

Marco Neves, ficamos por aqui este domingo. Já sabe que pode ouvir o "Português Suave" também em podcast, eventualmente na rádio também passa em reposição, portanto, podem-nos estar a ouvir num outro dia qualquer. Dúvidas para o e-mail que o Marco Neves sabe de cor e salteado.

portuguessuave@observador.pt.

Exato. E o número de telefone é o 910024185. Nós na quarta-feira, e segundo Marco Neves, vamos falar de irritações. E eu, entretanto, já me lembrei da minha segunda irritação.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.