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Wednesday, October 7, 2026

‘Essa escola tinha que ser no Brasil’: a diretora da Suzano que estudou o caos para chegar ao board

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Durante uma visita à Chaos Pilot, escola dinamarquesa dedicada à criatividade e à gestão em ambientes voláteis e instáveis, Marcela Porto comentou com o grupo: "Eu até falei: gente, essa escola tinha que ser no Brasil". O motivo, segundo ela, é que lidar com crise e instabilidade "é o que a gente faz aqui todo dia".

A visita fez parte do módulo internacional do ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, formação da Saint Paul para executivas que ocupam ou pretendem ocupar assentos em conselhos de administração. 

Diretora de comunicação e marca da Suzano, Marcela entrou no programa em busca de senioridade profissional e de um plano B de carreira. Saiu com mais autoconfiança para os fóruns de decisão e com um convite que, na avaliação dela, talvez não tivesse recebido sem o curso: integrar o comitê de ESG de um fundo de investimento de impacto.

Duas décadas entre governo, empresa e terceiro setor

Marcela começou a carreira como consultora de políticas públicas. Migrou para o setor privado pela área de relações governamentais, passou por sustentabilidade e empresas familiares e chegou à Suzano, onde hoje responde por comunicação, marca e sustentabilidade institucional. Também integra os conselhos do Instituto Ecofuturo e da Aberje, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Em seu perfil profissional, ela reconhece que as experiências podem parecer desconexas, mas afirma que todas exigiram as mesmas competências: pensamento sistêmico, resolução de problemas complexos, adaptabilidade, negociação, gestão de crise e inteligência emocional. 

Nos últimos 20 anos, diz ter reunido pessoas e recursos em torno de grandes projetos, ajudando a desenvolver marcas, líderes e equipes. Fora do trabalho, afirma que nada a move mais do que ser mãe de Lucas e Bruno.

Por que um programa longo e só para mulheres

Antes do ABP-W, Marcela já havia feito cursos de formação executiva no exterior. 

"Eu fiz alguns desses cursos de uma semana fora do país, que eu acho muito legal, mas estava procurando um curso mais longo, para realmente ter tempo de me dedicar"Marcela Porto, Communications and Sustainability Director na Suzano

A escolha também passou pelo perfil da turma. "Eu acredito muito na coisa das redes de mulheres. Tenho alguns grupos profissionais exclusivos de mulheres que já me abriram muitas portas", afirma. Para ela, o formato fez sentido com o momento pessoal e profissional que vivia, de explorar esses grupos e as características femininas no ambiente de trabalho.

Design dinamarquês e a ‘Startup Nation’

A turma de Marcela começou entre 2019 e 2020. O módulo internacional, originalmente previsto para Israel, foi adiado pela pandemia. Quando a viagem se tornou possível, em 2022, o grupo se juntou a duas turmas posteriores, cujo destino era a Dinamarca. Foram uma semana em cada país, e ela participou das duas.

Na Dinamarca, além da Chaos Pilot, chamou sua atenção o quanto o design está ligado à forma como a sociedade é organizada. "Me trouxe muitos insights para o craft de como a gente faz as coisas aqui", diz.

Marcela Porto, Communications and Sustainability Director na Suzano

Israel, segundo ela, foi uma janela: pouco depois da viagem, o país entrou em conflito. Antes de embarcar, as alunas estudaram os dois destinos, e Marcela leu sobre o conceito de Startup Nation para entender a formação israelense. Com quatro turmas reunidas, foram 15 dias de convivência. "Foi um divisor de águas. Foi o coroamento do curso, do processo", afirma.

As cadeiras que já existiam e o convite que veio depois

Marcela faz questão de corrigir uma suposição comum. "Para te falar a verdade, eu já estava nesses dois conselhos quando entrei no curso", diz. No Ecofuturo, ONG fundada e mantida pela Suzano, ela foi superintendente por vários anos e, após uma reestruturação, deixou a gestão para assumir o conselho. Na Aberje, a cadeira veio pela posição na empresa.

O efeito do programa apareceu em outro movimento. "Em termos de senioridade, sem dúvida, e talvez, se eu não tivesse feito o curso, não tivesse recebido o convite", diz, sobre o comitê de ESG do fundo de impacto. 

Ela permaneceu três anos no posto e acompanhou o período de definição dos indicadores de impacto das empresas investidas. Com o fechamento do ciclo de investimento, decidiu sair para se dedicar a outros projetos.

Hard skills, coaching e autoconfiança

Do conteúdo, Marcela destaca a visão do todo e as nuances da função de conselheira, como o alinhamento de bastidores e a importância de chegar às reuniões preparada. 

O programa combina coaching individual ao longo do processo, voltado a soft skills, com disciplinas técnicas como finanças, governança corporativa, compliance e gestão de crise.

Para ela, o principal ganho está menos no conteúdo isolado e mais na postura. "Você se desenvolve como profissional, fica mais robusto para sentar numa cadeira de conselho, de comitê", diz. "Uma vez que você tem a formação, você tem mais autoconfiança também para estar nesses fóruns”, completa.

Num cotidiano que ela compara ao de uma escola do caos, preparo é o que sustenta a cadeira.

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