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Thursday, October 15, 2026

Empresário da Faria Lima vota em Flávio Bolsonaro porque ele tomará medidas impopulares na economia

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Eduardo Médicis, CEO e fundador da gestora Lift Capital, não gosta de usar o termo Faria Lima —ou o mais caricato faria limers— para equiparar aqueles que trabalham no mercado financeiro brasileiro.

Para ele, existem nuances no mundo dos negócios, em vez de uma opinião homogênea a respeito do futuro do país.

Instado pela reportagem a discorrer sobre sua visão política e econômica para o Brasil, à espera das eleições, o empresário começa abordando temas de consenso entre seus pares do ramo das finanças: o alerta com a situação do endividamento no cenário de juros altos e o equilíbrio das contas públicas.

Primeiro, menciona os quase 85 milhões de brasileiros negativados, a dificuldade dessas pessoas em conseguir crédito bancário e a tendência de piora. Afirma que a população mais carente "está em um buraco e cavando mais", por diversos motivos, incluindo as bets (hoje proibidas).

Depois, passa a citar o abismo das empresas. Na semana em que concedeu esta entrevista, o noticiário repercutia as crises de marcas como Casas Bahia, Habib's, Braskem e Marabraz.

"O número das empresas é impressionante. E o agro, o que mais move a economia no país, está quebrado. Tem questão climática, tem má gestão. O agricultor não tomava tanta dívida, não era normal historicamente. As empresas estão em situação crítica e sem luz no fim do túnel nesse próximo governo", afirma ele, em uma sala de reuniões na sede de seu escritório, na avenida Juscelino Kubitschek, a poucas quadras da avenida Faria Lima.

A Lift atua em crédito estruturado e nos chamados "special situations", que investe em empresas com dificuldades ou situações complexas.

No primeiro turno, votou no ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), cujo plano priorizava a estabilização fiscal, contenção de despesas obrigatórias e a segurança pública, com integração policial, agravamento de penas e redução da maioridade penal.

Já no segundo turno, ele vai de Flávio Bolsonaro (PL), decisão tomada mais pelas expectativas econômicas do que por apreço ao candidato.

"Não estou votando no Flávio. Estou votando na mudança e acreditando que ele vai colocar pessoas melhores para tomar decisões difíceis. Vai colocar alguém melhor na parte econômica, na segurança e organizar a suruba do STF", afirma.

Na opinião do empresário, o candidato do PL terá mais condições de promover a queda dos juros, que chama de insustentáveis para os negócios. Também acredita que ele não vai se candidatar novamente ao fim do mandato —o que favoreceria a disposição de determinar cortes de gastos e outras medidas impopulares que poderiam melhorar as contas do país.

Médicis diz ver um fogo de palha no entusiasmo do mercado financeiro em torno da candidatura, que turbinou a Bolsa quando o resultado das urnas mostrou Flávio mais forte no primeiro turno.

"Apesar desse fogo de palha, que vai durar não mais do que um ano, a situação está realmente muito ruim. E não é só porque você muda o presidente que muda toda a estrutura e a alavancagem das pessoas. Não é assim. Eu prefiro aguardar para falar se estamos no caminho certo daqui a seis meses ou um ano, mas realmente acredito que ele vai colocar gente mais capacitada para tomar decisões difíceis."

Aos 40 anos, Médicis fica apreensivo quando pensa no horizonte após 2030. A mais velha de seus três filhos já estará na adolescência. Ele pretende dar aos filhos a escolha de estudar fora, mas adoraria que eles preferissem continuar no Brasil, como ele fez: cursou o colégio católico Santo Américo, administração no Insper, em São Paulo, iniciando a carreira no Citi antes de seguir para BR Partners e Clave Capital.

Hoje, seus irmãos têm carreiras no exterior, mas ele acha que vale a pena estar no Brasil, país que vê como terra pacífica, de gente trabalhadora, com riquezas naturais. "É um país que me mostra que nada está perdido. Para o que faço, nessa área de investir em crédito, o Brasil paga um prêmio justo."

Apesar do receio com o cenário econômico, o que lhe tira o sono hoje é a segurança pública, outra preocupação capaz de afastar os brasileiros do país.

"É triste ver tanta gente, amigos dos filhos na escola, escolhendo passar alguns anos ou a vida toda em outro país porque desistiu daqui", afirma.

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