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Monday, September 14, 2026

Caso Master no STF: veja a linha do tempo da crise e da queda dos sigilos

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A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o caso do Banco Master tornou-se o principal acontecimento político das últimas semanas, com uma sequência de decisões sobre o sigilo das investigações.

O presidente da Corte, Edson Fachin, determinou o levantamento da restrição de acesso aos procedimentos relacionados ao caso, enquanto o relator, André Mendonça, cumpriu as determinações e tornou públicos documentos de diferentes frentes da apuração.

O movimento ocorreu em meio ao embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes, depois que mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro vieram a público. A divulgação dos documentos provocou uma disputa sobre o acesso dos demais integrantes do STF ao conteúdo extraído do celular do banqueiro e sobre os limites da publicidade das investigações.

Além do inquérito principal da Operação Compliance Zero, foram liberados procedimentos relacionados a instituições financeiras, fundos de previdência e políticos. As decisões, porém, preservam o sigilo de diligências que ainda estão em andamento quando a publicidade puder comprometer sua eficácia.

Veja os principais momentos da crise.

Fim de 2025: caso Master chega ao STF

O caso envolvendo o Banco Master chegou ao STF no fim de 2025, dando início a uma nova etapa da investigação. O processo passou a concentrar no Supremo diferentes apurações relacionadas ao banco e a Daniel Vorcaro.

A investigação, que posteriormente ficou associada à Operação Compliance Zero, passou a reunir medidas cautelares, prisões, bloqueios de patrimônio e outras diligências.

O caso ficou inicialmente sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Durante esse período, foram determinadas diligências relacionadas à investigação do Banco Master, que permaneceu sob sigilo.

A apuração avançou sobre operações financeiras envolvendo o banco e outras instituições, além de suspeitas relacionadas às carteiras de crédito e às transações que posteriormente seriam analisadas em diferentes procedimentos.

No entanto, Toffoli deixou a relatoria do caso no início de 2026, em meio ao avanço das investigações e às referências ao ministro no material apreendido pela Polícia Federal, envolvendo a participação do ministro no resort Tayayá. Toffoli é sócio da Maridt, sócia do empreendimento até 2025. A empresa vendeu cotas do Tayayá ao Fundo Arleen em 2021. O fundo é controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Master. O único cotista do Arleen era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, preso sob suspeita de ser o operador do ex-banqueiro.

Com a mudança na relatoria, o ministro André Mendonça passou a conduzir o processo no Supremo e ficou responsável pelos principais desdobramentos da investigação.

2026: Mendonça assume a relatoria

Sob a relatoria de André Mendonça, o caso continuou a reunir diferentes frentes de apuração, incluindo suspeitas envolvendo operações financeiras do Banco Master, o Banco Central, fundos de previdência e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro.

Boa parte do conteúdo extraído do celular do banqueiro se manteve sob sigilo por alguns meses, incluindo mensagens de Vorcaro direcionadas a Alexandre de Moraes. A crise entre os ministros, porém, só ganharia força meses depois.

Setembro de 2026: mensagens de Vorcaro envolvem Moraes

Em setembro, a divulgação de um relatório da Polícia Federal por Mendonça colocou Alexandre de Moraes no centro de uma nova frente do caso. O documento, com 218 páginas, reuniu 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro nas semanas anteriores à primeira prisão do banqueiro e à liquidação do Banco Master.

Segundo o relatório, Vorcaro pedia ajuda para "bloquear" e "reverter" investigações junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O ex-banqueiro chegou a perguntar por mensagem a Moraes se deveria deixar o país, dois dias antes de ser preso pela primeira vez enquanto tentava embarcar em um voo para os Emirados Árabes Unidos.

O relatório da Polícia também aponta que Vorcaro e Moraes se encontraram pessoalmente mais de uma vez.

As respostas de Moraes não puderam ser verificadas porque o ministro utilizava mensagens configuradas para desaparecer após uma única visualização.

O relatório também analisou contratos entre o Master e uma outra empresa ligada a Vorcaro com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci. Segundo o material, do contrato principal, que previa o pagamento de R$ 130 milhões, R$ 80 milhões foram efetivamente pagos. Moraes nega irregularidades.

Fachin determina retirada de sigilos

Em 10 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo dos procedimentos relacionados ao Banco Master. A decisão ocorreu em meio ao agravamento do conflito provocado pela divulgação das mensagens de Vorcaro.

A determinação tinha como objetivo ampliar a transparência das investigações, mas preservava o sigilo de diligências em andamento quando a publicidade pudesse prejudicar sua eficácia.

Mendonça acatou a decisão e retirou o sigilo de uma série de procedimentos. Entre os documentos liberados estavam investigações relacionadas ao Banco Master e políticos.

Fachin dá 24 horas para Mendonça

Na sexta-feira, 11 de setembro, Fachin avançou na determinação e deu 24 horas para que Mendonça encaminhasse à Presidência do STF todos os procedimentos ainda pendentes relacionados às investigações do Banco Master.

O episódio ocorreu enquanto os ministros também divergiam sobre o acesso ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro.

Mendonça afirmou que a abertura das mensagens poderia "tumultuar" o julgamento sobre Moraes e afetar a investigação do Banco Master. O ministro também negou ter feito uma liberação seletiva dos sigilos.

Zanin cobra acesso aos dados de Vorcaro

Também na sexta-feira, Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregasse ao seu gabinete a íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

A medida aprofundou a disputa. Zanin argumentou que não existe hierarquia entre os ministros do STF e que, se Mendonça tinha acesso a elementos envolvendo Moraes, os demais integrantes da Corte também deveriam ter acesso ao conteúdo.

A PF afirmou que poderia fornecer cópias do material aos gabinetes sem comprometer a cadeia de custódia. O conteúdo do telefone passou, assim, a ser um dos principais pontos da crise interna.

Dino libera investigação sobre 'Dark Horse'

No domingo, 13 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou a retirada do sigilo de outro processo relacionado ao caso Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

A investigação trata do destino de emendas indicadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP) a instituições ligadas à produtora do longa. Dino também determinou o envio à Polícia Federal de dados obtidos pela polícia paulista.

A apuração é um dos desdobramentos das investigações sobre o caminho do dinheiro relacionado ao “Dark Horse”.

Próximos passos: STF decidirá se abre investigação contra Moraes

O próximo capítulo está marcado para terça-feira, 15 de setembro. O plenário do STF vai analisar se existem elementos para abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes a partir do relatório da Polícia Federal.

Não estará em julgamento a culpa do ministro nem uma eventual ação penal. A discussão será sobre a existência de elementos suficientes para autorizar uma investigação formal.

Se a abertura for aprovada, será a primeira vez que um ministro do STF será alvo de uma investigação dessa natureza. O procedimento poderá esclarecer, por meio de testemunhos, cruzamento de informações e outras diligências, questões que permanecem em aberto no caso.

Quais sigilos já foram derrubados?

Até agora, a retirada de sigilo determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, e acatada pelo relator do caso Master, André Mendonça, alcançou o inquérito principal da Operação Compliance Zero e diferentes investigações derivadas. A decisão, porém, mantém sob sigilo diligências ainda em andamento e peças cuja divulgação possa prejudicar as apurações.

Entre os documentos liberados estão os relacionados ao BRB e ao Banco Master, incluindo a tentativa de compra do banco pelo BRB, suspeitas de fraudes em carteiras de crédito, operações com a Tirreno, atuação de dirigentes e bloqueios de bens e imóveis ligados às transações.

Também foram tornados públicos documentos da Operação Compliance Zero e de Daniel Vorcaro, com informações sobre prisões e outras medidas cautelares, sequestro de patrimônio, pedidos da defesa, delação e material extraído do celular do banqueiro.

Outra frente reúne as investigações conhecidas como “A Turma”, Sicário e hackers, que envolvem pessoas e grupos ligados a Vorcaro, com quebras de sigilo, prisões e outras diligências. Já os procedimentos relacionados ao Banco Central tratam da atuação da instituição no caso Master, incluindo apurações e sindicâncias envolvendo dirigentes.

Os documentos sobre fundos de previdência envolvem operações relacionadas ao RioPrevidência e ao regime próprio de Previdência de Maceió. Também foram liberados procedimentos ligados ao Will Bank, entre eles desdobramentos da liquidação da instituição e suas relações com o grupo Master.

Políticos e o caso “Dark Horse”

A abertura dos sigilos também alcançou procedimentos envolvendo Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro. No caso de Flávio, os documentos incluem o núcleo relacionado à produtora de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, que está sob relatoria de André Mendonça.

Em paralelo, o ministro Flávio Dino determinou no domingo a retirada do sigilo de outro processo relacionado ao filme. A investigação, iniciada pela Polícia Civil de São Paulo, apura o destino de emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP) a institutos ligados a Karina Gama, produtora da cinebiografia.

Também foram liberados outros procedimentos derivados das investigações, envolvendo personagens ligados ao entorno do caso, como Thiago Miranda, além de apurações relacionadas às operações financeiras investigadas.

Mesmo com a derrubada dos sigilos, Fachin e Mendonça afirmaram que preservam a confidencialidade de diligências em andamento e de peças processuais cuja publicidade possa comprometer a investigação.

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