Leilão tem ágio de 90% após 144 lances pelo CentroSul de Florianópolis
Foram 144 lances até uma diferença de apenas R$ 100 mil definir quem vai administrar pelos próximos 35 anos o principal centro de convenções de Florianópolis. A DMDL Ltda., de São Paulo, venceu o leilão do CentroSul, realizado na B3, com uma oferta de R$ 31,5 milhões, nesta sexta-feira (18/9).
O valor representa ágio de 90,91% sobre os R$ 16,5 milhões estabelecidos como lance mínimo. O Consórcio Floripa Eventos ficou em segundo lugar, com proposta de R$ 31,4 milhões.
Os dois concorrentes começaram a disputa exatamente no valor mínimo previsto no edital e foram aumentando sucessivamente as propostas até os R$ 100 mil que separaram vencedor e segundo colocado.
Embora oito grupos tenham procurado informações sobre a concessão durante o processo, apenas dois chegaram efetivamente à disputa na B3.
O lance vencedor, porém, representa apenas uma parte do tamanho financeiro do negócio. Além dos R$ 31,5 milhões da outorga inicial, a nova concessionária terá de realizar R$ 53,4 milhões em investimentos e pagar à Prefeitura uma outorga anual de R$ 250 mil, corrigida pelo IPCA.
Sem considerar a correção monetária, os pagamentos anuais representam outros R$ 8,75 milhões durante os 35 anos. Somados à oferta vencedora e aos investimentos obrigatórios, os compromissos financeiros previstos chegam a pelo menos R$ 93,65 milhões, antes dos custos de operação, manutenção e eventuais aportes adicionais.
A concessionária também terá de constituir uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com capital social mínimo de R$ 7,8 milhões.
Quem é a nova operadora
Fundada em 2002 e com sede em Barueri, na Grande São Paulo, a DMDL construiu sua trajetória no mercado de engenharia, montagem de estruturas e operação de grandes eventos.
A empresa já administra o Centro de Convenções de Teresina, no Piauí, em uma concessão de 20 anos. O complexo tem aproximadamente 14 mil metros quadrados e capacidade para receber até 10 mil pessoas.
A DMDL também esteve envolvida em uma das maiores estruturas temporárias de eventos montadas recentemente no país. Na COP30, em Belém, foi contratada para executar a infraestrutura e a operação da Blue Zone, espaço destinado às negociações oficiais da conferência climática das Nações Unidas, em um contrato de aproximadamente R$ 211,8 milhões.
No Sul do país, a companhia também venceu a licitação para planejamento, organização e operação do South Summit Brazil 2025, em Porto Alegre, com proposta de R$ 13,5 milhões.
Agora, o grupo assume um equipamento considerado estratégico para o turismo de negócios e eventos de Florianópolis.
O contrato prevê R$ 53,4 milhões em obras e melhorias nos seis primeiros anos. Cerca de R$ 43,4 milhões estarão concentrados na primeira etapa, incluindo modernização dos espaços internos, fachadas, estacionamento, arruamento, drenagem e uma nova estrutura para o CORE, da Polícia Civil.
Outros R$ 6,2 milhões estão previstos para uma nova passarela de pedestres, além de aproximadamente R$ 3,7 milhões destinados à implantação de uma área gastronômica.
Uma das principais mudanças deverá ocorrer na frente marítima do complexo. Uma área de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados de frente para o mar poderá receber operações de alimentação e bebidas, criando uma fonte adicional de receita mesmo nos períodos sem congressos ou feiras.
O projeto prevê ainda estacionamento térreo com pelo menos 350 vagas, mudanças nos acessos pela Avenida Gustavo Richard, obras de drenagem e melhorias de acessibilidade.
A expansão projetada, estimada entre 20% e 25%, deverá permitir ao CentroSul receber praticamente todos os principais formatos de eventos realizados no país e comportar até três eventos simultaneamente.
O tamanho desse mercado ficou evidente justamente na semana do leilão. Mais de 4 mil participantes de um congresso de medicina laboratorial passaram pelo CentroSul. Poucas semanas antes, o Startup Summit 2026 havia reunido cerca de 10 mil pessoas no complexo.
Atualmente, o CentroSul recebe cerca de 70 eventos e registra aproximadamente 105 dias de ocupação por ano. Segundo números apresentados durante o processo de concessão, a receita média é de aproximadamente R$ 88 mil por dia ocupado, equivalente a cerca de R$ 9,24 milhões por ano nesse recorte.
A DMDL não recebe imediatamente as chaves do complexo. O processo ainda passa pelas etapas administrativas previstas no edital, incluindo análise documental, pagamento da outorga e formalização do contrato.
A expectativa é que a nova concessionária assuma a operação em janeiro de 2027. A comercialização de eventos continuou durante o processo de concessão, e o CentroSul deverá ser transferido com datas já contratadas para os anos seguintes.
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