12h. OE 2027. PS diz que viabilização não é carta branca
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Vamos às notícias. Edição do Miguel Cordeiro. O PS recusa que a viabilização, já confirmada, do Orçamento do Estado para o próximo ano seja uma carta-branca ao Governo. Eurico Brilhante Dias justifica a decisão precoce com o tema da estabilidade política.
No ano passado, José Luís Carneiro esperou até viabilizar o documento ao dizer que se recusava a passar um cheque em branco ao governo. Desta vez, a decisão está a surgir mais cedo, com o PS a apontar para uma abstenção do Orçamento do Estado, mas o líder do grupo parlamentar do Partido Socialista explica que primeiro está a estabilidade política do país.
Nós definimos quatro pressupostos. Tivemos uma reunião com o governo e definimos que a organização dos nossos trabalhos seria sempre em função do conhecimento.
Mas qual é a pressa? O Orçamento vai ser apresentado no final desta semana.
A estabilidade política é um elemento central e, portanto, nós poderíamos ter esperado mais uma semana ou mais duas. O que o secretário-geral do Partido Socialista disse foi: as quatro condições estavam preenchidas e que, perante esse preenchimento, estaria em condições de propor a abstenção para garantir a continuidade desta legislatura.
É uma entrevista de Eurico Brilhante Dias à Sic Notícias, em que foi também questionado sobre se essa pressa pode significar medo de confronto nas eleições. Ora, Eurico Brilhante Dias aponta para as últimas sondagens para voltar a reforçar a ideia de estabilidade.
Eu diria que nós não temos medo, mas temos um compromisso. E o compromisso é com a estabilidade do país no momento de crise. Repare, as sondagens até têm sido relativamente favoráveis ao Partido Socialista.
Mas não convinha nada o PS ir para eleições neste momento.
Eu não sei se não convinha o PS. O que eu digo é que o país não pode ter eleições todos os anos.
Já ontem a tracking poll da CNN colocava o PS com ligeira vantagem na frente das preferências, com José Luís Carneiro a ser a primeira escolha para primeiro-ministro nessa sondagem. Entretanto, um dos pontos mais fundamentais para a decisão do PS foi o compromisso do governo com o tema da revisão constitucional. E, neste aspecto, o líder da bancada parlamentar do PS admite que gostava de ver o processo concluído já no próximo ano.
O processo de revisão constitucional não tem que ser um processo que demora um ano. Acho que temos condições de fazer um trabalho de revisão constitucional que garanta que durante o ano 2027 esse processo é encerrado. É a primeira questão que devo dizer.
Seria mesmo muito rápido.
Não seria muito rápido, depende da aproximação que temos à revisão constitucional.
Eurico Brilhante Dias, nesta entrevista à Sic Notícias ontem, o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, acusou os socialistas de passarem um cheque em branco ao governo após a decisão de viabilizar o Orçamento do Estado. O PS nega esta ideia.
E vamos falar do Bloco de Esquerda. José Manuel Pureza acusa o governo de ter tiques de autoritarismo.
Neste caso, com a população de Covas do Barroso, em Boticas, no norte do distrito de Vila Real, onde há uma empresa privada que quer explorar uma mina de lítio a céu aberto. O líder do Bloco de Esquerda esteve no local e disse que o governo não se está a portar bem com a população.
Tudo isto é verdadeiramente escandaloso, claro, mas há um pequeno pormenor, que é um grande pormenor, que acrescenta escândalo a isto. É que a Guarda Nacional Republicana tenha prestado serviços a uma empresa para policiar aquilo que é um perímetro de atuação da servidão administrativa, que vai muito para lá daquilo que alguma vez foi. Quando as forças policiais são usadas, certamente contra a vontade dos próprios, contra as populações, está tudo dito sobre um governo ou sobre um poder político que tem tiques de autoritarismo.
José Manuel Pureza, ontem de visita a Boticas, no norte do distrito de Vila Real.
Entretanto, há novos desenvolvimentos acerca do que aconteceu no cockpit do voo que seguia para Tel Aviv, desde Dubai. Afinal, o copiloto terá utilizado um machado e teria mesmo a intenção de fazer despenhar o avião em Israel.
É acusado de atacar o comandante com um machado de emergência dentro da cabine de comando. Isto foi o que indicou o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, citado pela Sky News. Esse copiloto dá pelo nome de Hammam Al Hamami, cidadão de Omã, tem 29 anos. O jornalista Carlos Pinto está conosco em estúdio para nos ajudar também a explicar o que mudou desde quarta-feira até hoje nesses relatos iniciais, até este relatório agora das autoridades sobre o que aconteceu no cockpit.
Desde logo, Miguel, a alegada arma com que o copiloto feriu o comandante inicialmente foi avançado que se tratava de uma faca ou navalha. Agora as autoridades confirmam que se tratava, de facto, do machado de emergência que está colocado no cockpit. Mas há mais, enquanto as circunstâncias do caso estão a ser investigadas. O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos revela que o caso está agora a ser tratado como uma tentativa de ato terrorista. As autoridades dizem que o suspeito está a colaborar e terá dado a entender que tinha a intenção de fazer despenhar o avião em território israelita. Outro novo dado importante surgiu, entretanto. A Associated Press indica que o suspeito já tinha sido proibido de voar pela companhia aérea Oman Air, devido a receios de que este tivesse adotado uma visão extremista. As autoridades disseram à ABC News que Al Hamami, enquanto trabalhava como copiloto estagiário na Oman Air em 2024, foi apanhado na posse de material extremista. Ainda assim, o suspeito foi autorizado a continuar a trabalhar para a companhia aérea, mas numa função administrativa. Isto tudo antes de ser contratado pela FlyDubai, empresa pela qual fez o voo que tinha como destino Tel Aviv e que acabou por aterrar de emergência na Arábia Saudita. Dizer ainda que o primeiro-ministro de Israel diz que o suspeito foi influenciado pelo islamismo radical.
Novos desenvolvimentos neste incidente que agora está a ser investigado como uma tentativa de ato terrorista. Israel já tinha apontado para isso logo no dia do incidente. Este voo aterrou de emergência na Arábia Saudita, tinha inicialmente como destino Tel Aviv. Seguia rumo a Israel, estavam neste avião mais de 180 passageiros.
E falamos agora das eleições no Brasil. Milhares de brasileiros em Portugal vão amanhã às urnas, na primeira volta das eleições presidenciais. O historiador Bruno Cardoso Reis considera que a impopularidade do governo de Lula pode dar a vitória a Flávio Bolsonaro.
Realiza-se este domingo a primeira volta dessas eleições e as sondagens dizem que não se espera um vencedor nesta primeira volta. É esperada uma segunda eleição para o dia 25 de outubro. No programa Cinco Continentes, da Rádio Observador, que vai para o ar já a seguir a este noticiário, Bruno Cardoso Reis, historiador, diz que nesta altura há uma viragem à direita em vários países da América do Sul e que, no caso concreto do Brasil, as questões de segurança e do crime organizado estão a dificultar um cenário de vitória para Lula da Silva.
Eu diria que realmente as coisas estão muito complicadas para Lula. O governo não é particularmente popular. Temos uma tendência geral na América Latina, de que temos falado aqui, na América do Sul, para uma viragem à direita, muito à conta das questões da segurança, do crime organizado. Mesmo um candidato que a maior parte dos analistas consideram que não é particularmente eficaz ou carismático, como é Flávio Bolsonaro, realmente tem conseguido recuperar ao longo destes meses, desde o verão, aproximar-se, muitas vezes empatar ou até já ultrapassar ligeiramente Lula nas intenções de voto para a segunda volta.
Posição de Bruno Cardoso Reis para ouvir mais a fundo, já a seguir no programa Cinco Continentes, aqui na Rádio Observador.
E já a seguir, precisamente, vamos ouvir o Cinco Continentes, mas antes, Miguel, que outras notícias estão em destaque?
Em Espanha, 90 pessoas precisaram ser resgatadas na sequência de cheias repentinas no município de Albacete. Uma mulher de 102 anos morreu em casa na sequência da catástrofe. A idosa morreu depois de a água ter atingido cerca de um metro de altura dentro da habitação. Também em Espanha começam nesta altura várias manifestações em vários pontos do país, mas com maior concentração na capital, em Madrid, por causa do caso Mari Carmen e também da discussão em torno do arrendamento em Espanha. Há um possível cenário de crise política com Pedro Sánchez. Aguarda-se uma decisão de Pedro Sánchez sobre se convoca ou não eleições antecipadas. É esperada uma decisão este fim de semana. Nesta altura, há milhares de pessoas em protesto nas ruas de Espanha, com grande concentração a acontecer em Madrid. No ténis, o português Francisco Cabral foi hoje eliminado do torneio de pares de Pequim, ao lado do norte-americano JJ Tracy. O português foi derrotado no tie break. A dupla perdeu com parciais de 3x6, 6x4 e 10x8 em 1h29m. Francisco Cabral e JJ Tracy tinham vencido na passada terça-feira um torneio de pares na China. Foi o sétimo título da carreira. Na Fórmula 1, o neerlandês Max Verstappen, da Red Bull, conquistou hoje a primeira pole position da temporada. Quatro vezes campeão do mundo, foi hoje o mais rápido na qualificação para o Grande Prêmio do Bahrein, 16ª ronda do Mundial de Fórmula 1, que vai decorrer na Malásia. Verstappen fez a melhor volta ao traçado de Sepang em 1m35s. Deixou na segunda posição o britânico Lewis Hamilton.
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