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Saturday, September 19, 2026

Na contramão do mercado, BofA prevê mais duas altas de juros do Fed até o fim de 2026

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O Bank of America (BofA) espera que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) aumente os juros mais duas vezes em 2026, após a alta de 25 pontos-base realizada em setembro. A previsão coloca o banco na contramão do consenso do mercado, que considera mais provável apenas uma nova elevação neste ano, na reunião de dezembro.

Em nota divulgada na sexta-feira, na qual o Business Insider teve acesso, o BofA afirmou que o Fed pode ter acabado de iniciar um ciclo de altas que continuará nas próximas reuniões até o fim do ano.

O banco apontou dois fatores que podem levar a mais aumentos de juros do que os investidores atualmente esperam. O primeiro é a força da economia americana, que reforça a possibilidade de uma inflação persistente. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) está em 3,4% na comparação anual há dois meses.

O segundo fator, segundo o BofA, é que as altas de juros parecem ter se tornado "politicamente convenientes" para o presidente do Fed, Kevin Warsh, apesar da insistência do presidente Donald Trump para que o banco central reduza as taxas.

Juros mais altos podem conter rendimentos dos títulos

Na avaliação do BofA, as altas permitem que o Fed limite os rendimentos dos títulos de longo prazo em um momento em que a alta dos preços do petróleo e o programa de recompra de títulos do Tesouro assustaram investidores com a possibilidade de uma inflação ainda maior.

Os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos vinham subindo e começaram a pressionar os preços das ações. Nesse cenário, uma postura mais agressiva do Fed parece ser positiva para os mercados e também reforça a credibilidade de Warsh, segundo o banco.

"Os aumentos das taxas de juros pelo Fed pareciam politicamente desafiadores há alguns meses, mas cada vez mais se apresentam como uma oportunidade para o presidente Warsh consolidar seu legado", escreveu Aditya Bhave, economista do banco para os EUA, na nota.

Sobre a alta de setembro, Bhave acrescentou: "Em primeiro lugar, o aumento da taxa de juros alivia as preocupações de que Warsh não seja politicamente independente. Aumentos adicionais encerrariam essa discussão de vez. Em segundo lugar, ao aumentar a taxa em apenas sua terceira reunião como presidente do Fed, Warsh pode se eximir do problema da inflação, além de se creditar por qualquer desflação nos próximos meses."

Após três altas consecutivas até o fim de 2026, Bhave afirmou que os ajustes na política monetária passariam por uma pausa prolongada.

Neil Dutta, chefe de economia da Renaissance Macro Research, também afirmou que Warsh pode estar levando uma postura ainda mais dura do que alguns investidores esperam, publico o Business Insider.

Dutta disse na sexta-feira que, apesar da aversão de Warsh à orientação futura, o presidente do Fed deu pistas sobre sua visão mais agressiva para a política monetária durante a reunião de quarta-feira.

Sinais de uma política monetária mais dura

Warsh, por exemplo, alertou que os preços elevados das commodities sinalizam pressão inflacionária. Ele também mencionou um retorno "mais oportuno" à inflação de 2% e descreveu a alta de juros como a retirada de apenas uma "dose de acomodação".

A partir desses sinais, Dutta concluiu que "estamos mais perto do início do que do fim" do ciclo de aumento das taxas de juros do Fed.

Ele acrescentou que "há uma chance razoável de Warsh continuar até que algo dê errado na economia" e que, em sua primeira passagem pelo Fed, Warsh "esteve disposto a deixar o mercado de trabalho se deteriorar para atingir a meta de controle da inflação. Suas ações até o momento me dizem que ele está disposto a fazer isso novamente."

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