Ex-chanceler criticado por ir ao aniversário de Putin

O antigo chanceler da Alemanha entre 1998 e 2005, Gerhard Schröder, foi uma das pessoas que compareceram à festa organizada para celebrar o 74.º aniversário do Presidente russo, Vladimir Putin.
O Kremlin confirmou a presença do antigo chanceler na celebração. Numa nota no Telegram, a presidência russa indicou que Vladimir Putin, cujo aniversário foi na quarta-feira, soube pelas “notícias que Gerhard Schröder estava em Moscovo” numa “viagem de negócios”.
“O Presidente convidou o seu velho amigo para a sua casa. Gerhard Schröder esteve com Vladimir Putin quando o chefe de Estado celebrou o seu aniversário”, afirmou o Kremlin, que divulgou a imagem dos dois homens a fazer um aperto de mão na casa de Vladimir Putin.
Gerhard Schröder mantém atualmente negócios na Rússia. Lidera atualmente o conselho fiscal da cadeia de supermercados russa Hyperglobus. O antigo chanceler nunca escondeu, aliás, as suas ligações ao regime russo e sempre se manteve próximo de Vladimir Putin.
Путин до поездки в Туркмению встретился с прибывшим в РФ Герхардом Шрёдером, сообщили в Кремле.
Президент из сообщений СМИ узнал о поездке Шрёдера в Москву и пригласил его к себе домой 7 октября на день рождения:https://t.co/6tkA8nj4s8
Фото: Kremlin. ru pic.twitter.com/xWeFlqoMMN
— ТАСС (@tass_agency) October 8, 2026
Na Alemanha, a presença de Gerhard Schröder na festa de aniversário do Presidente russo motivou várias críticas. A secretária-geral da CDU (partido do atual chanceler Friedrich Merz), Franziska Hoppermann, lembrou no X que há “crianças a morrer na Ucrânia”, enquanto o antigo líder germânico “celebra com Putin”. “Vergonhoso já nem é uma palavra para descrever o que aconteceu.”
Schampus, Kaviar und Bomben. Während Alt-Kanzler Schröder (SPD) mit Putin feierte, sterben Kinder in der Ukraine durch die Angriffe des russischen Diktators. Scham ist kaum noch ein Ausdruck. Wie lange müssen wir uns das noch anschauen? https://t.co/D2bGg5UCjL
— Franziska Hoppermann (@FHoppermann) October 8, 2026
Katrin Göring-Eckardt, dos Verdes, descreveu no X o sucedido como uma “desgraça para a Alemanha e uma traição da Europa”. Ao jornal Tagesspiegel, Heidi Reichinnek, do partido de esquerda Die Linke, critica a “homenagem que Schröder prestou” a Vladimir Putin, um “criminoso de guerra”: “Demonstra mais uma vez a sua falta de carácter político e moral”.
Por sua vez, o Partido Social-Democrata (SPD), a força política de centro-esquerda que governa a Alemanha juntamente com a CDU e à qual Gerhard Schröder pertence, manteve-se na defensiva. O deputado social-democrata Ralf Stegner lembrou que o antigo chanceler “não é um político no ativo”. E sublinhou que é um dos poucos alemães “que tem acesso a Putin” e que pode facilitar, “nem que seja um milímetro”, um “cessar-fogo na Ucrânia”.
[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]
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