'Vampyr', de Manuela Infante, leva seres que questionam a exaustão ao Sesc Vila Mariana
Após ser uma das principais atrações do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo, em Santos, a peça "Vampyr", com dramaturgia e direção de Manuela Infante, pode ser vista pelo público da capital paulista nesta quinta-feira (10).
O espetáculo, com os atores Marcela Salinas e David Gaete, mostra vampiros latino-americanos vagueando em um parque de turbinas eólicas no Chile e será apresentado no Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana, em uma extensão do festival.
Infante se apropria do mito do vampiro europeu para criar um falso documentário sobre criaturas que abordam o esgotamento de trabalhadores, a relação entre trabalho e descanso e o chamado neocolonialismo verde —o uso de argumentos ambientais para explorar recursos, mão de obra e territórios.
Ora com humor, ora inspirado em filmes de terror, o destaque do espetáculo é a atuação do elenco. Ao incorporar vampiros chilenos, os dois atores adotam um tom de voz cavernoso e uma expressão corporal capaz de traduzir o estado entre a vida e a morte.
"Na pandemia houve uma sensação de que estávamos desacelerando ou que algo iria mudar. Mas aparentemente o resultado foi o contrário. Cada vez as coisas estão mais rápidas, com mais exigências e mais sensação de cansaço", diz Infante sobre a reflexão que a peça propõe.
Nome relevante do teatro contemporâneo chileno, a diretora já apresentou outras obras no Mirada. Em 2011 ela trouxe o espetáculo "Loros Negros" ao Brasil, apresentado em grande parte no escuro.
Na ocasião, disse que encenar uma peça que não pode ser vista a fez repensar o modo de fazer teatro.
Em 2018 foi a vez de "Estado Vegetal", em que a atriz Marcela Salinas interpretou vários personagens para apresentar a história de um acidente envolvendo um motociclista e uma árvore.
Este ano o Mirada, realizado de 3 a 13 de setembro, homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 41 espetáculos de 15 países, além de 16 ações formativas em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Os temas abordados são os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e a relação entre trabalho, ócio e tempo.
Outros espetáculos apresentados no festival também chegam a São Paulo, após as sessões na Baixada Santista. A agenda pode ser conferida aqui.
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