Lula volta a prometer que vai acabar com as bets: 'pessoas estão se endividando'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender neste sábado, 19, o fim das apostas online no Brasil. Durante um ato de campanha em Florianópolis, o candidato à reeleição afirmou que pretende consultar o Ministério da Fazenda e o Banco Central antes de avançar com a medida.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre uma possível proibição das bets. O governo avalia uma Medida Provisória para tratar do mercado de apostas, mas ainda não definiu os detalhes da proposta.
“Eu tomei uma decisão, se depender da minha vontade, eu já fiz algumas reuniões, vou conversar com meu pessoal da Fazenda, vou conversar com meu pessoal do Banco Central, mas a verdade é que eu quero acabar com as bets”, declarou.
Lula relacionou sua posição aos efeitos das apostas sobre o endividamento das famílias. "Não vou permitir que as pessoas continuem se endividando", disse. Em outras declarações feitas durante o ato, o presidente afirmou que vem discutindo o tema há cerca de dois meses e que considera necessário enfrentar os impactos das apostas sobre a população.
Lula rebate reação dos clubes
Durante o discurso, Lula também respondeu às críticas feitas por clubes de futebol à possibilidade de proibição das bets. Na quinta-feira, 17, equipes haviam divulgado uma manifestação conjunta contra eventuais mudanças no mercado, citando riscos de insolvência, insegurança jurídica e possíveis impactos sobre o futebol brasileiro.
O presidente contestou a ideia de que o fim das apostas prejudicaria a modalidade e recorreu ao histórico da seleção brasileira para defender seu argumento.
“A seleção brasileira foi campeã em 1958 sem bet, foi campeã do mundo do mundo em 1962 sem bet, foi campeã do mundo em 1970 sem bet, foi tetra em 1994 sem bet e foi penta em 2002 sem bet. Depois que começou as bets nós não ganhamos mais nenhuma Copa do Mundo. Então é mentira dizer que se acabar com as bets vai acabar com o futebol”, disse Lula.
O presidente também afirmou que “está determinado” e que “se depender da vontade” dele, vai “acabar com as bets nesse país”.
Ainda não foram apresentados os detalhes de quais modalidades de apostas poderiam ser atingidas por uma eventual proibição nem quando uma medida seria implementada. O debate ocorre enquanto o governo discute os próximos passos para o setor.
O ato em Florianópolis reuniu aliados de Lula que disputam cargos em Santa Catarina, entre eles Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo do estado, e os candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL).
No dia anterior, em ato em Guarulhos (SP), o presidente também se posicionou contra as bets. "O jogo é um vício, é uma doença. As pessoas vão jogando de forma compulsiva, pensando que vão ganhar e só perdem", disse.
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