Crise de moradia na Espanha: reviravolta pode levar idosa de 87 anos de volta para casa após ser desalojada em Madri


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- Author, Victoria Bourne
- Role, BBC News
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Tempo de leitura: 3 min
Após o despejo, ocorrido em 23 de setembro, a mulher precisou ser hospitalizada.
Durante dias, a Urbagestión, empresa proprietária do prédio onde Maricarmen morava, foi acusada de se recusar a negociar para que ela pudesse permanecer.
No entanto, a advogada de Abascal, Beatriz Duro, declarou em coletiva de imprensa que houve "boa vontade de ambas as partes" e que sua cliente concordou em retornar para casa pagando um valor de aluguel semelhante, sob um novo contrato, evitando assim um aumento significativo.
O caso tinha provocado forte reação e indignação em toda a Espanha. O governo de Pedro Sánchez aprovou, na terça-feira, medidas de auxílio habitacional, que agora precisam da aprovação do Congresso espanhol.
Nos últimos dias, milhares de pessoas se mobilizaram na praça Puerta del Sol, no centro de Madri, montando um acampamento para exigir não apenas o retorno de Maricarmen para casa, mas também novas regulamentações sobre direitos habitacionais.
Uma longa batalha judicial
O pai de Maricarmen alugou a casa pela primeira vez em 1956 e ela continuou como inquilina após a morte de seus pais, em uma época em que havia um limite legal para os aluguéis.
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A empresa de investimentos Urbagestión, que comprou o imóvel em 2018, aumentou o aluguel de cerca de 500 euros por mês para 2.650.
Posteriormente, a empresa ofereceu uma redução para 1.650 euros, mas mesmo assim, Abascal não tinha condições de pagar, pois recebe uma pensão mensal de cerca de 1.350.
O apartamento fica em uma área nobre de Madri, tem 93 metros quadrados e 3 quartos.
Três tentativas anteriores de despejo foram bloqueadas pelos tribunais.
Seu caso gerou protestos em todo o país e levou dezenas de milhares de pessoas a se manifestarem nas ruas das principais cidades espanholas para rejeitar o despejo e exigir maior proteção aos inquilinos diante da escassez de moradias e do aumento dos aluguéis.
Duro afirmou que o acordo que permitiu a Maricarmen retornar para sua casa é o "resultado da mobilização social".
Os apoiadores da idosa comemoraram o resultado como uma vitória, mas prometeram continuar a luta para evitar despejos semelhantes e pressionar por moradias mais acessíveis.
O Banco da Espanha estima que o país tenha um déficit de 700 mil moradias, com base na diferença entre a demanda existente e o ritmo de construção de novas casas.
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